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A importância das energias alternativas

28.06.2005 | Fonte de informações:

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Deverão, brevemente, ser construídas na Rússia duas centrais eléctricas sem precedentes para aproveitamento da energia das marés. A primeira central eléctrica maremotriz (CEM) russa foi posta em funcionamento em 1968, no golfo de Kislaia Guba, no mar Branco. A central, uma estrutura de betão armado com 36 metros de comprimento, 18,3 m de largura e 15,35 m de altura foi construída numa doca perto da cidade de Murmansk e depois rebocada para o golfo de Kislaia Guba, a 100 quilómetros da cidade. A central recebeu a Medalha de Ouro da EXPO Internacional do Japão, passando o método de construção a ser conhecido como "método russo". É usado, actualmente, na construção de plataformas marítimas para a extracção de petróleo.

O funcionamento da central eléctrica de Kislogubskaia foi suspenso em meados de 90 devido a dificuldades financeiras, decorrentes da sua modernização. Recentemente, foi novamente posta em funcionamento, após uma interrupção de quase dez anos.

O know-how da central aperfeiçoada é uma turbina ortogonal, sem análogos noutros países. A ideia principal é a seguinte. O rotor da turbina gira sempre no mesmo sentido, independentemente da direcção da corrente de força. O equipamento deste género tem sido aplicado, desde há muito, na produção de energia eólica. Contudo, o primeiro equipamento a funcionar na água foi desenvolvido no Instituto de Pesquisas Científicas de Equipamento para Centrais e construído na empresa "Sevmach" conhecida pelos seus submarinos nucleares. O rotor ortogonal permite que as palhetas da turbina não se virem quando o corrente de força muda de direcção, fazendo diminuir assim as despesas da central em 30%.

A capacidade da central maremotriz no golfo de Kislaia Guba é de 400 kW, atingindo a altura das marés cinco metros. A central é considerada experimental, porém, projectos de três centrais deste tipo para fins industriais estão em vias de desenvolvimento, uma no mar Branco e duas no mar de Okhotsk. O primeiro gerador semi-industrial, com uma capacidade de 10 MW, deverá entrar em funcionamento na central de Mezenskaia, podendo a capacidade total da central atingir os 20 mil MW.

No golfo de Penzhinskaia Guba (mar de Okhotsk), onde a altura das marés chega a 17 metros, a potência da central poderá constituir de 20 a 90 mil MW. Em geral, a Rússia dispõe de recursos para a produção de energia maremotriz equivalentes ao total da energia produzida actualmente no país. Centrais deste tipo situadas no golfo de Kola e no litoral do mar de Okhotsk poderão produzir, segundo as estimativas, 100 GW de energia, enquanto 2 MW são suficientes para fornecer luz eléctrica e aquecimento numa povoação acima do círculo polar.

O protocolo de Kyoto, que visa a redução das emissões para a atmosfera de substâncias nocivas entrou, recentemente, em vigor. De acordo com o documento, uma parte das fontes renováveis de energia nos países da União Europeia deverá, até 2010, atingir 10% na produção total de energia. O lançamento da central de Kislogubskaia que não emite, naturalmente, gás carbónico para a atmosfera, pode ser qualificado como a contribuição do sector energético russo para a solução dos problemas ecológicos comuns.

O primeiro parque eólico no país está a ser construído na Região de Kaliningrado, a energia geotérmica é vastamente utilizada na península da Kamtchatka, estando em vias de construção um campo experimental para o aproveitamento da energia hídrica na Região de Yaroslavl. Para além disso, no Parlamento está a ser elaborado um projecto da lei sobre as fontes renováveis de energia. -0-

Yuri Zaitsev perito do Instituto de Pesquisas Espaciais para RIAN

 
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