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Crônica: Carta de despedida

09.12.2010 | Fonte de informações:

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Carta de despedida

Querida, não sei o que se passou conosco, nem pretendo ficar fazendo análises do que está fora deste método. Também irrita querer iniciar literatura com uma carta de despedida.

Não sei nem quero saber quem é culpado; culpados somos nós, que não prestamos a atenção necessária ao fato da primeira discórdia em relação ao nosso querido filho. Este é um assunto com o qual não se brinca, e deu um final melancólico.

Perco a mulher, bem o sei. Como repeti muitas vezes, e com toda a minha sinceridade, a mulher mais bonita que eu já vi nesta terra. Vou amargar muito ainda, mais do estou agora. Não ver você, não sentir sua presença, ouvindo sua voz e o choro do André esta sendo muito duro, e vai piorar.

Mas chegou ao fim. Os arroubos da sua mocidade, Du, eram previsíveis. Mas por favor, não diga que foi recusada, repudiada. Não foi e você sabe bem disto. Eu não tinha alternativa. Você também conhecia este risco, mas assumiu o perigo.

Londres é longe, Du. E com seu casamento, foi posta uma pedra sepulcral no nosso já passado encontro de almas. Nossa casa sente a falta de você e dos primeiros passos do André. Nossa casa sim, as roseiras estão viçosas e ainda cuido delas com o mesmo carinho, como fazíamos juntos. A que você plantou está realmente deslumbrante. Mas não tem o dourado brilhante dos seus cabelos.

Mas finalizo, sofri para escrever e enviar este papel. Só peço que quando vier passar alguns dias aqui, não se esqueça que André tem pai. Não me venha com desculpa que pode haver recaída.

Beijos, Yuri

Jorge Cortás Sader Filho é escritor

 

 
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