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Entrevista com diretor do Festival de Locarno

01.08.2012 | Fonte de informações:

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O Brasil não está na competição internacional do Festival de Locarno, porém a participação latinoamericana é importante. Um filme guatemalteco, Polvo, de Júlio Hernandez Cordón, e um filme mexicano Los Mejores Temas, de Nicolás Pereda, competem entre os 19 selecionados.

O Brasil está concorrendo na mostra de novos diretores, Cineastas doPresente, com o filme de Daniel Aragão, Boa Sorte, MeuAmor, junto com o filme do mexicano Pedro González Rubio, Inori, feito e produzido no Japão.

O diretor do Festival Internacional de Cinema de Locarno, Oliver Père, fala da participação brasileira e latinoamericana, em entrevista exclusiva.

Qual a participação brasileira neste Festival de Locarno ?

Este ano temos um filme brasileiro que descobrimos e que gosto muito. Está na mostra Cineastas do Presente, é Boa Sorte, Meu Amor, de DanielAragão.

Existem diversos cineastas brasileiros da nova geração que muito nos interessam, tanto que no júri há a presença do diretor Kleber Mendonça Filho, que conheci há alguns anos, pois mostrei seu primeiro curta-metragem,quando eu dirigia a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes. Kleber fez um longa-metragem que não está aqui em Locarno mas que gostei muito e, por isso, o convidei para o júri de curta-metragens.

As coisas que se passam hoje no Recife ou no Rio são muito interessantes para nós.

Vemos que o cinemaportuguês está competição internacional...

E trata-se de um bom filme, com um cineasta que muito aprecio, JoãoPedro Rodrigues que dirigiu com João Rui Guerra da Mata, A ÚltimaVez que Vi Macau. Um filme impressionante, mesmo em relação ao filme precedente de João Pedro, pois mistura o fantástico, o inquérito policial, o diário íntimo e o documentário. Estamos felizes por poder mostrá-lo em estréia mundial aqui em Locarno.

Além disso, existem curtas-metragens portugueses, um do próprio João Rui, outro de João Nicolau. A cada ano o cinema português tem coisas bonitas e importantes para mostrar entre os filmes do cinema europeu.

E quanto à participação do cinema latinoamericano ?

Há um filme da Guatemala, Polvo, o que é coisa rara e o filme de Nicolás Pereda, Los Mejores Temas, que é muito bom. Não é nenhum segredo que os amantes do cinema sonham com os filmes latinoamericanos e estamos contentes de poder ter aqui conosco alguns deles. Do México, temos um filme feito no Japão, por um dos meus cineastas preferidos Pedro González-Rubio. Uma mistura de países e de cultura próprios do Festival de Locarno.

Como viu, no ano passado, a declaração do produtor português Paulo Branco, presidente do Júri, chamando um filme de fascista ?

Bom, uma atitude dessas seria de se esperar de um homem como Paulo Branco, pois nele há muito de entusiasmo e de veemência. Evidentemente, cada pessoa tem o direito de se exprimir e Paulo foi suficientemente grande para explicar essa sua posição e continuar sua polêmica nos jornais. Isso não causou nenhum prejuízo ao filme de Melgar, Vôo Especial, que conheceu uma brilhante carreira internacional e ganhou premios em todo o mundo.

Não interferi nesse caso, porque os membros do júri são livres de se exprimir e mesmo de usar palavras violentas. A seguir, o cineasta Melgar e a equipe do filme apresentaram argumentos, que penso justos. Quanto a mim, acho que o fato do filme estar na competição, era seu lugar certo. A controvérsia, a polêmica e a crítica fazem parte do jogo num Festival.

Como pode definir o formato do Festival de Locarno ?

Nos anos precedentes e no passado principalmente, chegamos a uma forma e a um estilo de Festival bastante satisfatórios, tanto que este ano decidimos manter o formato, é só o conteúdo que varia.

Este ano, por exemplo, há mais filmes americanos que franceses, mais filmes suíço-alemães que suíço-franceses, tudo depende dos filmes que nos são mostrados. A seguir, procuramos encontrar um equilíbrio entre filmes de autor, filmes de descoberta, de cineastas confirmados e a presença de stars atores e realizadores. Com a preocupação de incorporar surpresas, prazer e emoção aos espectadores.

Foi difícil encontrar bons filmes para Locarno ?

Não,a seleção deste ano é muito boa e temos cerca de 40 filmes em estréia mundial, o que mostra ser Locarno onde se pode descobrir, em primeira mão, filmes do mundo inteiro. Locarno pode ser o ponto de partida bastante favorável para a carreira de um filme.

Ainda este ano, existem filmes mostrados em Locarno que continuam viajando pelo mundo e recebendo premios. Esperamos que os filmes deste ano também façam carreira, temos nossos prognósticos, os filmes nos quais acreditamos, porém pode acontecer serem outros, vamos ver.

Na Piazza Grande, estamos curiosos por ver a reação do público diante de certos filmes. No ano passado, a surpresa foi o grande sucesso público do filme canadense Monsieur Lazhar.

 

Rui Martins

 
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