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Novo vaivém russo apresentado na Expo de Nagoe

17.03.2005 | Fonte de informações:

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O salão russo é uma prova convincente de que as altas tecnologias determinam actualmente o poderio económico do país. No centro do salão está exposta uma maqueta em dimensões naturais do vaivém espacial russo Klipper.

"Inicialmente a estreia do Klipper estava planeada para o Salão Aeroespacial de Le Bourguet em Junho, mas depois mudámos de opinião, resolvendo apresentá-lo na EXPO-2005", confessou-nos o comissário-geral do salão russo, Vladimir Strachko.

Moscovo esforça-se por mostrar a sua nova conquista tecnológica, visto que esta significa que dentro em breve a Rússia irá ser a segunda maior potência espacial a contar com um sistema orbital de transporte de uso múltiplo de nova geração.

De acordo com o dirigente da Agência Espacial Russa, Anatoli Perminov, o destino do Klipper, que pode ser usado tanto para voos à Estação Espacial Internacional (EEI) como para voos à Lua e a Marte, está já decidido em termos gerais. A nova nave, concebida e fabricada pela corporação Aeroespacial Energuia, é muito confortável. Sempre estivemos preocupados pelo facto de as naves espaciais modernas reservarem pouco espaço para os cosmonautas. Quando eu me sentei no interior de uma nave espacial no Centro de Formação de Cosmonautas, logo entendi como são duras as condições em que se encontram os tripulantes", explicou Anatoli Perminov.

No Klipper o módulo onde se encontram tripulantes possui poltronas confortáveis para seis pessoas, tal como num avião de luxo. A nova nave é capaz de aterrar em aeródromos com pistas de aterragem de primeira classe, tal como um avião. É a primeira diferença radical em comparação com o Space Shuttle americano. Para além disso, o vaivém russo promete vir a ser muito mais barato.

É muito possível que tenha sido precisamente o problema dos voos dos vaivéns americanos, elo-chave do programa da Estação Espacial Internacional, que obrigou a parte russa a forçar a apresentação do seu vaivém.

O primeiro voo do shuttle após da catástrofe do Columbia no céu do Texas a 1 de Fevereiro de 2003 está planeado para meados de Maio ou início de Junho. Este muito esperado acontecimento foi precedido por uma meticulosa análise técnico-científica da situação, de trabalhos de modernização da frota de vaivéns e de conversações e consultas por vezes bastante acesas entre os EUA e a Rússia, que tiveram por objectivo manter a EEI em funcionamento, uma vez que as despesas caíram inteiramente sobre a parte russa. Não obstante as múltiplas promessas por parte da NASA que em qualquer caso ela iria continuar a construção da estação em conjunto com a parte russa com o fim de finalizar as obras até 2010, continuava a existir a impressão de que as prioridades americanas mudaram radicalmente a favor dos voos tripulados prolongados, o que reduz em muito a sua participação no programa da EEI. Prova-o a decisão da NASA de se limitar apenas a 28 voos dos vaivéns até 2010. Sendo assim, a apresentação do Klipper antes do reinício da exploração do Space Shuttle é uma prova clara da intenção da Rússia de continuar a exploração da EEI independentemente da participação da parte americana.

Ao que parece, a apresentação do Klipper em Nagoe virá a ser mais um argumento a favor do programa da EEI mesmo para o director indigitado da NASA, Michael Griffin, que deve ser empossado em breve neste cargo pelo Senado dos EUA. No ano passado Michael Griffin chefiava o grupo de cientistas americanos que elaboraram as recomendação relacionadas com a nova iniciativa espacial do Presidente George Bush, que prevê o regresso dos astronautas americanos à Lua e os preparativos para um voo a Marte. Bush sempre foi partidário ardente do estudo do espaço com ajuda de voos tripulados.

No entanto, não se deve esquecer que por enquanto o único programa de voos tripulados no mundo continua a ser a EEI. Há que constatar que tanto a Agência Espacial Russa como a NASA estão de acordo que os voos espaciais prolongados são impossíveis sem a simulação de todas as suas etapas em órbita circunterrestre, hoje só possíveis graças à EEI.

Resumindo, pode-se dizer que a apresentação do novo vaivém russo na EXPO-2005 abre uma nova página na história da cosmonáutica tripulada.

Andrei Kisliakov observador político RIA "Novosti"

 
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