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Quantos mortos os saharauis têm que dar para que a comunidade internacional atue?

29.01.2015 | Fonte de informações:

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Na segunda-feira dia 26 de Janeiro, faleceu o preso saharaui Abdul Baqi Aliyen Antahah, após 5 dias de torturas brutais  a que foi sujeito pelos guardas da prisão negra de El Aaiun. 

Abdul Baqi, tinha  22 anos e cumpria uma pena de ano e meio, da qual apenas tinha cumprido um mês. Durante esse mês reclamou diversas vezes contra as condições subhumanas da prisão e as humilhações diárias que sofrem os presos saharauis, as suas revindicações foram a causa pela qual foi colocado numa cela de isolamento onde foi selvaticamente torturado.

Um dos presos saharaui detido na prisão negra de El Aaiun disse a Adala UK: "o corpo de Abdul Baqui tinha marcas horríveis das torturas a que foi sujeito e ao contrário da versão oficial das autoridades marroquinas Abdul não esteve envolvido em qualquer briga com outros presos, nem cometeu suicídio - Abdul Baqi estava inconsciente desde sexta-feira e não recebeu qualquer tipo de assistência médica, o que levou a sua morte."

Como Adala UK tem vindo a denunciar em várias ocasiões e no seu relatório de 2014, as mortes de presos por negligencia médica grave e torturas brutais são frequentes nas prisões marroquinas.

Os prisioneiros saharauis sejam de delito comum, sejam presos políticos, são as vítimas preferidas dos guardas que os humilham, mal tratam e torturam a seu bel prazer. As condições das prisões marroquinas são subhumanas sendo a prisão negra de El Aaiún particularmente horrenda, sem condições de higiene mínima, com uma alimentação que consiste de um caldo aguado ao meio dia e chá com um pouco de pão ao pequeno almoço, as celas são exíguas chegando a ter mais de 70 presos em espaços de 5x6m. Nas celas não há nem ventilação, nem iluminação adequada. As doenças infecto contagiosas são frequentes, assim como doenças dermáticas devido à infestação de piolhos e outros insectos.

Chegam-nos os relatos dos habitantes e dos activistas de direitos humanos que El Aaiun é uma cidade sitiada desde segunda-feira à noite, milhares de policias, militares e agentes à paisana, patrulham as ruas, os cafés, cada esquina, cada metro quadrado. Isto deve-se não só à morte de Abdul Baqi, mas também ao facto de estar a decorrer a Copa das Nações Africanas. A população saharaui apoia a equipa argelina que na terça-feira dia 27 ganhou ao Senegal.

Relembramos que as autoridades marroquinas reprimem selvaticamente quaisquer manifestações de apoio à equipa de futebol argelina, e que na Copa do Mundo 2014 a repressão brutal das autoridades resultou em vários feriados, como foi documentado por Adala UK, não poupando as crianças entre as quais um menino de 4 anos. O jornalista saharaui Mahmoud El Haisan que fez uma reportagem destes ataques das autoridades marroquinas contra a população civil saharaui foi sequestrado, torturado e está neste momento detido na prisão negra de El Aaiun condenado a 18 meses de prisão.

Adala UK apela à comunidade internacional que acione os mecanismos necessários para que seja investigada a morte de Abdul Baqi por uma equipa  internacional  e espera que o Conselho de Segurança das Nações Unidas na próxima reunião de Abril decida finalmente implementar a realização do referendo sucessivamente adiada há 24 anos.

Londres, 28 de Janeiro de 2014

AdalaUK, Justice & Human Rights for Western Sahara

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