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O segundo "advento" de Bush satisfaz a Rússia

04.11.2004 | Fonte de informações:

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A notícia da eleição para o segundo mandato presidencial de George Bush despertou uma reacção moderada de aprovação por parte da população russa e uma óbvia satisfação por parte da elite e altos funcionários do Governo. O cidadão comum russo encara Bush como um velho conhecido. De acordo com as sondagens levadas a efeito na Rússia, nome Bush é conhecido praticamente por todos na Rússia, começando nas pessoas idosas e acabando nos estudantes da escola, enquanto Kerry é apenas conhecido por um terço da população.

Prova-o a opinião revelada na terça-feira por um transeunte num dos programa de rádio de Moscovo. "Sobre Kerry não sabemos nada. O seu nome não nos diz nada, só ouvimos falar dele em vésperas das eleições. Quanto a Bush, do ponto de vista russo ele é um bom presidente. Sabemos o que faz e como faz. Trata os terroristas com rigor. Claro que no seu governo houve vítimas no Iraque, mas isto não é uma guerra propriamente dita".

Não são palavras que um funcionário altamente colocado fosse proferir, mas em abono da verdade há que constatar que o aspecto um pouco simplório de Bush agrada ao cidadão russo comum, face a uma certa refinação de Kerry. Bush para a população em geral e habitantes rurais em particular é tido "como um dos seus". Os russos estão satisfeitos por ele ter regressado à Casa Branca, uma vez que é visto como um presidente mais compreensível em comparação com o seu rival democrata. Claro que há quem tenha outra opinião. Fiodor Lukiantsev, conceituado politólogo de Moscovo, comenta-o da seguinte maneira: "Há entre os russos pessoas para quem George Bush é um cowboy que não liga à opinião de outros e faz o que lhe apetece". No seu dizer, a taxa de ânimos anti-americanos na Rússia, tal como na Europa, tem aumentado nos últimos dois anos, podendo a eleição de Bush para o segundo mandato impulsionar esta tendência.

O que mais agrada em Bush à população russa e aos seus dirigentes é que ele não os ensina como viver.

Pelo contrário, Kerry fá-lo com todo o fervor. O ar de conhecedor com que Kerry se imiscui sem escrúpulos na política interna russa, provocou entre os russos grande irritação. Vejam este guru do além mar! Defensor dos direitos alheios! A derrota de Kerry é tida por esta camada da população como uma prova de justiça.

Um ambiente de profunda satisfação reina no Kremlin e nos outros gabinetes governamentais. Lembrando as palavras de Vladimir Putin, os terroristas internacionais não conseguiram vencer as forças da coligação anti-terrorista, nem fazer fracassar a eleição do actual presidente americano para o segundo mandato. Isto quer dizer que a magia das boas relações pessoais entre Putin e Bush está garantida para os próximos 4 anos. Os dois presidentes obtiveram a oportunidade de finalizar os seus segundos mandatos numa situação favorável, marcada pelas relações de parceria estratégica entre os dois países.

Moscovo encara o futuro próximo antes de tudo em termos pragmáticos. Agora Putin já poderá não se preocupar com as tentativas de Bush de limitar ou impedir as suas acções dentro da Rússia e no espaço pós-soviético. As relações entre os dois países não irão depender das avaliações norte-americanas dos métodos praticados por Putin para o desenvolvimento da democracia, o que com certeza faria Kerry se vencesse as eleições.

A segunda Administração de Bush não só dará luz verde, mas ainda impulsionará a concretização do sonho preferido da Rússia de aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC). Com Kerry na Casa Branca esta perspectiva seria pouca clara. O líder dos democratas conta com o apoio da Associação Cinematográfica de Hollywood, um lobby poderoso, que defende de forma implacável os direitos de propriedade intelectual. Este apoio deve ser pago. Seria lógico presumir que se Kerry tivesse ganho, a posição dos EUA em relação à entrada da Rússia na OMC seria muito mais dura. Como se sabe, os vídeos, cassetes e outros produtos contrafeitos que enchem o mercado russo é a principal pretensão feita a Moscovo por parte dos membros da OMC.

É pouco provável que a vitória de Bush venha alterar significativamente as relações económicas entre os EUA e a Rússia. O valor das trocas comerciais entre os dois países, avaliado em 11 mil milhões de dólares, é demasiado pequeno para reagir prontamente aos ziguezagues da alta política, mesmo quando esta leva à mudança do inquilino da Casa Branca.

Mesmo assim, algumas prioridades económicas dos republicanos não podem deixar de alegrar Moscovo. Trata-se do tradicional interesse do partido conservador pelo sector petrolífero. Neste contexto o segundo "advento" de Bush dá novas esperanças ao mundo empresarial da Rússia de receber investimentos americanos para a construção de empresas de gás liquefeito e o início de uma obra grandiosa - o oleoduto de Murmansk. Todos estes projectos têm o mesmo objectivo - satisfazer a fome energética da América.

Moscovo tem ainda mais um motivo de satisfação. É pouco provável que no governo de Bush os preços do petróleo venham a cair. Ao que parece, a política inquieta e enérgica do Presidente republicano no Médio Oriente, a sua luta contra o terrorismo pelo mundo fora, deverá vir a manter o mercado mundial de petróleo num estado de stress permanente. Os países produtores de petróleo, incluídos pelos EUA no "eixo do mal", irão manter a mão na válvula para a fechar face aos primeiras sintomas de ameaça por parte dos EUA. Sendo assim, o orçamento russo poderá contar com um fluxo estável de petrodólares.

Resumindo, há que constatar que o Presidente George Bush satisfaz mais a Rússia porque ela já o conhece.

Vladimir Simonov observador político RIA "Novosti"

 
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