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Bryan Orquiza

17.05.2004 | Fonte de informações:

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Observa-se que começou centralizando a figura, esquecendo o resto, mesmo que fosse uma figura toda paramentada, muito mais sofisticada que um desenho infantil. Procurava deixar espaços livres, produzindo uma composição menos poluída visualmente.

A fase anterior à atual, de três anos atrás, já mostra um artista maduro, seguro, misturando o cubismo a outros estilos, ainda valorizando a forma, mas apresentando então um movimento sensual, espacial, livre, solto e sempre muito colorido. E agora dominando a tinta acrílica. O menino ficou para trás. Aparece o artista, um criador, sofisticado criando um mundo complexamente preenchido de figuras, objetos reais e imaginários. Nessa fase precisa de mais espaço que na infância, quando só queria mostrar um menino brincando. O cubismo se mistura ao surrealismo.

Bryan está mostrando aos 18 anos que consegue, com perfeição apreender traços e formas, estilos e espírito, clima e movimento de obras de arte criadas por outros artistas. Quase sugere que tem memória fotográfica. Mas, essa sensibilidade para a arte visual sem o talento criativo nada valeria. Na hora de expressar, devolver o que viu, colocar para fora, usa seu próprio eu, sua personalidade de jovem, de brasileiro, de latino e usa seu talento de colorista, sua firmeza de traço e sua técnica no uso da tinta.

E, embora obcecado por Picasso e seu cubismo, o que aparece na tela pronta não é exatamente uma obra cubista, mas uma pintura primitiva onde todas as cores se misturam sem medo, agressivas, puras, violentas, explosivas. As linhas são geométricas, mas nota-se que ele sabe dar movimento às formas, e mais. As formas se entrosam perfeitamente. E o espaço aumenta.

O mundo dele é rico, alegre mesmo quando as figuras são trágicas ou míticas, porque no conjunto o que mais se percebe é a cor. E essa, ou essa enorme variedade, é viva, exuberante, bizarra, lendária.

A pintura de Bryan mostra que, por um lado, impõe à sua criação artística, limites rígidos à forma, usando a linha reta na criação das figuras, quando as retalha em mil pedaços para recompô-las, de acordo com a técnica cubista, recriando a forma de maneira facetada para mostrar um por um seus detalhes e modificar o efeito, do visual, conservando totalmente a personalidade de figuras e objetos. Esta primeira etapa da pintura é pensada, planejada para ficarem enquadradas dentro do espaço. Por outro, concede a si próprio inteira liberdade para brincar com as cores que dão a impressão de aparecer sem nenhuma intelectualização. Usa e abusa de seus tons, como se brincasse com eles. Mistura com a segurança de quem acerta sempre, sem precisar antes pensá-los.

O espaço para ele é precioso e nunca suficiente. Cores e formas cobrem tudo como se o mundo fosse pequeno para conter o que ele quer expressar. Os elementos disputam cada centímetro da tela, resultando numa pintura agressiva, nunca repousante. Mas ainda assim, não se pode dizer que seu mundo pictórico seja um caos, pelo contrário, é absolutamente organizado com um lugar para cada coisa.

A arte de Bryan é introspectiva. Seu mundo visual tem base em imagens já criadas, que são processadas e recriadas à sua maneira. Do mundo à sua volta ele retira cores, clima e uma espiritualidade forte, carismática, com profundas origens culturais.

Ele oscila entre a vocação de interpretar uma obra, que o aprisiona a ela e a liberdade de escolher essa forma de expressão ao invés de procurar inspiração em temas pouco explorados. Talvez seja nessa maneira de criar um exercício de paciência, de domínio da técnica da pintura e na distribuição das cores.

É curioso notar que, sua pintura pode despertar sensações bem opostas, como a releitura de um estilo moderno e intelectual como o cubismo e o surrealismo e também as pesadas, primitivas espiritualizadas e coloridas imagens das civilizações da América Latina, sobretudo das mais desenvolvidas como Azteca, Maia.

Na escultura, sobretudo em cerâmica, ele dá azas ao domínio do movimento, mesmo conservando as características do estilo cubista. Usando a cerâmica, fica inteiramente livre para formar figuras que faria na tela, com tinta. O volume e o estilo dão força a essas esculturas que de diferente da pintura tem apenas a falta de cor, conservando as mesmas formas.

O envolvimento deste jovem artista com a atividade artística é total. Buscou alguma ajuda técnica com professores-artista que não interferiram no seu trabalho. Na criação de uma obra, passa horas absorvido pela solução dos problemas resultantes da sua proposta, extraindo dessa atividade uma satisfação espiritual. Sua obra ainda não foi comercializada, assim, pouco da visão de fora interfere no seu trabalho por enquanto.

Resta saber se, futuramente ele descobrirá outro caminho, ou se continuará no mesmo. As fases anteriores mostram que parece não buscar mudanças. Elas chegam naturalmente, à medida que amadurece e que descobre novos materiais, técnicas, etc.

Nery Baptista, Curitiba, maio de 2004

 
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