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Mulheres do mundo inteiro organizam greve geral para o dia 8 de março

06.03.2017 | Fonte de informações:

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No pró­ximo dia 8 de março, data em que se co­me­mora o Dia In­ter­na­ci­onal de Luta das Mu­lheres Tra­ba­lha­doras, mu­lheres do mundo in­teiro irão parar as suas ati­vi­dades e sair às ruas em de­fesa dos seus di­reitos, ade­rindo à Greve In­ter­na­ci­onal de Mu­lheres. O cha­mado foi feito após a grande marcha de mu­lheres no dia se­guinte à posse do pre­si­dente dos Es­tados Unidos, Do­nald Trump, re­a­li­zada no dia 20 de ja­neiro deste ano. 

Fe­mi­nistas his­tó­ricas como An­gela Davis e Nancy Fraser pu­bli­caram uma carta con­cla­mando as mu­lheres a lu­tarem contra o re­cru­des­ci­mento do con­ser­va­do­rismo no mundo todo e sobre a ne­ces­si­dade de se fazer uma greve geral no dia 8 de março em de­fesa da igual­dade de gê­neros.

No mundo in­teiro, as mu­lheres têm sido pro­ta­go­nistas de lutas im­por­tantes e ne­ces­sá­rias para a con­quista de di­reitos, contra o ma­chismo e os ata­ques do ne­o­li­be­ra­lismo. Em 2016, as mu­lheres po­lo­nesas pro­ta­go­ni­zaram uma greve geral pelo di­reito ao aborto; na Is­lândia, o pro­testo foi pela igual­dade sa­la­rial; na Ar­gen­tina - e em ou­tros países la­tino-ame­ri­canos, como o Brasil -, as mu­lheres pro­tes­taram contra o fe­mi­ni­cídio (quando se mata uma mu­lher por ra­zões da con­dição do sexo fe­mi­nino) e pro­ta­go­ni­zaram uma pa­ra­li­sação por uma hora. 

No Brasil, além da luta contra todos os tipos de vi­o­lência que in­cidem sobre as mu­lheres, elas lutam também em de­fesa dos seus di­reitos e contra os ata­ques em curso no Con­gresso Na­ci­onal, es­pe­ci­al­mente as con­trar­re­formas da Pre­vi­dência e Tra­ba­lhista. A con­trar­re­forma da Pre­vi­dência, que tra­mita como Pro­posta de Emenda à Cons­ti­tuição (PEC) 287/16, pre­tende igualar o tempo de con­tri­buição de ho­mens e mu­lheres, ig­no­rando o fato de que mu­lheres re­a­lizam dupla e até tripla jor­nada de tra­balho. Eles e elas só po­derão se apo­sentar com, no mí­nimo, 65 anos de idade e 25 de con­tri­buição. 

Já a con­trar­re­forma Tra­ba­lhista, Pro­jeto de Lei (PL) 6.787/16, que prevê re­gras de con­tratos tem­po­rá­rios de tra­balho e pri­o­riza o ne­go­ciado sobre o le­gis­lado em re­lação a al­guns di­reitos (in­clu­sive os con­tidos na Con­so­li­dação das Leis do Tra­balho), terá graves con­sequên­cias às mu­lheres, uma vez que per­mite a jor­nada de tra­balho por até 220 horas men­sais, abrindo a pos­si­bi­li­dade de turnos de 12 horas por dia. 

"A data 8 de março é uma data his­to­ri­ca­mente da mu­lher tra­ba­lha­dora, e o mo­vi­mento de greve in­ter­na­ci­onal das mu­lheres está fa­zendo um de­bate ne­ces­sário e im­por­tante sobre a con­dição da mu­lher no sé­culo 21. Desde 2015 - com os ata­ques de Edu­ardo Cunha (então pre­si­dente da Câ­mara dos De­pu­tados) -, nós acom­pa­nhamos dentro do par­la­mento bra­si­leiro vá­rios pro­jetos de lei que têm como ob­je­tivo o con­trole dos nossos corpos e a re­ti­rada dos nossos di­reitos. E di­ante de todos esses ata­ques nós co­me­çamos a re­agir. A greve é uma res­posta ao avanço do con­ser­va­do­rismo e é um mo­mento im­por­tante para lu­tarmos por pro­jetos que nos re­pre­sentem", disse Ca­ro­line de Araújo Lima, 1ª vice-pre­si­dente da Re­gi­onal Nor­deste III e da co­or­de­nação do Grupo de Tra­balho de Po­lí­tica de Classe para as ques­tões Et­ni­cor­ra­ciais, de Gê­nero e Di­ver­si­dade Se­xual (GTP­CEGDS) do ANDES-SN.

Origem da data

Apesar da his­tória di­fun­dida para a origem do Dia In­ter­na­ci­onal das Mu­lheres ser o das ope­rá­rias de uma fá­brica têxtil de Nova Iorque (EUA), que ha­viam mor­rido quei­madas após o pa­trão ter ateado fogo ao prédio de­vido a uma greve, no ano de 1857, essa versão é bas­tante ques­ti­o­nada. A data tem uma origem so­ci­a­lista, que re­monta ao início do sé­culo 20 e foi apa­gada ao longo dos anos, prin­ci­pal­mente du­rante o pe­ríodo da Guerra Fria. O dia 8 de março foi fi­xado a partir de uma greve ini­ciada em 23 de fe­ve­reiro (ca­len­dário russo) de 1917, na Rússia. Uma ma­ni­fes­tação or­ga­ni­zada por te­celãs e cos­tu­reiras de São Pe­ters­burgo foi o es­topim da pri­meira fase da Re­vo­lução Russa.

Vi­o­lência

Se­gundo o Mapa da Vi­o­lência de 2015, ela­bo­rado pela Fa­cul­dade La­tino-Ame­ri­cana de Ci­ên­cias So­ciais (Flacso), 13 mu­lheres são as­sas­si­nadas por dia no Brasil. O país é o 5º que mais mata mu­lheres no mundo, per­dendo so­mente para El Sal­vador, Colômbia, Gua­te­mala e Rússia.

A co­or­de­na­dora do GTP­CEGDS do Sin­di­cato Na­ci­onal afirma que os nú­meros da vi­o­lência no país re­tratam a so­ci­e­dade ma­chista em que vi­vemos e que o ma­chismo pre­cisa ser com­ba­tido na raiz do pro­blema, no de­sen­vol­vi­mento de ci­da­dãos cons­ci­entes em re­lação à igual­dade de gê­nero, com o de­bate nas ins­ti­tui­ções de en­sino, em casa, no tra­balho e em toda a so­ci­e­dade. 

Por tudo isso, Ca­ro­line afirma ser ne­ces­sária a par­ti­ci­pação dos do­centes, téc­nicos, es­tu­dantes, da classe tra­ba­lha­dora e toda a so­ci­e­dade bra­si­leira na mo­bi­li­zação do dia 8 de março, contra todos os tipos de vi­o­lência que in­cidem sobre as mu­lheres, so­bre­tudo as mais vul­ne­rá­veis: ne­gras, lés­bicas, pe­ri­fé­ricas e tran­se­xuais. 

"Não existe um mundo sem mu­lheres, sejam elas cis (cis­gê­nero: termo uti­li­zado para se re­ferir às pes­soas cujo gê­nero é o mesmo que o de­sig­nado em seu nas­ci­mento) ou trans. Essa luta é por di­reitos e pela vida das mu­lheres. Por isso, é de ex­trema im­por­tância a CSP-Con­lutas e o ANDES-SN - assim como as de­mais cen­trais e en­ti­dades -, ade­rirem ao dia 8 de março e das ati­vi­dades que estão pre­vistas no dia, como mo­bi­li­za­ções e pa­ra­li­sa­ções", res­saltou a di­re­tora do Sin­di­cato Na­ci­onal. 

O ANDES-SN e a CSP-Con­lutas ori­entam os do­centes e toda a classe tra­ba­lha­dora a par­ti­ci­parem dos atos pú­blicos nos es­tados - em uni­dade com en­ti­dades, mo­vi­mentos so­ciais e po­pu­lares, es­tu­dantes e toda a so­ci­e­dade -, no Dia In­ter­na­ci­onal de Luta da Mu­lher Tra­ba­lha­dora e Dia Na­ci­onal de Luta contra a Re­forma da Pre­vi­dência na pers­pec­tiva da cons­trução da greve geral. 

A par­ti­ci­pação dos do­centes no Dia Na­ci­onal de Luta em de­fesa da Mu­lher Tra­ba­lha­dora foi apro­vada no 36° Con­gresso do ANDES-SN, que ocorreu em ja­neiro deste ano em Cuiabá (MT). O Fórum das En­ti­dades Na­ci­o­nais dos Ser­vi­dores Pú­blicos Fe­de­rais (Fo­na­sefe) também in­dicou adesão ao 8 de março, assim como a data também foi apro­vada pela co­or­de­nação da CSP-Con­lutas.

Fonte: Correio da Cidadania/Andes

 

 
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