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Reforma do ensino exige a participação de todos

24.12.2004 | Fonte de informações:

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Este tema esteve no centro das atenções na reunião do Governo e na audições parlamentares realizadas a 9 de Dezembro passado, durante as quais foi de novo corrigida a reforma do ensino, iniciada em 2000.

A história da Rússia conhece já 30 reformas na área de ensino. A 31.ª leva em consideração a opinião de cada agente envolvido no processo lectivo: estudantes, pais, professores, autoridades regionais, cientistas, empresários e associações profissionais. Para a Rússia esta reforma é uma causa de honra, no dizer do primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Fradkov, para além de ser uma tarefa prioritária. O ensino dever ser mais acessível, qualificado, moderno e aliciante em termos de investimento.

"A recusa do financiamento por parte do Estado está absolutamente excluída", assinalou o ministro de Educação e Ciência, Andrei Fursenko. Actualmente regista-se um aumento de vagas gratuitas nos estabelecimentos de ensino. "De acordo com as previsões, deve haver 170 estudantes por cada 10 mil habitantes, mas na realidade temos 204 estudantes no ensino público por cada 10 mil habitantes", adiantou o ministro. Os peritos advogam um maior aproveitamento dos créditos educacionais. Vários institutos já aceitam esta experiência, incluindo o principal estabelecimento de ensino do país, a Universidade de Estado de Moscovo Lomonossov (MGU).

Os estabelecimentos de ensino superior terão que alterar os seus programas, passando dos cursos tradicionais de 5 anos, para o ensino de dois níveis: o bacharelato de 3-4 anos e o magistrado de 1-2 anos. Para muitas universidades com programas lectivos exigentes isto não será tarefa fácil. Outro pormenor importante é que os empregadores não querem aceitar os bacharéis, considerando-os semipreparados.

Neste contexto os principais estabelecimentos de ensino superior do país não aprovam o sistema de ensino de dois níveis. "Não vale a pena copiar mecanicamente o sistema ocidental. Actuando assim corremos o risco de baixar o nosso nível", considera o reitor da Universidade de Moscovo, Viktor Sadovnitchi. Efectivamente, é impossível formar bons médicos, químicos, físicos, matemáticos, engenheiros, biólogos em 4 anos. As ciências naturais, que proporcionam à Rússia (e ao mundo em função da "fuga de cérebros") bons especialistas, defenderam a sua posição e continuarão com os cursos de 5 anos.

Segundo tudo indica, é inevitável a reforma global dos programas. O Ministério da Educação levou em consideração as observações dos próprios alunos, seus pais, professores, psicólogos e de médicos reduzindo o número de disciplinas obrigatórias. A sobrecarga actual dos alunos equivale a 30 por cento. Os cursos pre-escolares desde os 5-6 anos de idade e o ensino especializado, humanitário e de ciências naturais nos últimos anos da escola secundária também ajudarão a optimizar o programa. Em termos ideais um tal finalista poderá facilmente passar sem os cursos preparatórios dos institutos.

A poupança de meios é óbvia. Os exames nacionais (EN) - em forma de testes escritos de escolha múltipla -, que funcionam simultaneamente como exames finais da escola secundária e exames de admissão à escola superior, também devem economizar os orçamentos das famílias e ampliar o acesso ao ensino superior na capital para os jovens talentosos da província. Os EN são realizados no local de residência, enviando-se os resultados do mesmo por correio para vários estabelecimentos de ensino do país. No ano que vem esta prática tornar-se-á realidade em 80 regiões da Rússia. Outra vantagem deste sistema é a sua transparência e imparcialidade da avaliação, já que esta está a cargo de uma comissão independente. Há que constatar no entanto que nem todos os conhecimentos podem ser provados desta maneira, correndo os EN o risco de se tornar num leito de Procrustes, onde não cabe nem o dom de pensar, nem o talento. Em Moscovo, por exemplo, esta experiência fracassou. Somam-se a isso os pedidos insistentes dos reitores de muitos institutos, alunos e seus pais de continuar a existir uma alternativa: os EN e os exames tradicionais orais. Para os estudantes já admitidos através dos resultados dos EN serão definidas individualmente as obrigações financeiras do Estado. Quem tiver melhores resultados nos EN, Estado contribuirá com maior financiamento.

O melhoramento da qualidade de todos os tipos de ensino e a modernização do seu conteúdo é outro aspecto da reforma. "Actualmente ganham força estabelecimentos de pseudoensino, quando os estudantes em vez de estudarem simplesmente conversam", lamenta o reitor da Escola Superior da Economia, Yuroslav Kuzminov. "Temos que organizar cursos suplementares para reensinar os novos especialistas", adiantou. Não se pode esperar um outro resultado quando no metro e na rua há pessoas que exibem anúncios de "Venda de Diplomas". O sistema de ensino quase não tem nenhuns laços com o mercado de trabalho. Actualmente na Rússia regista-se um excesso de juristas e de economistas de baixa qualidade e a falta de quadros de profissionais em vários outros sectores.

Mas dentro em breve será iniciada a formação de especialistas sob a encomenda do Estado e dos empresários. Actualmente está a ser elaborada a respectiva base jurídica. Seria bom se fossem ao mesmo tempo feitas correcções nos programa dos estabelecimentos de ensino superior. Quem sabe, talvez seja assim já em 2008.

Olga Sobolevskaia observadora RIA "Novosti"

 
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