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Miriam Leitão, a tricoteuse tupiniquim

23.09.2009 | Fonte de informações:

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Miriam Leitão, a tricoteuse tupiniquim

Fernando Soares Campos


Míriam Leitão, em sua coluna no Globo Economia, condena a diplomacia brasileira por ter acolhido o presidente deposto por golpe militar em Honduras, Manuel Zelaya. A Leitão global vai de tricotadeira a padre de cadafalso, condena e aparentemente consola o condenado, fazendo-o ver que é merecedor da pena que lhe deve ser aplicada. Desde muito tempo a Leitão sugere um golpe contra o governo Lula.
Vejamos o que diz Leitão numa "nota de repúdio" à diplomacia brasileira. Sempre que ela se refere ao golpe ou a uma possível invasão da Embaixada como alguma coisa "supostamente" errada, segue-se nova frase ou período iniciado pela cunjunção adversativa "mas". É como se a Leitão classificasse o que foi dito anteriormente como alguma coisa sem grande importância. O que vale para ela é o que vem depois do "mas..."
Observe que o texto da Leitão não resiste a uma análise, mesmo que superficial:


“Embaixada do Brasil não pode virar centro político de Zelaya”


Milhares de brasileiros já se refugiaram em embaixadas mundo afora, entretanto raras são as pessoas que retornam ao seu país de origem para enfrentar ferozes gorilas golpistas.


João Goulart, o nosso Jango, mesmo sem se tornar uma ameaça para o governo ditatorial que o depôs, foi assassinado no Uruguai.
Che Guevara escapou da execução sumária dos golpistas da Guatemala porque o embaixador da Argentina naquele país foi buscá-lo na pensão em que se hospedava e lhe ofereceu asilo na Embaixada.


O presidente de um país pequeno e de quase nenhuma expressão no cenário político internacional, como Honduras, precisa de estratégias como essa para chamar a atenção do mundo. Zelaya, como Jango, corre perigo de vida onde estiver.


Duvido que Leitão não esteja torcendo para que os golpistas invadam a Embaixada do Brasil em Honduras, arrastem Zelaya pelas ruas e o executem em praça pública. Assim, Leitão responsabilizará Lula pelas atrocidades dos gorilas. Aliás, ela já começou a culpar o nosso presidente.
Contra os golpistas, a Leitão fala como uma mãe que repreende seus filhinhos por terem torcido o pescoço da professora: “Os dois lados erraram. Crianças são o que são e fazem essas coisas”, foi o que ela deu a entender.


Continue lendo, analise com essa sua própria mente que nunca se acostumará com sacanagem:


“O movimento feito pelo presidente deposto Manuel Zelaya, que está na Embaixada brasileira em Honduras, é perigoso e pode produzir violência no país."


“Pode produzir”, quer dizer, para Leitão, Honduras vive atualmente “uma paz divina”.


"Os dois lados erraram. Conversei com o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia e ele está preocupado."
Ora, e quem não está?! Grande conclusão, a da Leitão!


“Zelaya queria descumprir a Constituição hondurenha, que proíbe segundo mandato e desobedecer a uma ordem da Suprema Corte. Já os golpistas são o que são, golpistas. E golpe é inaceitável."


Golpear não é descumprir a Constituição?! Para Leitão, descumprir a Constituição é fazer plebiscito! Essas crianças! Não façam mais isso, seus levados da breca!


“A OEA (Organização dos Estados Americanos), em reunião de emergência, renovou o apoio a Zelaya. M as a secretária de Estado americano, Hilary Clinton, falou indiretamente que o negociador é o presidente da Costa Rica, Oscar Arias. A Espanha falou que o movimento pode trazer dificuldades.”

Para leitão, a OEA não representa coisa alguma, o que importa é o que a Hilary Clinton falou. Falou, tá falado.
“A solução desse conflito vai acontecer após novas eleições, em dois meses. E só desta forma o impasse será resolvido. Zelaya voltou porque sabe que agora ainda tem poder, m as depois da eleição de um presidente democrático ele perderá força."

Presidente democrático, eleito sob um regime linha-dura que pode fazer o que bem entender com as urnas. Grande Leitão!
“O Brasil tinha que dar abrigo a um líder que bateu a sua porta. M as pelas leis internacionais também a Embaixada brasileira não pode se converter em centro político.”

Leitão dos infernos! Veja bem: uma embaixada é, eminentemente, uma instituição política! Uma representação política. Tivemos caso de exceção a essa função da embaixada. Foi na época da ditadura militar bancada pela burguesia brasileira. A Embaixada do Brasil na França ficou conhecida pelos franceses como “Embaixada 10%”. É que o embaixador estava mais interessado nas relações "mercantis" do que em fazer diplomacia. Assim, ele exigia propinas para intermediar a compra, por exemplo, de aviões. 10% era o mínimo estabelecido. Sacou?


“O Oscar Arias tem prêmio Nobel. É melhor que seja ele do que o Brasil, que não foi escolhido por nenhuma parte."

 
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