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Gostinho em silenciar a esperança

07.03.2006 | Fonte de informações:

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Vou direto ao ponto: me incomodam determinadas críticas a Bono Vox. Não vou defendê-lo, porque o projeto de direitos humanos para todos não será feito por um homem, nem mesmo por um conjunto de homens isolados. Mas há de se atentar para o que está por trás de algumas destas críticas. Citando uma delas, bem contundente, afirma-se que “no fundo subsiste esse sestro na cabeça de Bono Vox: quer ganhar o prêmio Nobel da Paz. Nada mais”. Ou coisas como “Lugar de roqueiro é na garagem, não no palanque”.

A insensatez alastrada pela mídia global, capitaneada pelas TVs e rádios de alcance planetário, não faz menor ninguém que esteja genuinamente intencionado a lutar para garantir que todos os seres humanos “sejam livres para falar e para crer, libertos do terror e da miséria”, conforme Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em cada show, em cada aparição, os irlandeses do U2 trazem à memória que podemos, sim, acreditar e lutar a favor da vida e contra a miséria. As iniciativas, coletivas e baseadas na coexistência humana e no respeito ao meio ambiente, são realizadas por pessoas (únicas, cada uma delas) e estão baseadas no simbólico, que é o que nos move diariamente.

Não vou ‘chutar’, achar, especular. Não sei porque atacam figuras públicas sem conhecer suas ações, suas práticas, sem conhecer sua contribuição (simbólica ou não-simbólica), com base apenas na construção que os meios de comunicação fazem delas. Não vou nem comentar sobre as ações objetivas de Bono, não sou advogado dele, mas quem não as conhece devia se informar. Os ataques, portanto, me parecem um ataque à esperança. Porque o que se consegue passar é isso. Esperança.

Serve ao sistema que digam “demagogo”. A ideologia neoliberal adora “desmascarar”, com sua visão própria e arrogante, aqueles que procuram incentivar o diálogo (tal como faz Bono, que exibe em seus shows a carta da ONU de 1948). Isso aparece como um discurso “de esquerda”, confuso, maniqueísta e rancoroso. Isso me vem à cabeça pelo simples fato de o grande “crime” do irlandês ser seu sucesso e dinheiro – que ninguém seja ingênuo -, e não sua ação e intenção.

Não é este meu parâmetro. Aprecio as contradições, que nos são inerentes, mas não entendo como será possível alcançar nossos objetivos humanistas cultivando o rancor e a desesperança.

------------------------------------------ Gustavo Barreto é estudante de Comunicação Social no Rio de Janeiro. (www.consciencia.net)

 
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