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EUA : Ajudem-nos!

04.09.2003 | Fonte de informações:

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Por outras palavras, os Estados Unidos da América, na sua frenética determinação de travar uma guerra contra a vontade da humanidade e contra os apelos e avisos do resto da comunidade internacional (excepto por uma minoria de sicofantas que venderiam as suas avós se pensassem que trouxesse ganhos materiais), criou uma situação de caos no Iraque, da qual não sabe sair sozinho.

Não quis ouvir o Conselho de Segurança, não quis obedecer a lei internacional, não quis respeitar a Carta da ONU que assinou.

Quis invadir a qualquer custo e a qualquer preço, tinha o Dom da palavra, tinha a monopolia da razão. Saddam Hussein tinha Armas de Destruição em Massa e estava preparado para as empregar contra os EUA e seus aliados. Causus belli para consumo fácil, para palerma perceber.

Depois de Deus ter dado a sua mensagem ao George Bush, este se lançou numa cruzada para libertar o povo iraquiano. Nos primeiros dias as câmeras de televisão mostraram cenas de cada vez mais perplexos jornalistas ocidentais a entrevistarem cidadãos iraquianos menos do que satisfeitos que o seu país tinha sido invadido, não libertado.

Procederam a um verdadeiro massacre da população civil. Enquanto Rumsfeld e o regime de Bush reclamam que essa foi a guerra menos sangrenta e com mais sucesso de ataques com armas de precisão na história, os factos falam por si: 10,000 civis mortos, chacinados nas suas casas e mais 16,000 mutilados. Armas de precisão.

Procederam à destruição total e compreensiva dos sistemas de abastecimento de água e electricidade, num ataque tão selvagem que nem agora a maioria da população tem acesso a estes bens de consumo básicos. Pergunta-se: mesmo que essa guerra fosse legal, a água é um alvo militar?

Agora descobrem que a guerra de Saddam é a paz. E está a ganhar. De facto, não houve guerra no Iraque porque o exército iraquiano não lutou. Agora descobrem que as coisas não decorreram como diziam: iriam descobrir a ADM, o povo levantar-se-ia a receber os libertadores com braços abertos, e dentro de pouco tempo instalar-se-ia um governozinho bem comportadinho que vendesse os recursos naturais do país aos norte-americanos.

O tiro saiu pela culatra. Nem há base legal para esta guerra e por isso os responsáveis são criminosos de guerra perante a lei internacional, fazendo de Bush um dos piores assassinos na história recente (e é esse um homem de Deus ou consorte do Demónio?), nem a ADM, nem o povo iraquiano está satisfeito.

Agora descobrem que o contribuinte norte-americano (e sem dúvida dos seus aliados) terão de contribuir com nada menos que 70,000,000,000 USD (setenta bilhões de dólares) e isso só no primeiro ano, para fazer cobrança às despesas de manutenção do exército de ocupação no Iraque. Infelizmente, o Congresso descobre agora que não tem dinheiro para manter essa força de 150,000 tropas.

Não há dinheiro, nem espírito, porque a história recente demonstra que esse exército norte-americano não é um exército verdadeiro: só entra em acção em situações cristalinas e varridas de perigo, depois, por exemplo, duma campanha massiva de bombardeamento aéreo de 30,000 pés de altura que chacina soldados, civis, velhos, jovens, bebés, animais, até a vegetação, antes de entrarem os “boys”.

Mas no Iraque estão a receber baixas, 67 desde que as “hostilidades” terminaram no dia 1 de Maio. Isso não se chama ganhar. Do ponto de vista norte-americana é perder a paz, do ponto de vista de Saddam Hussein, é perder a guerra.

Muito simplesmente, os Estados Unidos da América cometeu um tamanho erro e agora se vê aflito, querendo que outras nações que eram contra essa violação flagrante da lei internacional mandem os seus rapazes para o Inferno que foi criado por esse regime bárbaro e assassino em Washington.

Por quê razão devem os outros países participar numa paz podre, deixando os norte-americanos fugir pela porta grande enquanto põe os seus aliados a entrar pela porta de trás? O justo seria os EUA reconhecer o erro, o seu governo a demitir-se e entregar a questão do Iraque à ONU sem quaisquer condicionalismos ou pedidos para que os americanos devam gerir a força militar.

Conforme a questão estava a ser resolvida – e bem – pela ONU antes de ser tão abruptamente interrompida, deveria ser essa organização a recomeçar a tarefa da resolução desta crise, sem a interferência dos EUA. Depois devem ser os povos iraquiano e americano a escolher os seus líderes, nem que sejam outra vez Bush e Saddam, altamente duvidoso em qualquer dos casos.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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