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Reforma da educação

22.02.2005 | Fonte de informações:

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As ideias de mudar radicalmente o actual sistema de educação já não se fazem ouvir. Foi decidido agir com algum cuidado na questão da tão necessária modernização, ou seja, manter tudo o que de bom tem o sistema, embora mudando alguns aspectos. O que importa é que nas 63.400 escolas do país tudo seja moderno, prático e funcional.

De acordo com muitos peritos, a implementação da reforma permitirá aumentar a competitividade do sistema nacional de educação, competitividade que, segundo eles, tem vindo acentuadamente a diminuir. Como mostraram os estudos comparativos PISA e TIMSS sobre a qualidade da educação, o ensino básico e secundário russo proporciona a 17,1 milhões de alunos uma significativa bagagem de conhecimentos (os programas até estão um pouco sobrecarregados) mas de qualquer maneira não forma as competências de extrapolar os conhecimentos para outras situações que não são as didácticas, de relacionar a resolução dos problemas com a prática e a experiência pessoal.

É claro que deve ser tido em conta que os estudantes russos foram testados através de um método que para eles não é habitual e que uma parte deles poderia estar desmoralizada. Um tal sistema "mecânico" de verificação de conhecimentos como são os testes ainda provoca perplexidade e medo em muitos alunos. Também pode ser posta em causa a objectividade do método. Mas, mesmo assim, não seria correcto não levar em conta os resultados desta avaliação.

Ela mostra que para os alunos as disciplinas escolares existem de forma abstracta, não se relacionando entre si nem com a realidade prática. Ou seja, os conhecimentos existem mas acabam por ser um peso morto.

No teste PISA, no qual participaram alunos de 15 anos de 41 países do mundo, havia capítulos de matemática, leitura e ciências naturais. No geral, os alunos russos mostraram resultados abaixo da média - 25º-30º lugar. Baixou o nível de leitura e compreensão de textos. Os conhecimentos de ciências naturais são médios, embora a Rússia costume liderar nesta área. Em resumo, segundo os resultados da avaliação, a Rússia ficou nos lugares inferiores da lista, atrás de todos os países escandinavos e dos países da Ásia-Pacífico.

Surge então uma pergunta: que exemplo nos poderão dar os países vencedores, qual a razão do seu êxito? Os países escandinavos sacrificam a educação fundamental aos conhecimentos aplicados. Pelo contrário, os países da Ásia do Pacífico estão mais orientados para a investigação científica, o que faz com que os seus jovens se adaptem melhor à economia de inovação.

Não seria correcto absolutizar um ou outro sistema de educação. Um dos autores da reforma, Iaroslav Kuzmin, reitor da Escola Superior de Economia, acredita que é necessário "dar o maior número possível de recursos às escolas", formar grupos de profissionais que elaborem os novos parâmetros pedagógicos e programas de nova geração tendo em conta a experiência do país. Depois, não abdicando da experiência nacional, corrigir as insuficiências e desenvolver os pontos fortes.

Mas surge uma questão: um dos pontos fortes da educação russa sempre foi o seu carácter fundamental. Ao mesmo tempo, a reforma prevê uma determinada redução dos programas lectivos. Como conservar então as tradições fundamentais no ensino?

A resposta é a seguinte: de forma selectiva. No ensino secundário será introduzido o ensino por áreas (humanitária, matemática, económica, científica, informática, etc.). Tal significa que de forma aprofundada só serão ensinadas as disciplinas de determinada área, que deverão ser objecto de exame na altura da entrada na Universidade. Uma parte das disciplinas pode ser facultativa, devendo tornar-se pagas.

No entanto, as crianças com boas capacidades mas de famílias com fraco nível económico poderão ter um menor acesso à educação. Este mesmo acesso, cujo alargamento é considerado uma das tarefas prioritárias da reforma. Já hoje se contam cerca de 16 mil crianças que não frequentaram nem o ensino primário nem o ensino obrigatório.

Um dos aspectos fortes da educação russa tem sido o facto de ser gratuita. É também verdade que os anos difíceis da década de 90, quando se verificou uma redução radical do financiamento da educação, contribuíram para que o sistema tivesse deixado de facto de ser gratuito. Por isso, "dar o maior número possível de recursos às escolas" à custa dos pais não seria justo. Para mais, em 2008 está planeado aumentar a escolaridade de 10 para 12 anos, o que fará aumentar os gastos das famílias.

O ensino básico e secundário deverá ensinar os alunos a resolver os problemas práticos do dia-a-dia, desenvolver as suas capacidades de pensar de forma criadora. Tal significa que não deve ser dada excessiva importância ao sistema ocidental de testes, que é bastante limitado e nem sempre reflecte o total de conhecimentos. Ao mesmo tempo, até os novos exames nacionais recentemente introduzidos, que funcionam simultaneamente como exames finais do secundário e exames de acesso ao ensino superior e que em 2006 deverão ser obrigatórios em todo o país, são construídos em forma de teste.

Como levar em conta todos estes aspectos? É necessário um compromisso entre o velho e o novo. É de louvar que o Ministério da Educação e Ciência compreenda a necessidade de levar em conta a opinião da sociedade na implementação da reforma. O ministério tem sido um parceiro da sociedade, o que nos incute esperança no êxito das mudanças.

Olga Sobolevskaia comentarista RIA "Novosti"

 
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