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A armadilha da abóbora…

01.07.2007 | Fonte de informações:

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Lemos por estes dias um artigo muito interessante sobre o “pico petrolífero”, de John Michael Greer . O articulista, servindo-se de uma metáfora sobre uma velha armadilha do Sudeste da Ásia para caçar macacos, ilustra na perfeição a resposta que estamos a dar ao problema do Clima e da escassez do Petróleo.

A armadilha consiste numa abóbora com um buraco e com um engodo no seu interior. O macaco atraído pelo “petisco” enfia a mão na abóbora, porém não consegue retirá-la. Nesse momento, o caçador aproxima-se e lança-lhe a rede. Ao aperceber-se do perigo, tenta fugir levando consigo a abóbora, porém não consegue por que esta está presa por uma corda a um pau. O primata invés de largar o engodo e fugir, mantém-se obsessivamente no seu objectivo, tornando-se vítima da sua gula.

Vários são os factores naturais que concorrem para a mudança climática, não sendo possível criar um modelo matemático que permita fazer com segurança uma previsão do clima a médio prazo e menos ainda a longo, como os “especialistas” do IPCC pretendem. Daí que alguns climatologistas , não estejam de acordo com as conclusões daquele painel pseudo-científico, como Richard S. Lindzen , que dele se afastou por discordar da metodologia empregue.

Aquele órgão, tutelado pela ONU, elegeu o dióxido de carbono ( CO2 ) de origem antropogénica como o responsável pelo chamado “Aquecimento Global”, expressão que muito usam para amedrontar os incautos. A História Natural do Planeta, entre outros aspectos, é por exemplo ignorada. Na enciclopédia on-line Wikipédia , pode ler-se a este respeito que “… as simulações partem do princípio que é realmente o efeito de estufa que está na origem desse aquecimento. Se houver outras causas naturais desconhecidas para o aquecimento, como as associadas à influência solar e à recuperação desde a Pequena Era Glacial , elas não podem ser incluídas na modelação.” (???)

Segundo o climatologista português Rui G. Moura, que mantém um Blog muito didáctico acerca do clima, “Mitos Climáticos”, as causas que estão a influenciar nas actuais alterações climatéricas são a variação do parâmetro orbital, a variação da actividade solar, a variação da actividade vulcânica e a variação do vapor de água na atmosfera. O parâmetro orbital é condicionado pelo Movimento de Precessão da Terra, cuja evolução dura 24 000 anos, sendo responsável pela inclinação do eixo do planeta em relação ao Sol, que influi no seu padrão electromagnético.

Refere o Prof. Rui Namorado Rosa, da Universidade de Évora que “Estudos recentes sobre o teor de Carbono-14 em materiais orgânicos (incluindo fosseis), para além de comprovarem uma pronunciada tendência de crescimento do número médio de manchas solares ao longo do Século XX , revelam que o presente nível de actividade solar é o mais elevado desde há 8.000 anos.”, responsável pelo aumento da radiação solar que se verifica. Existem actualmente 600 vulcões em actividade, expelindo gases de efeito de estufa, entre os quais o CO2 , que naturalmente influem no aumento da temperatura, sobretudo a local. Finalmente, a variável do vapor de água é fortemente condicionada pela temperatura ao nível das águas. Se efectivamente há um aumento de temperatura com origem num aumento da actividade solar e de outros factores naturais, tal aumenta a evaporação e com esta a quantidade de água em estado gasoso na atmosfera, contribuindo deste modo para o efeito de estufa.

Os factores que estão na origem destas causas, obviamente interagem e a sua influência sobre o planeta não é uniforme. Daí, não se poder afirmar com rigor num aquecimento à escala planetária. Provavelmente estamos a assistir a uma mudança dos padrões do clima até agora observados por várias gerações, uma escala de tempo ínfima comparada com o tempo histórico das mudanças climáticas até agora ocorridas. As águas voltarão aos lugares onde já estiveram e o gelo cederá lugar a terras de cultura. No ano mil da nossa Era, por exemplo, os vikings praticavam agricultura na Gronelândia.

Desde o final do Século XIX , uma parte significativa da Humanidade beneficia de uma abundante e útil matéria-prima: o Petróleo, que além de combustível, está na base de cerca de 300 mil produtos industriais. Sobre a exploração do crude se instalou uma sociedade industrial e de consumo cada vez mais ávida de energia. Até ao momento a sua extracção correspondeu à demanda, todavia com a aproximação do “pico petrolífero” (limite a partir do qual se inicia o seu esgotamento), facto que para alguns especialistas já ocorreu, a oferta começa a ser inferior à procura.

Por outro lado, a agravar esta situação de escassez não declarada, a procura tem aumentado e muito à pala da China, que se aproxima “dramaticamente” dos níveis de consumo dos USA, e da Índia, os actuais grandes centros do Capital Industrial Mundial, estando outras economias a espreitar o mesmo desenvolvimento do rico Hemisfério Norte. Neste cenário, obviamente é necessário tomar medidas. Mas que medidas?

Ora é neste contexto que tem vindo a desenvolver-se o mito climático do Aquecimento Global induzido pelo CO2 antropogénico . Numa espécie de “Santa Aliança”, alguns pseudo ecologistas, como Al Gore, que também é empresário, e grandes grupos empresariais, ligados à energia e a outros sectores da Economia, que antes foram adversários na questão do ambiente, uniram-se agora numa vasta campanha insidiosa de marketing para vender serviços e produtos sob a capa de “energias renováveis amigas do ambiente”, algumas não tão renováveis e nem amigas como afirmam, para combater o “maléfico dióxido de carbono de origem humana”.

Para estes profetas do “pânico climático” o Clima tornou-se num negócio altamente rentável, independentemente de existir ou não um verdadeiro perigo. A USCAP , por exemplo, uma parceria americana para “Acção pelo Clima”, que inclui grupos económicos como a GE , a Alcoa , a Caterpillar , além de institutos e figuras gradas do meio empresarial norte-americano, como Jeffrei Immelt e Theodoro Roosevelt IV , em Janeiro deste ano publicou um relatório intitulado “Um apelo à acção” onde se pode ler afirmações do tipo “…(a) necessidade urgente de um enquadramento politico da alteração do clima”, ou, “…(é) necessário um sistema impositivo que estabeleça exigências claras, previsíveis e com base nas leis de mercado para reduzir as emissões dos gases com efeito de estufa”.

Ao mesmo tempo procuram travar o desenvolvimento dos mercados emergentes para que não rivalizam no consumo do Petróleo, que será sempre necessário para a actividade industrial, inclusive o fabrico de componentes para as energias alternativas, por um lado; e por outro, para manter o estilo de vida das sociedades desenvolvidas do Ocidente. No livro “ Weather Makers ”, um best-seller no Canadá, o autor Tim Flannery , um entusiasta do “pânico climático” escreve: “A coisa mais importante, é que todos nós podemos fazer a diferença e ajudar a combater a alteração do clima praticamente sem custo para o nosso estilo de vida”. Ora aí está a verdadeira razão!

Não cremos que alguma vez o problema da poluição da atmosfera e a escassez do Petróleo possa ser resolvido pelo mercado e quem julga que isso é possível, está a reagir como o macaco com a mão enfiada na abóbora… Não cremos que os maiores causadores da poluição industrial e da escassez dos combustíveis fósseis alguma vez estejam sinceramente empenhados para mudarem de atitude face à Natureza e ao Futuro. Contudo alguma coisa é necessário fazer, a começar pelo cidadão comum.

Artur Rosa Teixeira

artur.teixeira@netcabo.pt

 
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