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Condoleeza Rice não gosta da noção dum mundo multipolar

02.07.2003 | Fonte de informações:

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Parece que os membros do regime de Bush têm uma competição interna para ver qual deles consegue dizer a frase mais absurda, como se estivessem presos numa peça de Ionescu. Nos últimos meses, Rumsfeld acrescentou os seus disparates às imbecilidades de Bush mas a Condoleeza Rice não fica muito atrás.

“A multipolaridade é uma teoria de rivalidade, de interesses em competição e no pior das hipóteses, de valores em conflito”, disse a Conselheira de Segurança Nacional recentemente em Londres, no Instituto Internacional para Estudos Estratégicos. Porquê será que os membros do regime de Bush são totalmente incapazes de entrar num processo de diálogo ou de responder adequadamente a diferenças de opinião? Como é que a multipolaridade significa conflito de interesses? Só na mente de alguém (ou de algum grupo) conflituoso.

Os princípios fundamentais da democracia, os quais os EUA bradaram aos céus ad nauseam durante a época da guerra fria, são o debate, a discussão e o diálogo, apoiados na gestão de crises pela diplomacia. Esse preceito é aceite por praticamente todas as nações na terra excepto, ao que parece, aquele núcleo de países que apoiaram incondicionalmente a acção dos Estados Unidos da América no Iraque. Incluído nesses princípios fundamentais é a liberdade de afirmar e defender uma posição e depois discutir as diferenças de forma aberta e civilizada num foro de debate.

Afirmar que a multipolaridade é rivalidade é a mesma coisa que afirmar “Se não estiver connosco, é contra nós”, um argumento da mesma linha que aquela da pata Esmeralda, isso é, filosofia para lorpas (Esmeralda é uma pata, todos os patos sabem voar e por isso, Esmeralda pode voar).

Afirmar que a multipolaridade pode levar a um conflito de valores e depois definir essa situação como ameaça, é uma admissão pela própria Condoleeza Rice que é inteiramente incapaz de compreender correntes de opinião alternativas, linhas de pensamento diferentes, diversas maneiras de ser. Se Condoleeza Rice considera que a diferença é uma ameaça, seria boa ideia consultar o dicionário de história e procurar na secção H os nomes Hitler e Himmler, a ver até onde a sua intolerância pode ir.

Depois de ter chegada à conclusão que a multipolaridade cria rivalidade (em vez de discussão de ideias e apresentação de alternativas), a Conselheira de Segurança Nacional de Bush vai mais longe, afirmando que “A teoria da rivalidade (que só ela defende) é uma ameaça à resolução de problemas graves”.

Quais serão esses problemas tão graves? Será quando um país decide apoderar-se duma região estratégica e dos consideráveis recursos duma nação soberana, inventando mentiras para servir de pretexto legal pela invasão? Será quando um país usa chantagem nos bastidores do mais alto foro de lei internacional, que é o Conselho de Segurança da ONU? Será quando as forças militares desse país chacina civis não em dezenas nem centenas, mas milhares, num acto ilegal? Será essa acção suficientemente grave para servir de exemplo?

De facto, a multipolaridade não conseguiu resolver esse problema grave, porque não há uma União Soviética para dar um murro na mesa e dizer basta!

Mas cabe agora à opinião pública e aos líderes dessa opinião para continuarmos a luta e dizermos colectivamente...basta! Porque Rice é produto da escola de pensamento que fabricou espécimens como Bush e Cheney e Rumsfeld e Wolfowitz e Perle e Fleischer, os bate-bíblias acirrados por uma dose letal de veneno administrado pelo lobby judeu, uma colecção de indivíduos mais desequilibrada que alguma vez foi vista em qualquer governo em qualquer lugar na terra nos últimos 60 anos.

Diferenças de opinião, como diferenças de raça, de cor, de crença, só podem alargar as bases para providenciar uma troca mutua e positiva de valores e um processo de enriquecimento cultural. O facto que a Condoleeza Rice entende que diferenças de opinião são negativas, perigosas, ameaças, diz tudo acerca da sua capacidade de estar no seu lugar.

Não é uma questão de ser estúpida demais para o cargo...antes é uma questão de ser suficientemente desequilibrada, preconceituosa, arrogante, prepotente e demagógica para se enquadrar perfeitamente no pano de fundo que serve de base para a comédia trágica do regime de Bush.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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