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Europa compila listas de "agentes russos"? conheça a East StratCom!

20.02.2017 | Fonte de informações:

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Europa compila listas de "agentes russos"? conheça a East StratCom!

O Conselho Europeu criou um grupo de trabalho específico para travar a nova Guerra Fria contra a Rússia, sabia que em pleno século XXI a União Europeia inclui desde Março de 2015 uma entidade cuja principal tarefa é analisar os textos e livros publicados, as opiniões emitidas e as relações pessoais dos cidadãos europeus para averiguar se serão "pró-russos", publicando duas vezes por semana um relatório com os nomes de habitantes de Estados membros da União Europeia com suspeitas de serem "agentes de propaganda" russa? 

Existe, dá pelo nome de East StratCom (Comunicações Estratégicas para o Leste, em tradução livre) e embora extremamente discreto não é um organismo secreto, uma rápida pesquisa na Internet dar-lhe-á como resultado uma página da União Europeia com perguntas e respostas acerca da ESC bem como a página oficial com as listagens mais recentes de notícias "suspeitas" de simpatia para com o Kremlin, apresentando simultaneamente notícias falsas sobre a União Europeia que, alegam, serão publicadas na Rússia ou emitidas pelas televisões eslavas. 

Ora bem, pese embora o que divulguei no primeiro parágrafo, a página da União Europeia nega que a ESC compile listas de supostos agentes russos ou que esta analise as opiniões dos cidadãos europeus, infelizmente para a versão oficial a deputada Marie Krarup, do Partido Popular dinamarquês, tornou público na semana passada o facto da ESC na prática possuir mesmo uma lista e ser extremamente fácil lá ir parar, especificando o caso de uma jornalista sua conterrânea, Iben Thranholm, que foi colocada na lista graças a um texto de opinião que assinou.

Oficialmente, a ESC foi fundada com o objectivo de contrapor "as campanhas de continua desinformação por parte da Rússia" para evitar que o Kremlin interfira e desestabilize a democracia europeia. Para este propósito emite, duas vezes por semana, um boletim onde reúne o que considera serem as histórias de desinformação pró-russa, tentando fortalecer o sentimento pró-europeu junto dos países da Europa de Leste. Como em 2017 teremos eleições na França, na Alemanha e na Holanda, o Conselho Europeu decidiu canalizar mais recursos para monitorizar as interferências da Rússia, que consideram ser uma ameaça para a Europa. 

Tendo o debate chegado ao Parlamento dinamarquês, a jornalista Iben Thranholm reagiu exigindo saber quais os critérios para ser considerada uma agente russa, pois "o grupo de trabalho não apresentou quaisquer provas de um acordo existente entre o Kremlin e a minha pessoa. E por uma boa razão, pois tal contrato não existe. Trata-se de uma desculpa, pura e simples" para atacar a sua liberdade de opinião.

"As consequências podem ser graves", afirma Thranholm, "ao ser etiquetada de propagandista pró-russa num país no qual o governo alerta constantemente que a Rússia está prestes a atacar, tal significa que eventualmente quaisquer comentários positivos acerca da Rússia sejam vistos como um acto de traição anti-patriótica (...) se o conflito com a Rússia subir de tom, o Estado terá todo o direito de me aprisionar como inimiga do Estado." 

De acordo com uma peça publicada no "Sputnik" a 26 de Janeiro do corrente ano, o ESC conta com "cerca de 10 investigadores que cooperam com uma rede que inclui 400 funcionários: especialistas, jornalistas, funcionários do Estado, associações científicas e centros de análise em mais de 30 países". A 27 de Janeiro, o portal "Terra Brasil" citava que de "acordo com a porta-voz de Relações Exteriores e Política de Segurança da UE, a equipe da força-tarefa East StratCom vai ser ampliada em 2017, quando duas importantes eleições transcorrem na França e na Alemanha."

Isto, caros leitores, no século XXI em plena democracia. Como referimos, na Internet pode visitar a página oficial do East StratCom, actualizada todas as quinta-feiras com as listagens mais recentes, assinar o seu boletim por e-mail e ainda, louvados sejam, colaborar por via de um endereço electrónico que disponibilizam, extrapolamos que sirva para que os cidadãos europeus enviem voluntariamente artigos, notícias e excertos televisivos que considerem como suspeitos de simpatias para com a Rússia: https://euvsdisinfo.eu

Nuno Afonso

 

 
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