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TORTURAS NO IRAQUE SÃO INSTITUCIONALIZADAS

07.05.2004 | Fonte de informações:

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Quem quer que tenha feito pelo menos o serviço militar obrigatório sabe como são as coisas em qualquer Exército: os oficiais dão uma ordem, os soldados fazem o que lhes foi determinado, e os sargentos são encarregados de fazer com que as ordens sejam devidamente cumpridas.

Claro que os soldados podem desobedecer aos seus oficiais, podem agir em desacordo com as ordens, mas para isso terão que agir com muita cautela e sigilo: pois se forem pegos, as penas para delitos militares são muito mais duras do que as previstas pelo código penal civil.

Por isso, simplesmente não faz sentido acreditar que as detenções injustificadas, as torturas, os estupros, os assassinatos e as crueldades cometidos pelas tropas e carcereiros dos Estados Unidos e Reino Unido tenham partido da iniciativa de alguns poucos soldados.

Pois eles agiam descaradamente, tirando fotos, filmando e se divertindo bastante. Se as forças armadas da coalizão estivessem de fato preocupadas com um trato minimamente decente aos prisioneiros, os soldados já teriam sido punidos por infrações muito menores, e nunca chegariam a um abuso tão descarado e infame.

Se eles fizeram isso, e ainda tiraram fotos de recordação, é porque tinham certeza de que não seriam punidos; e sabiam que não seriam punidos exatamente porque essas brutalidades não eram contrárias à política de tratamento de prisioneiros do Estado-Maior. Os altos comandantes das forças de ocupação com certeza sabiam desses atos, não tentavam de nenhuma maneira coibi-los, e provavelmente os encorajava: pois é uma maneira eficiente de fazer com que os prisioneiros (caso sejam de fato guerrilheiros contrários aos invasores, o que nem sempre é o caso - muitos nem sabiam porque foram presos) passar informações sobre a resistência.

O único problema é que o caso vazou para a imprensa: e até os meios de comunicação dos EUA, fanaticamente pró-Bush e pró-guerra, não perderam a oportunidade de mostrar algo que teria bastante audiência. E então se monta todo este circo para tentar diminuir os atos de tortura, dizendo que foram casos isolados e praticados ilegalmente por alguns poucos soldados, e que são completamente contrários ao "verdadeiro espírito americano".

Mas já em janeiro, a Cruz Vermelha e a Organização para os Direitos Humanos do Iraque já haviam alertado as autoridades norte-americanas de ocupação sobre tais casos, sem obter nenhuma resposta.

Isso já vem de longe, e não é de maneira alguma uma prática contrária à política oficial de ocupação: é uma atividade sistemática, tolerada e provavelmente encorajada.

Mas a divulgação pela imprensa mundial significa que os soldados dos EUA não mais torturarão seus prisioneiros? Pouco provável, pois eles precisam de métodos cada vez mais brutais para conter a resistência que lhes causa problemas crescentes. A tortura deve continuar, apenas com instruções mais rígidas para que os soldados não tirem fotos nem façam filmes, e assim tudo continue oculto, como era para ser desde o início.

Depois de tudo isso, será que alguém consegue acreditar que a guerra lançada pelos EUA no Iraque é para trazer a liberdade e democracia a este país? Muitos estão dizendo que agora os EUA se revelaram tão cruéis quanto Saddam Hussein. Mas tal comparação não é justa: os norte-americanos são de fato piores. Como Hussein, as forças de ocupação prendem qualquer um sem acusação ou evidências, apenas pela mais remota suspeita, torturam, humilham e executam sumariamente seus prisioneiros - nisso eles são iguais.

Mas pelo menos Saddam Hussein construiu para seu país uma boa infra-estrutura de água, esgoto, eletricidade e comunicações: e a primeira coisa que os EUA fizeram foi destruir tudo isso, e até hoje quase todo o país se encontra privado desses serviços básicos.

A invasão e ocupação do Iraque pelas tropas da coalizão prejudicou e muito a vida de todos os cidadãos iraquianos, mesmo daqueles que tiveram a grande sorte de não terem suas propriedades destruídas e saqueadas e de não serem sumariamente presos ou torturados por seus pretensos libertadores.

Carlo MOIANA Pravda.Ru Campinas - SP Brasil

 
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