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Bush e mentiras e video-tapes

03.07.2003 | Fonte de informações:

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A primeira noção de que algo sinistro estava a acontecer foi quando a equipe liderada por George W. Bush surpreendeu o mundo por “ganhar” uma eleição contra os democratas com menos de metade dos votos, implicando sérias questões sobre a legalidade do processo, especialmente na Flórida. Um processo estranho...

Pouco depois, houve o 11 de Setembro, o Pearl Harbour do século 21 em todos os significados da expressão, ainda por cima com aquele desastre de avião no Pentágono. Um processo estranho...

Depois houve a guerra contra o Afeganistão, na crista da onda. Com a opinião mundial ainda a braços com o que aconteceu no 11 de setembro e com as emoções na flor da pele, os analistas ainda não tinham tido o tempo necessário para digerir os fatos e quase ninguém se importou que os Talebã levassem uma tareia das antigas.

Foi a abordagem simplista, um compêndio fraco de história moderna para monos...e a maioria caiu como patinhos. O Afeganistão é um excelente exemplo de como a ingestão cega nos assuntos internos dum estado, e uma sede de vingança, em vez duma política equilibrada e baseada na diplomacia, pode causar uma catástrofe.

Afeganistão, antigamente o feudo dos Talebã, cuja política de impor os costumes Pashtune e as leis fundamentalistas isolou o governo quase por completo, é agora o feudo dos barões das drogas (outra vez). Nem se pode dizer que os Talebã desapareceram: uns milhares foram torturados até a morte praticamente sob o olhar dos seus novos amigos ocidentais (que criaram os Talebã) e outros milhares estão detidos ilegalmente e torturados num campo de concentração norte-americano em Cuba mas mesmo assim, uns 35,000 Talebã derreteram-se e fundiram-se com as montanhas, juntamente com o seu armamento.

Afeganistão é uma zona de catástrofe. A autoridade de Hamid Karzai limita-se à capital, Kabul. Há relatórios quase diários de ataques sobre as tropas estrangeiras e mais, o cultivo de heroina atinge proporções recorde. Quantias jamais vistas desta droga, que tem graves consequências sociais, estão a atravessar as fronteiras da Ásia Central para chegar às cidades russas.

O pretexto para esta cruzada era Osama Bin Laden – ou foi? Em 1988, Mullah Mohammad Omar declarou numa entrevista ao diário Paquistanês, Dawn, que sabia que os americanos iriam atacar o Afeganistão porque ele recusara umas luvas de bilhões de USD para consentir que uma firma norte-americana construísse um gasoduto através do seu território...três anos antes do 11 de Setembro.

O pretexto para o ataque contra o Iraque foi que Saddam Hussein tinha Armas de Destruição em Massa, que poderiam ser utilizadas contra os EUA, o Reino Unido ou contra os seus aliados 45 minutos depois da ordem ser transmitida. Quando a equipa da UNMOVIC não conseguiu encontrar nada e quando a AIEA declarou que o “programa activa nuclear” não existia, o Pentágono declarou que os EUA sabiam que o governo do Iraque tinha ADM e que sabiam onde estavam.

Depois de dois meses no Iraque, então, onde estão? Ai, desculpem, o Iraque é um país grande, pois é! Ou talvez, de acordo com Colin Powell, as ADM estão a ser conduzidas em círculos no deserto, “em veículos” – sistemas completos com ogivas e rampas para o lançamento de mísseis e tudo? Ou talvez, de acordo com Rumsfeld, as ADM foram destruídas pelos iraquianos antes do ataque. Então onde estava o causus belli?

Ou talvez, o regime de Bush estava a mentir. Mentir à ONU, mentir aos seus parceiros na comunidade internacional, mentir à Federação Russa, mentir à suas instituições, mentir ao seu povo. Mentir entre os dentes, mentir descaradamente, porque sabia que o Saddam Hussein não tinha ADM e que não era uma ameaça séria nem aos EUA, nem ao Reino Unido, nem a ninguém.

Paul Wolfowitz admitiu que a teoria de ADM foi a única em que todos poderiam concordar, um tipo de justificação burocrática para uma guerra que tinha sido planeada há muito tempo, antes mesmo da “eleição” de Bush. Como no Afeganistão, houve um motivo ulterior para o ataque, nomeadamente o petróleo e a posição invejável estratégica do Iraque.

Este ataque foi mais do que uma violação monumental da lei internacional – foi uma violação da integridade da raça humana, uma violação das normas de decência e uma violação do tecido de confiança que os seres humanos devem ter para com seus governantes.

Este ataque foi uma cilada, foi uma encenação desde o início. Um bom exemplo foi o heróico salvamento da Jéssica Lynch. Entraram os Marines, com as metralhadoras a cuspir balas, os tropas a berrarem a lançarem granadas...contra nada, contra ninguém, pois os soldados iraquianos tinham deixado o local horas antes (tinha havido um acordo entre os militares norte-americanos e iraquianos para que não houvessem combates). Quando chegaram na enfermaria, a Jéssica estava a conversar calmamente com os seus médicos...iraquianos.

Nas palavras de Rumsfeld: “Nós pensámos – e continuamos a pensar – que os iraquianos têm – tinham – armas bioquímicas e que tinham um programa para desenvolver armas nucleares – mas não tinham essas armas”.

Diga lá outra vez, senhor secretário?

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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