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As polícias não são da extrema-direita

28.11.2019 | Fonte de informações:

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As polícias não são da extrema-direita

* Há meses um líder neo-nazi português alegava ter 600 seguidores, na última manifestação que convocou apareceram só 4 ou 5 e decidiu retirar-se da política activa. Afinal esses 600 são polícias, segundo parece. [não sei se notaram que coloquei o * liberal que significa ironia antes da frase anterior].

Flávio Gonçalves, Pravda.ru

Milhares de polícias saíram à rua, as fotografias que o jornal "Público" captou da manifestação são avassaladoras. Será um erro crasso se à esquerda acharmos que é "coisa da extrema-direita" só porque um político oportunista lá decidiu aparecer. A dignificação daqueles a quem o Estado atribuiu a tarefa de nos proteger a todos não é "coisa da extrema-direita", assim só os empurramos para lá. São os protestos injustos? Não, não são. Esse é o cerne da questão.

O populismo não se combate, é impossível, o que se combatem são as causas do populismo (ordenados baixos, injustiças flagrantes, leis absurdas e que não fazem sentido, julgamentos na praça pública, sentimento de insegurança e abandono por parte da esmagadora maioria do eleitorado, sensação de caos nos serviços públicos, etc.).

O que há a explicar aos sindicatos de polícia no que toca ao Chega e André Ventura, é simples: vão ler o programa que se encontra para consulta no portal oficial do partido. Quer proibir o tempo de dedicação dos dirigentes sindicais, proibindo na prática o cargo de delegado sindical, e liberalizar o despedimento sem justa causa. Tudo isto comporta uma proibição prática do sindicalismo,  como alerta Raquel Varela, e a privatização da Saúde e da Educação são as partes mais nefastas do programa que a extrema-direita em redor de André Ventura encobre com o seu populismo, desviando a atenção da esquerda com as suas provocações racistas (Trump e Bolsonaro utilizam esta receita com sucesso, tal como o Vox).


O problema é que na era actual os jornais sabem que um título sobre um comentário racista, crimes étnicos ou ciganos atrai mais clics e partilhas, seja pelos que concordam quer seja pelos cidadãos e figuras mediáticas que se sentem indignados, do que o milionésimo texto sobre um liberal querer acabar com conquistas de Abril como a Saúde e a Educação. 

 

As pessoas estão demasiado cegas, a única coisa que lhes importa é conseguir pagar as despesas e a hipoteca no fim do mês, obter um crédito para comprar o novo iQualquer coisa e, num assomo de retaliação para com o sistema, votar num qualquer partido de extrema-direita cujo propósito final, enterrado nas páginas do seu programa, nada mais é do que proteger o status quo liberal e capitalista.

 

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Flávio Gonçalves é membro do Conselho Consultivo do Movimento Internacional Lusófono, sócio fundador do Instituto de Altos Estudos em Geopolítica e Ciências Auxiliares, tradutor, revisor, autarca, editor da Libertaria.pt e colaborador dos Pravda.ru, Center for Global Research e Jacobin Brasil, pode segui-lo em twitter.com/flagoncalv e fb.com/flagoncalv

 

Foto: Pedro Neves, Wikicommons. This file is licensed under the Creative Commons Attribution 2.0 Generic license.

 
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