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22.09.2009 | Fonte de informações:

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Era muito metido a besta. Tudo queria dar a sua opinião, afinal andava para baixo e para cima com a Moleskine e a Sheaffer, tampa e bico de ouro.

Como? Não conhece o bloco de notas mais famoso do mundo? Picasso, Hemingway, tantos outros grandes usaram a requintada caderneta, onde anotavam suas idéias. Nem vou dizer que você precisa se atualizar. E a Sheaffer, não conhece também? Naturalmente que a Parker 21, nunca ouviu falar. Foi um presente de Getúlio Vargas, quando presidente eleito, na última reunião com o seu ministério, na madrugada de 24 de agosto de 1954.

Situação difícil, muito difícil. Com a cabeça a prêmio, Vargas marcou a reunião. A conclusão foi a mais óbvia. O presidente deveria afastar-se e aguardar os resultados que envolviam seu nome com o atentado ao jornalista Carlos Lacerda, o mais famoso do país, na época. Nele morreu o major da Aeronáutica Rubem Florentino Vaz, que se encontrava com o jornalista.

Instalou-se a República do Galeão, como ficou conhecida. Era o senhor todo poderoso o coronel João Adil Oliveira que afirmou taxativamente que se Getúlio estivesse envolvido, iria pagar o seu crime. Prendeu quem bem quis, bateu, castigou. E as bocas foram-se abrindo. A guarda presidencial, a chamada guarda negra, por ser comandada por um dos mais fies defensores de Getúlio, Gregório Fortunato, o tenente Gregório, foi incriminada. Gregóri o era negro retinto e amigo de infância de Vargas. Um dos participantes, Climério dos Santos, confessou ter sido o autor dos disparos. Deve ter levado muita porrada, mas falou. O fato chegava próximo, muito próximo do presidente. A cada dia que passava, a situação complicava-se muito.

Getúlio convocou a última reunião ministerial por ele presidida. Com o resultado acima descrito, de que era melhor se afastar do poder, naquela madrugada o presidente chamou o seu Ministro da Justiça, Tancredo Neves.

Deu-lhe a caneta Parker 21, de ouro, dizendo “ao amigo certo, das horas incertas.” Pouco depois, no seu quarto, deu um tiro no coração com o seu Schmidt tinta e dois. Encerava-se a controvertida era Vargas.

A caneta Parker 21 hoje é de Aécio Neves, preparado pelo avô Tancredo para ser político de escol. Duas vezes governador de Minas, sem o pecado da falcatrua, com pronunciamento simples, arregimenta partidos fortes, candidaturas por mais que sejam poderosas vão tombar.

Apóia Serra. Depois é ele, mostrando que o aluno não vai desapontar o mestre.

Quem é metido à besta? Os que não acreditam que este fato vai acontecer.

Jorge Cortás Sader Filho

 
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