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A espada ritualística

20.08.2008 | Fonte de informações:

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Definindo a simbologia da espada, leio em trabalho do “Irmão Monte Cristo Si” a exaltação de que a espada, antes de tudo é também característica da virtude, da bravura, do poder, ainda expandindo que o poder tem o duplo sentido, o destruidor e o construtor admitindo que a espada pode manter a paz e a justiça. Platão nos ensina que “o poder é a arma dos fortes (injustiça). A moral é a arma dos fracos (justiça)”

Por que a justiça tem de ser cega e usar uma arma perfuro- cortante?

Dr. Fahed Daher

Definindo a simbologia da espada, leio em trabalho do “Irmão Monte Cristo Si” a exaltação de que a espada, antes de tudo é também característica da virtude, da bravura, do poder, ainda expandindo que o poder tem o duplo sentido, o destruidor e o construtor admitindo que a espada pode manter a paz e a justiça. Platão nos ensina que “o poder é a arma dos fortes (injustiça). A moral é a arma dos fracos (justiça)”

Pois, através dos séculos, a espada sempre foi instrumento de conquistas e guerras e morticínios entre os povos comandados por reis e generais, alguns com interesses de conquistas e enriquecimento, outros com a necessidade de defesa, mas nunca instrumento de diálogo e conciliação. Até quando surgiu a pólvora que passou a dominar pelas armas de fogo a ação guerreira pertencia às espadas, nas lutas corpo a corpo. Com as armas de fogo a baioneta, arma branca adaptada ao cano das espingardas, serviu e em alguns casos ainda serve nos avanços das tropas. A energia atômica covardemente vai se impondo a todos, baionetas, espadas e armas de fogo.

A espada é ação da força, mas não da razão. Ação de imposição e não de condução. O domínio e não a conciliação. O poder e não a fraternidade. O tinir de ferros e não a filosofia.

Diz o nosso articulista que, associada à balança, a espada traz a idéia de justiça.

Realmente a balança simboliza a tomada do peso das partes e cuja tomada de pesos o conceito de justo há de ser feito sem cegueira, mas com a visão clara, analisando o valor do volume e do peso de cada uma das partes, para qualificar e quantificar o equilíbrio. Olhos vendados e ouvidos atentos?

No final da constatação do peso nos pratos, no sentido da justiça, a espada não pode ser o final do julgamento e a sentença, pois, ao final do julgamento a execução nunca deveria se proceder por instrumento de violência, mas pela presença da pena, pena que determina a pena para o injusto e ou o perdão para o justo.

A espada, sim, para a coerção do executor da sentença contra o crime violento. (Nêmesis)

Se buscamos na Bíblia a inspiração para o simbolismo, contrariando a espada, deveremos ter presente as tábuas das leis que Moisés recebeu de Deus no alto do monte.

Na moderna filosofia modificam-se as sentenças da penalidade quando se busca, em civilizações mais responsáveis, desenvolver a escolaridade, a consciência, a responsabilidade, a espiritualidade, fazendo o nivelamento social, eliminando o espírito da soberania imperial e da política indecente dos abusos e dos subornos, buscando que o capitalismo não seja selvagem, mas seja a distribuição das oportunidades.

O articulista, defendendo a simbologia da espada diz que “é também o símbolo da guerra Santa”. Santa não podemos considerar nenhuma das guerras, nem mesmo a das cruzadas, em nome de Cristo , Cristo que jamais usou de alguma arma que pudesse ferir, nem mesmo a arma da palavra violenta e ou depreciativa.

Quando no Getsêmani, um dos seguidores de Jesus cortou a orelha de um dos esbirros do sumo sacerdote judeu, o Mestre não abençoou a espada, mas curou com a benção da sua mão o ferimento do ofendido e repudiou o uso da arma – (Lucas-22:47).

Refere o articulista sobre a espada que ela é” como símbolo do verbo, da palavra e da ação...” Afirmo que o símbolo do verbo, da palavra e da ação deve ser sempre a estrela guia, brilhando nos céus do infinito e se refletindo nas águas da inteligência ora serenas ora em ebulição de sustentar o justo, com os ventos da sabedoria, pois o verbo, a palavra devem ser produtos do conhecimento e da emoção fraternal que se deve à humanidade, como a espiritualidade que Cristo nos entregou. A ação não deve ter por guia a espada, mas a doação dos bens interiores que se guarda pelo aprimoramento da vivência, desde que não seja vivência distorcida da paranóia, da inveja, da necrofilia. Bens interiores para que todos se beneficiem e nada seja exercido pela violência de ferros cortantes ou perfurantes.

Seguindo os versos de Castro Alves no poema “O livro e a América” (1868), não é a espada o símbolo da imposição da razão. O poeta quando recomenda a nossa atitude diante de Deus, não nos diz que deveremos estar com a espada, mas, diz-nos o poeta da mocidade:

“Filhos do século das luzes, // filhos da grande nação, // quando ante Deus vos mostrardes // tereis um livro na mão...”

Governador Rotário 1995/1996 – Distrito 4710

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