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Racismo e perseguição na Europa

19.04.2013 | Fonte de informações:

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Paris (Prensa Latina) Assentados na Europa desde os alvores da alta idade média, ao redor do ano 1400 de nossa era, os ciganos constituem a maior minoria étnica do continente e também a mais perseguida, vítima de preconceitos, discriminação e maltratos.


Sua presença ao longo do tempo é inegável e mostra-se em várias manifestações artísticas, como a música, a pintura e a literatura, mas a percepção da sociedade sobre este grupo humano está permeada por uma série de preconceitos, errôneos a maioria deles.


Influem nisto vários fatores, como as incógnitas sobre sua origem, seu isolamento e sua negativa a aceitar outras normas de vida que não sejam as próprias.


Sabe-se que partiram de algum lugar do norte da Índia, possivelmente fugindo das invasões mongóis e muçulmanas, e depois de 600 anos chegaram ao Bósforo e dali ao sul da Grécia, numa região chamada o "pequeno Egito". Uma das teorias sobre seu nome reforça esta hipótese pois ao chegar a terras da península ibérica foram denominados como "egiptanos", palavra que derivou na atual designação de "gitanos", ainda que entre eles se definem como "roms" segundo seu próprio idioma, o romani.


Sua indocilidade a acatar as autoridades locais, sobretudo as rígidas normas religiosas da época, e o caráter transumante fizeram que lhes começasse a imputar todo tipo de males associados a sua presença, como roubos, mortes, desaparecimento de crianças e até doenças e más colheitas.


De fato, Victor Hugo escandalizou à sociedade francesa do século XIX com seu romance Nossa Senhora de Paris, onde atribui valores morais aos ciganos e responsabiliza, em troca, pela atroz morte da protagonista feminina, Esmeralda, à turva conduta do arquidiácono Claude Frollo. Outro tanto fez em Londres Arthur Conan Doyle, quem dá um tratamento digno aos roms em seu romance A Faixa Malhada.


Fora estes e outros poucos casos, a realidade é que os preconceitos contra os ciganos se foram acumulando durante séculos no imaginário popular, o que provocou, por sua vez, um maior isolamento entre estes grupos. O século XX não fez senão aumentar os males destas comunidades em solo europeu, sobretudo na medida em que se fortaleceu o regime nazista e suas teorias sobre a pretendida pureza da raça ariana.


Em 1934 começou-se a praticar a esterilização de roms por meio de injeções ou castração na Alemanha e quando estourou a guerra lhes concentrou em campos de trabalho e extermínio, como Dachau, Sachsenhausen e Buchenwald.


Durante a madrugada de 3 de agosto de 1944 três mil homens, mulheres e crianças dessa raça que ainda estavam em Auschwitz-Birkenau foram assassinados nas câmaras de gás e incinerados. O holocausto cigano é pouco estudado e desconhece-se o número exato de vítimas, mas especialistas assinalam que essa população ficou reduzida a menos da metade no final do conflito, quando suas condições de vida também não melhoraram.


Sua existência passou despercebida durante o processo de construção da União Europeia (UE), que ocupou boa parte da segunda metade do século XX, e a princípios do século atual lhes mantém à margem dos benefícios sociais e políticos destas estruturas.

A maior parte dos 10 milhões de ciganos na UE são cidadãos de países membros desse mecanismo, mas pertencem a uma espécie de segunda categoria, estão fora do chamado "estado de bem-estar", e carecem de emprego, saúde, educação e liberdade de mobilização.


Talvez de maneira involuntária a França contribuiu a que se atentasse sobre eles quando o ex-presidente Nicolás Sarkozy (2007-2012) aplicou uma política de expulsões em massa, que provocou uma onda de reações adversas em todo o continente.


Ainda que a pressão externa tenha obrigado o governo galo a frear essas medidas, a situação no interior do país tornou-se a cada vez mais precária e não mudou com a chegada das novas autoridades em maio de 2012. A 21 de março deste ano, a Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos assegurou em seu relatório sobre racismo e xenofobia que "mais ainda que os muçulmanos, os roms migrantes sofrem de uma imagem extremamente negativa".


Segundo um questionário feito pela entidade, uma ampla maioria de franceses tem um mau conceito destes grupos, sem conhecê-los a profundidade. Organizações humanitárias assinalam que, ao expressar sua opinião sobre esta comunidade, a população ignora ou evade o tema da proibição de lhes dar trabalho, os obstáculos para inscrever seus filhos nas escolas ou as consequências da constante destruição e desalojamento de seus acampamentos.


A cada vez que são expulsos de um lugar, as crianças perdem sua vinculação docente e os doentes, muitos com padecimentos crônicos, interrompem seu tratamento com severos danos para sua saúde. O agrupamento Romeurope chamou a brindar-lhes maiores oportunidades aos membros da etnia e destacou o caso da jovem Anina Ciuciu quem, de deambular de menina pelas ruas de Lyon, conseguiu ingressar no ano passado à Sorbonne graças ao apoio de várias pessoas.


Segundo os especialistas, será impossível conseguir a inserção efetiva dos ciganos à sociedade, se dantes não se rompe a corrente histórica de preconceitos e discriminação, e lhes abrem as mesmas possibilidades que ao resto da população europeia.


*Corresponsável da Prensa Latina na França.

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=6504909ab81edf8086a8ec6982a1099a&cod=11335

 
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