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RESISTÊNCIA

29.04.2004 | Fonte de informações:

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Havia um tempo em que a nação mais poderosa do mundo era somente Treze Colônias, uma porção de terras que acompanhava a costa Atlântica, dos Grandes Lagos à foz do Mississipi. A política colonialista inglesa não era aplicada de maneira igual para as colônias da América do Norte, onde ao norte existia um modelo de colônia de povoamento, com pequenas propriedades e trabalho livre, exercido pelo proprietário da terra e sua família. Nas colônias do sul existia um modelo de colônia de exploração, baseado no trabalho escravo negro, no latifúndio e na monocultura, basicamente do algodão e tabaco.

Absurdas restrições mercantilistas impostas pela Inglaterra às suas colônias norte-americanas, e a influência das idéias iluministas foram as principais causas da Guerra de Independência dos Estados Unidos, iniciada em 1775. O latifundiário George Washington foi o comandante das forças norte-americanas, e Thomas Jefferson redigiu a Declaração de Independência, aprovada em 04 de julho de 1776, e que continha a Declaração dos Direitos do Homem: “as Colônias unidas são, e devem ser por direito, Estados livres e independentes, isentas de toda e qualquer obediência à Coroa Britânica”.

A vitória de George Washington em Yorktown, em 1781 é decisiva. Nascia então o primeiro país livre do continente, os Estados Unidos da América, republicano e federalista, com 13 Estados-membros, oficialmente em 1776, embora a Inglaterra só tenha reconhecido a independência sete anos mais tarde, em 1783, quando assina o Tratado de Versailles, onde são fixados os limites do novo país, inserido entre os Grandes Lagos, o Mississipi e o Atlântico. A Constituição entra em vigor em 1788 e George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos, inicia seu mandato em 1789.

A Flórida ainda era espanhola, e os franceses não faziam muita primazia nas fronteiras do norte. Mais da metade do território atual ianque ainda não tinha sido roubado do México: Texas, Arizona, Califórnia e Novo México. Ainda não haviam comprado o Oregon da Inglaterra, nem o Alaska da Rússia, e os marines ainda não tinham invadido e abatido a monarquia do Hawaii. Porém, os interesses da águia americana já eram bastante claros: “a expansão do Império”.

O processo de expansão dos Estados Unidos da América começa a partir de 1776, em direção às terras localizadas a oeste do país. A vasta região da Louisiana é comprada da França, porém nesse território viviam centenas de tribos indígenas. As experiências com armas biológicas começaram naquele período, na ocupação do velho oeste americano, onde foram dizimados milhares de índios e colonos espanhóis, em eficientes operações de limpeza étnica, a começar com a temível varíola, contaminada em roupas e lençóis, que eram distribuídos entre estas comunidades, sem contar o chumbo grosso dos winchesters dos ianques. Os indígenas sobreviventes foram confinados em pequenas reservas, impróprias ao seu modo de vida, e aqueles que impuseram qualquer resistência foram sumariamente executados.

Em 1811, aproveitando a presença das tropas napoleônicas na Espanha, o congresso norte-americano vota uma resolução declarando a intenção de ocupar a colônia espanhola da Flórida. O texto é bastante claro quanto a nascente vocação intervencionista norte-americana: "os Estados Unidos, nas circunstâncias especiais da crise atual, vêem com grande inquietação que uma parte dos territórios espanhóis possa passar para as mãos de uma potência estrangeira. A sua própria segurança obriga-nos a proceder à ocupação temporária destes territórios, que permanecerão nas nossas mãos com vistas a futuras negociações." Finalmente em 1818, tropas norte-americanas, comandadas pelo general Jackson, ocupam a tão desejada península da Flórida, e com a nova estratégica “aquisição”, os Estados Unidos passam a exercer o monopólio sobre a navegação comercial do rio Mississipi.

O embaixador espanhol na Flórida, Luis de Onis, em 1812 advertia o governo espanhol para as ambições norte-americanas: "o governo dos Estados Unidos propôs-se em fixar as suas fronteiras a partir da embocadura do rio Bravo em linha reta até o Pacífico, incluindo as províncias do Texas, Nuevo Santander, Coahuila e uma parte de Nueva Viscaya e Sonora. Isso pode parecer delirante, mas o projeto existe e eles até fizeram um mapa que inclui Cuba como parte integrante desta República." Cuba a partir de então seria uma obsessão permanente dos Estados Unidos, que fariam de tudo para obtê-la.

O presidente Monroe, para garantir as ações expansionistas dos Estados Unidos, sem a interferência européia, inicia uma política isolacionista, declarando que, “nas guerras entre as potências européias e nos assuntos da sua competência, os Estados Unidos nunca tomaram partido. Nossa política com a Europa, adotada no início das guerras que a agitaram recentemente, permanece inalterável: não interferir nos seus assuntos internos e considerar os governos de fato como legítimos." A “doutrina Monroe" era bastante clara: "a América é para os norte-americanos", e os Estados Unidos passariam a atuar no cenário internacional, substituindo na América Latina o papel hegemônico desempenhado até então pelos ingleses.

Até aonde chega a arrogância dos ianques: o ex-presidente Jefferson responde da seguinte forma ao presidente Monroe, que o consultava sobre a atitude dos Estados Unidos adquirirem algumas províncias hispano-americanas: “Confesso sinceramente que sempre fui de opinião que Cuba seria a aquisição mais interessante que poderíamos fazer para juntar ao conjunto dos nossos Estados. O domínio desta ilha e da Flórida nos daria o controle do Golfo do México e dos países do istmo. A Flórida seria invadida em 1818, mas a aquisição da ilha de Cuba, que Thomas Jefferson tentou comprar da Espanha em 1803, seria um pouco mais difícil.

Já são quase 200 anos da declaração de Jefferson, e muitos esforços para conquistar Cuba foram realizados, como invasões, bombardeios, assassinatos e tentativas de assassinatos, bloqueio econômico e inúmeros tipos de sabotagens, como a introdução de vírus e bactérias nocivas contra a população civil, contra a agricultura e a pecuária da Ilha. Os prejuízos muitas vezes foram irreparáveis, mas Cuba tem resistido, principalmente nestes últimos 45 anos de governo revolucionário.

Um artigo do New York Sun, de 1847, afirmava que Cuba não era só "o jardim do mundo" mas também “a chave do Golfo". Uma associação secreta de latifundiários racistas do sul dos Estados Unidos, organizada em 1854, e denominada “Knights of the Golden Circle”, ou Cavaleiros do Círculo Dourado, considerava Cuba apenas uma peça no sonho da construção de um imenso império caribenho, que compreenderia, além dos estados sulistas dos Estados Unidos, um vastíssimo território, com a anexação de mais da metade do México, de todas as ilhas do Caribe, de todos os países da América Central, da Venezuela e Colômbia. O novo mapa dos Estados Unidos seria desenhado por grandes latifúndios escravagistas, dedicado basicamente à produção do tabaco, açúcar e café.

Mentes doentias e etnocêntricas redigiam, em 1840, o “Destino Manifesto”, no qual justificavam o expansionismo norte-americano, como uma missão civilizadora, que portaria a liberdade e da democracia no resto da América, conquistariam vastos territórios e dominariam todo o Novo Mundo. A partir de então, toda a América Latina passaria a sofrer constantes intervenções militares ianques. Os Estados Unidos, grande potência industrial e imperialista, com uma poderosa Marinha de Guerra e uma indústria bélica sem limites, apresentavam para todos os países do continente americano uma grande ameaça. Todos os países latino-americanos, sem exceção, sofreriam algum tipo de intervenção norte-americana nas próximas décadas, através de invasões militares, bombardeamentos, atentados terroristas, assassinatos de líderes populares, bloqueios econômicos, sabotagens, roubos, pilhagens e crimes ecológicos.

Os genocidas ianques escreveram uma história suja de sangue, onde morreram milhões de pessoas inocentes, na tentativa impor os seus interesses à qualquer custo. Para tanto, criou-se uma indústria da guerra, incluindo a produção de armas nucleares, químicas e biológicas, que muitas vezes foram testadas em inteiras populações civis. O forte aparato militar e econômico dos Estados Unidos permitem a este país, até hoje, a hegemonia de controlar os destinos de outros países, financiando guerras, golpes, elegendo e sustentando ditadores assassinos. Já no final do século XIX, indignado com tanto intervencionismo por parte dos Estados Unidos no mundo inteiro, Mark Twain escreveria: "Pintem-se de negro as listras brancas e acrescentem-se as tíbias e a caveira onde estão colocadas as estrelas."

Entre 1776 e 1865, os Estados Unidos passariam de 13 para 26 Estados membros, e já haviam anexado, através de uma sangrenta guerra, 40% do México. Em maio de 1870, o presidente Ulysses Grant apresenta ao Senado norte-americano, projeto para a compra de San Domingos e a anexação de Cuba, considerados pontos estratégicos para o controle norte-americano do Caribe. A guerra hispano-americana, travada entre 1898 e 1902, é uma grande oportunidade para que as tropas norte-americanas invadam Cuba, em “apoio” à independência do país caribenho. A explosão acidental do couraçado ianque Maine, em Havana, foi o pretexto que o presidente MacKinley encontrou para acusar a Espanha e entrar na guerra. A frota espanhola é aniquilada em Santiago de Cuba, e os marines finalmente desembarcam na ilha tão desejada.

Como contra-partida pelo “apoio” dado aos revolucionários cubanos, os ianques impuseram à Cuba, durante os primeiros quatro anos de independência, um governo militar norte-americano, comandado pelo general Leonard Wood, que cria na Ilha a base militar de Guantánamo, que serviria mais tarde de campo de concentração ianque, e onde ainda hoje são aprisionados suspeitos políticos de todo o mundo.

A “Emenda Platt”, aprovada pelo Senado norte-americano, e absurdamente incorporada na Constituição cubana, garantia aos Estados Unidos a ocupação de Cuba, uma tutela econômica e militar por parte dos Estados Unidos, dentre outras imposições constrangedoras, violando a soberania e independência cubana. O artigo 1 desta vergonhosa emenda impunha que "o Governo de Cuba não assinaria qualquer acordo que permitisse a uma potência estrangeira obter, para fins navais ou militares, uma parte da ilha." No artigo 3, "o Governo de Cuba aceitava que os Estados Unidos pudessem exercer o direito de intervir para preservar a independência cubana e a manutenção de um governo adequado à proteção da vida e da propriedade". O artigo 6 “dava o direito aos Estados Unidos de instalarem bases militares no território cubano”.

O general Wood se referiria da seguinte forma à Emenda Platt: "Com o controle que temos sobre Cuba, que sem dúvida logo se transformará em possessão, em breve controlaremos todo o comércio de açúcar no mundo. Creio que a aquisição de Cuba é muito desejável para os Estados Unidos. A ilha se norte-americanizará gradualmente e, a seu devido tempo, contaremos com uma das mais ricas e cobiçadas possessões que há no planeta".

Com base na “Emenda Platt”, os marines desembarcariam inúmeras vezes em Cuba, sendo uma delas durante as eleições democráticas de 1906. A intervenção militar, comandada pelo general Charles Magoon, durou três longos anos, até 1909. Em 1912 Cuba sofre outra intervenção militar, cujo objetivo era o de proteger os interesses ianques em Havana, principalmente a eficiente rede de corrupção.

Em 1917, os marines desembarcariam em Cuba, ocupariam toda a Ilha, e o país finalmente tornaria-se um protetorado econômico dos Estados Unidos da América, e os cidadãos cubanos seriam privados de qualquer tipo de liberdade, até 1933, quando o governo de Washington, pressionado por alguns países, durante a VII Conferência dos Estados Americanos, realizada em Montevidéu, foi obrigado a enunciar uma política de boa vizinhança, permitindo algumas pequenas alterações na Constituição cubana. Muitos investimentos norte-americanos ainda seriam realizados na Ilha, principalmente em plantações de cana-de-açúcar, importante para a economia ianque.

De qualquer forma, os Estados Unidos haveriam sempre o controle de Cuba, apoiando governos ditatoriais, até a Revolução liderada por Fidel Castro, que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, que era apoiada pelos ianques. A Revolução Cubana triunfaria no primeiro dia do ano de 1959, com a tomada da capital Havana pelos rebeldes. Cuba então passaria a ser um pesadelo para os próximos dez presidentes dos Estados Unidos e 20 diretores da CIA. A Revolução recebe apoio da União Soviética e de intelectuais do mundo inteiro, e inicia um processo de reforma agrária e urbana, um eficiente programa de saúde, alfabetização em massa, e estatização da economia cubana, com a abertura de novas frentes de trabalho. Muito do que havia sido roubado pelos capitalistas ianques, passaria a ser novamente do povo cubano.

Desde o momento do triunfo da Revolução, quando o povo cubano destruía as bases do regime neocolonial que os Estados Unidos mantinha na Ilha, os ianques impuseram diversas sanções econômicas a Cuba, com o objetivo declarado de provocar “a fome, o desespero e a derrubada do governo revolucionário”, segundo uma declaração oficial do Departamento de Estado Norte-americano, de 06 de abril de 1960.

Entre 1959 e 1960, centenas de bombardeamentos são realizados sobre Cuba, na tentativa de desestabilizar o novo governo revolucionário. Em 17 de abril de 1961, o presidente John Kennedy apoia a invasão de Cuba, com o desembarque de milicianos cubanos anticastristas, os chamados “gusanos”, vindos da Flórida direto para a Playa Girón, na Baía dos Porcos, mas a invasão, orquestrada pela CIA (Central Intelligence Agency) fracassa, graças à união do povo cubano, que sempre apoiaria Fidel Castro.

Em 1962, a marinha dos Estados Unidos isola Cuba durante a “crise dos mísseis”, e inicia um bloqueio econômico sobre a Ilha, que dura até hoje. Agentes da CIA tentariam à exaustão assassinar o presidente Fidel Castro, mas não teriam o mesmo sucesso que tiveram contra outros líderes populares, como Sandino, Arbenz, Salvador Allende, Amilcar Cabral, Patrice Lumumba, Lettelier, Pratts, Mossadegh, Martin Luther King, Torrijos, Samora Machel, entre tantos.

Outras intervenções dos Estados Unidos sobre Cuba tornariam mais difícil a situação econômica da Ilha, como a Lei Torricelli, imposta em 1992, que até hoje prevê brutais sanções econômicas contra os países que mantenham qualquer tipo de relação com a Ilha. Segundo a Lei, é proibido atracar em portos norte-americanos, qualquer embarcação, independentemente de sua nacionalidade ou bandeira, que tenha atracado em algum porto cubano nos últimos seis meses. Condenada pela comunidade internacional, a Lei Torricelli viola as mais elementares normas de liberdade de comércio e navegação do Direito Internacional, e procura desencorajar as relações comerciais de outros países com Cuba. Esta Lei cortou abruptamente o comércio de medicamentos e alimentos que Cuba mantinha com subsidiárias de companhias estadunidenses sediadas fora do território norte-americano.

Além do bloqueio econômico, comercial e financeiro contra a Ilha, os ianques realizaram diversas ações de terrorismo e agressões com armas biológicas contra Cuba. Cientistas japoneses que trabalhavam na Unidade 731, na Mandchúria ocupada pelo Japão, na produção de armas biológicas para extermínio em massa, são anistiados pelo governo dos Estados Unidos logo após a explosão das duas bombas atômicas e a rendição do Japão. Este grupo de cientistas passaria a trabalhar para o governo dos Estados Unidos em 1946, num amplo programa de guerra biológica, montando uma gigantesca estrutura em Camp David, em Maryland.

Do laboratório de Camp David serão produzidas uma grande variedade de armas biológicas, como o Bacillus anthracis (bactéria do Carbúnculo), Vibrio cholerae (bactéria do Cólera), Yersinia pestis (bactéria da Peste), Clostridium botulinum (toxina Botulínica), Neisseria meningitidis (bactéria da Meningite) e diversas toxinas de fungos, como a Aflatoxina (Aspergillus) e o Tricotecanos. Muitas destas armas, que foram bastante usadas pelos Estados Unidos na Coréia, Laos e Vietnam, também seriam usadas em Cuba. Desta forma, os Estados Unidos seriam acusados pela Organizaçao Mundial pelos Direitos Humanos, de produção e utilização de armas radioativas, químicas e biológicas em vários países no mundo, inclusive em Cuba.

Em 1972 os Estados Unidos introduzem em Cuba o vírus de Peste Suína, o que comprometeu toda a produção de carne de porco cubana, base da alimentação. Entre 1979 e 1981, os ianques introduzem destrutivas pragas que afetaram milhares de camponeses e a agricultura, base da economia do pais: a Conjuntivitis Hemorrágica, a Dengue Hemorrágica e o Mofo Azul do tabaco (Bothrytis cynerea).

Em 1979, o jornal Washington Post informa que a CIA tinha um programa contra a agricultura cubana e que desde 1962, especialistas do Pentágono fabricaram e utilizaram agentes biológicos para estes fins. Em 1984, perante um jurado norte-americano, Eduardo Arosena, líder do grupo terrorista Omega 7, sustentado pelo governo dos Estados Unidos, reconheceu que participou de uma operação terrorista para introduzir germes em Cuba, como parte da guerra biológica dos Estados Unidos contra a Ilha.

A página mais horrível desta história de terrorismo contra Cuba foi a introdução da Dengue Hemorrágica. Entre 01 de junho e 10 de outubro de 1981, se notificaram 344.203 casos de dengue em Cuba, sendo que mais de 30 mil eram hemorrágicos. Na primeira semana do ataque terrorista, morreriam 158 pessoas, entre elas 101 crianças. Os Estados Unidos, além de produzir o vírus e introduzi-lo na população cubana, se negou a vender para Cuba o produto químico para eliminar o agente transmissor, o mosquito Aedes aegypti, mas o produto foi adquirido no Japão. A Thrips palmi, solta por um avião da força aérea norte-americana sobre plantações de tabaco, também causaria em Cuba, um inestimável dano à cultura do tabaco e à economia cubana.

Ainda insatisfeitos por não terem conseguido o colapso do sistema econômico e político de Cuba, é adotada em 1996 a Lei Helms-Burton, que conferiu status de lei a todas as proibições do bloqueio e tentou impedir o investimento estrangeiro em Cuba, ao mesmo tempo em que institucionalizou a subversão, financiada e dirigida pelo Governo dos Estados Unidos, como método para quebrar o espírito independentista do povo cubano.

Contra os projetos de anexação de Cuba pelos Estados Unidos, que dura mais de 200 anos, ainda vale a voz do intelectual cubano José Martí, pronunciada em 21 de março de 1889: "Nenhum cubano digno pode querer ver o seu país anexado por outro. Aqueles que fizeram a guerra e que estiveram exilados, aqueles que constroem com seu suor uma pátria, os engenheiros, professores, jornalistas, advogados e poetas, não desejam a anexação de Cuba pelos Estados Unidos, e desconfiam dos elementos funestos que, tal como vermes no sangue, iniciaram a sua obra de destruição".

O processo de expansão territorial dos Estados Unidos sempre foi apoiado militarmente e juridicamente pelo Estado, encontrando respaldo na sociedade norte-americana, que acredita cegamente que o “progresso” deve ser imposto, se necessário, por meio da força, aos povos mais “atrasados”. As guerras na Coréia, Laos, Vietnam, Iugoslávia, Afeganistão, Somália e Iraque são alguns exemplos de tanta imposição, racismo, xenofobia, carnificina e todo tipo de crimes contra a humanidade, através da utilização de armas químicas, biológicas e radioativas, em operações de limpeza étnica e extermínio de populações civis.

Mesmo com o final da Guerra Fria, e do “perigo comunista”, as ações criminosas sobre Cuba continuam. Os Estados Unidos da América, nos últimos 45 anos, não fizeram mais que aprofundar e ampliar o complexo sistema de leis e medidas que constituem o bloqueio estabelecido por este governo contra o povo de Cuba. 60% da população cubana nasceram e viveram sob o criminoso sistema de sanções imposto pelos Estados Unidos, que foi acompanhado também de agressões militares, guerra biológica, transmissões ilegais de rádio e televisão, atividades terroristas, planos de atentados contra seus principais dirigentes, estímulo à emigração ilegal e outros atos hostis promovidos, financiados, apoiados ou permitidos por várias administrações norte-americanas. De acordo com o disposto no inciso (c) do artigo II da Convenção de Genebra, para a Prevenção e a Sanção do Delito de Genocídio, de 09 de dezembro de 1948, o bloqueio imposto a Cuba pelo governo dos Estados Unidos da América constitui um ato de genocídio e, portanto, um delito de Direito Internacional. A política genocida dos Estados Unidos contra Cuba já causou mais de 72 bilhões de dólares de prejuízos.

Apesar das ações terroristas dos Estados Unidos, Cuba continua sendo um exemplo para o Mundo de sociedade avançada. Nesta isolada Ilha do Caribe não há desemprego, e os salários variam minimamente de acordo com o grau de formação e qualificação profissional. Em Cuba não existe racismo e nenhum tipo de discriminação, e também não há proibição à liberdade de culto religioso. O Estado assegura à população o mínimo para a subsistência, educação, segurança, transporte, alimentação a custo baixíssimo e gratuidade nos atendimentos médico e na compra de medicamentos. A agricultura cubana é orgânica, ou seja, não utiliza agrotóxicos e outros componentes químicos, nem organismos geneticamente modificados, que contaminam o ambiente, os alimentos e comprometem a saúde da população. A medicina cubana é uma das mais avançadas do mundo, com pesquisas avançadas em farmacologia, e a relação médico/habitante em Cuba é a maior do mundo (um médico para cada 400 habitantes). Existem médicos e professores cubanos trabalhando em mais de 40 países do Terceiro Mundo, e outros milhares de cubanos em missões científicas, artísticas, comerciais e diplomáticas, pelo mundo afora, em projetos geralmente bancados pelo governo cubano. As escolas cubanas são modernas, das instalações ao sistema educacional, que é gratuito e modelo para todo o Mundo. Transporte, educação, saúde pública completa e boa, segurança, direito à casa própria, ao lazer, e aos bens de consumo, são conquistas que o povo cubano já incorporou à cultura e ao patrimônio jurídico. Apesar das dificuldades, Cuba apresenta índices sociais superiores aos das nações mais ricas do mundo. Segundo a ONU, a esperança de vida em Cuba é de 76,5 anos, uma das maiores do Mundo, enquanto que mortalidade infantil é uma das mais baixas do Mundo (7 para cada 1.000 nascidos). Cuba também é a nação mais alfabetizada do continente americano, com 96,8% de adultos alfabetizados. A história de Cuba é a história de uma resistência permanente, e resistirá aos tentáculos dos Estados Unidos da América, ou melhor, às "entranhas do monstro”, como dizia José Marti.

Fábio Rossano Dário Pisa – Itália

 
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