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A espada ritualística

06.11.2008 | Fonte de informações:

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Dr. Fahed Daher

Definindo a simbologia da espada, leio em trabalho do “Irmão Monte Cristo Si” a exaltação de que a espada, antes de tudo é também característica da virtude, da bravura, do poder, ainda expandindo que o poder tem o duplo sentido, o destruidor e o construtor admitindo que a espada pode manter a paz e a justiça. Platão nos ensina que “o poder é a arma dos fortes”. A moral é a arma dos fracos.

Através dos séculos, a espada sempre foi instrumento de conquistas e guerras e morticínios entre os povos comandados por reis e generais, alguns com interesses de conquistas e enriquecimento, outros com a necessidade de defesa, mas nunca instrumento de diálogo e conciliação. Até quando surgiu a pólvora que passou a dominar pelas armas de fogo a ação guerreira pertencia às espadas, nas lutas corpo a corpo. Com as armas de fogo a baioneta, arma branca adaptada ao cano das espingardas, serviu e em alguns casos ainda serve nos avanços das tropas. A energia atômica covardemente vai se impondo a todos, baionetas, espadas, armas de fogo...

A espada é ação da força, mas não da razão. Ação de imposição e não de condução. O domínio e não a conciliação. O poder e não a fraternidade. O tinir de ferros e não a filosofia.

Diz o nosso articulista que, associada à balança, a espada traz a idéia de justiça.

Realmente a balança simboliza a tomada do peso das partes e cuja tomada de pesos o conceito de justo que há de ser feito sem cegueira, mas com a visão clara, analisando o valor do volume e do peso de cada uma das partes, para qualificar e quantificar o equilíbrio. Olhos vendados e ouvidos atentos?

No final da constatação do peso nos pratos, no sentido da justiça, a espada não pode ser o final do julgamento. A sentença, pois, ao final do julgamento, a execução nunca deveria se proceder por instrumento de violência, mas pela presença da pena, pena que determina a pena para o injusto e ou o perdão para o justo.

A espada, sim, para a coerção do executor da sentença contra o crime violento. (Nêmesis)

Se buscamos na Bíblia a inspiração para o simbolismo, contrariando a espada, deveremos ter presente as tábuas das leis que Moisés recebeu de Deus no alto do monte.

Na moderna filosofia modificam-se as sentenças da penalidade quando se busca, em civilizações mais responsáveis, desenvolver a escolaridade, a consciência, a responsabilidade, a espiritualidade, fazendo o nivelamento social, eliminando o espírito da soberania imperial e da política indecente dos abusos e dos subornos, buscando que o capitalismo não seja selvagem, mas seja a distribuição das oportunidades.

O articulista, defendendo a simbologia da espada diz que “é também o símbolo da guerra Santa.” Santa não podemos considerar nenhuma das guerras, nem mesmo a das cruzadas, em nome de Cristo. Cristo que jamais usou de alguma arma que pudesse ferir, nem mesmo a arma da palavra violenta ou depreciativa.

Quando no Getsêmani, um dos seguidores de Jesus cortou a orelha de um dos esbirros do sumo sacerdote judeu, o Mestre não abençoou a espada, mas curou com a benção da sua mão o ferimento do ofendido e repudiou o uso da arma – (Lucas-22:47).

Refere o articulista sobre a espada que ela é ”como símbolo do verbo, da palavra e da ação...” Afirmo que o símbolo do verbo, da palavra e da ação deve ser sempre a estrela guia, brilhando nos céus do infinito e se refletindo nas águas da inteligência, ora serenas ora em ebulição de sustentar o justo, com os ventos da sabedoria, pois o verbo, a palavra devem ser produtos do conhecimento e da emoção fraternal que se deve à humanidade, como a espiritualidade que Cristo nos entregou.

A ação não deve ter por guia a espada, mas a doação dos bens interiores que se guarda pelo aprimoramento da vivência, desde que não seja vivência distorcida da paranóia, da inveja, da necrofilia. Mas os bens interiores para que todos se beneficiem e nada seja exercido pela violência de ferros cortantes.

A estátua do judiciário, Têmis (Filha de Gea e Netuno), Inspiradora da justiça e conselheira de Zeus, deveria ter na mão esquerda um luzeiro e, sem venda, sentir a claridade da verdade, ao mesmo tempo iluminando os povos no sentido da honra e da dignidade, baluartes da justiça, enquanto na mão direita deveria ter a pena que prescreve a sentença do castigo ou do beneficio. Sentença de punição que é executada por Nemesis, (símbolo da justiça distributiva), representada pela segurança pública.

Seguindo os versos de Castro Alves no poema “O livro e a América” (1868), não é a espada o símbolo da imposição da razão. O poeta quando recomenda a nossa atitude diante de Deus, não nos diz que deveremos estar com a espada, mas, diz-nos o poeta da mocidade:

“Filhos do século das luzes, // filhos da grande nação, // quando ante Deus vos mostrardes // tereis um livro na mão...”

A ESPADA RITUALÍSTICA = ®

Médico - Governador Rotário 1995/1996 – Distrito 4710

Academia de Letras Centro Norte do Paraná - Academia de Letras de Londrina.

Academia de Letras José de Alencar (Curitiba) Centro de Letras do Paraná (Curitiba).

Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES)

 
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