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Assembleia Internacional dos Povos arranca este domingo em Caracas

25.02.2019 | Fonte de informações:

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Assembleia Internacional dos Povos arranca este domingo em Caracas

A solidariedade com o governo de Nicolás Maduro e o povo venezuelano motivou a escolha da data para a realização da iniciativa participada por mais de 500 representantes mundiais. Hoje há concerto pela paz.

Membro da comissão coordenadora da Assembleia Internacional dos Povos, João Pedro Stedile, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e coordenador da Via Campesina Internacional, afirmou ao Brasil de Fato que a data escolhida para realização do evento simboliza a solidariedade à Venezuela.

«Levamos dois anos a preparar-nos e marcámos justamente a Assembleia para ser realizada aqui em Caracas, nesta data, como uma forma de solidariedade de todas as organizações do mundo com o governo de Nicolás Maduro e ao povo da Venezuela», salientou Stedile.

Ao online, a representante da Espanha, Marga Ferré, reconheceu que, apesar do reconhecimento de Juan Guaidó por parte de alguns governos europeus, designadamente o espanhol, a maior parte dos cidadãos desses países rejeitam a intervenção e a violência. 

«Os povos da Europa não querem uma intervenção militar e parte do que vamos debater aqui nestes dias é como construir uma agenda de solidariedade com a Venezuela e trabalhá-la também na Europa. Para dizer algo em que acreditamos profundamente: cada povo tem o direito de ser governado como queira», disse Ferré.  

Por sua vez, Claudia Cruz, representante dos EUA, denunciou a posição do governo de Donald Trump como «imoral» e revelou contradições no discurso sobre a «crise humanitária» na Venezuela.

«É uma vergonha, é criminoso, é imoral que os Estados Unidos, um país onde vivem 140 milhões de pessoas pobres, onde há seis milhões de pessoas que convivem diariamente com a fome, venham dizer que na Venezuela há uma crise humanitária», afirmou.

No entender da activista, a Venezuela tem a resistência e a defesa de uma revolução que permitiu redistribuir as riquezas pelos mais pobres e carenciados. «A Venezuela não tem uma crise humanitária. Na Venezuela, há uma luta em defesa da vida. Os Estados Unidos não podem dizer isso. A Venezuela é um exemplo da luta pela dignidade de todos os povos do mundo, e por isso estamos aqui», frisou. 

A Assembleia Internacional dos Povos em solidariedade com a revolução bolivariana e contra o imperialismo decorre em Caracas até 27 de Fevereiro, com centenas de pessoas e organizações dos cinco continentes. 

O programa é composto por debates, reuniões, noites culturais, visitas aos bairros e a apresentação de um plano de acção internacional. Para este domingo está previsto também um concerto pela paz com a participação de artistas da Venezuela, Cuba, Bolívia, Brasil, Espanha, Gana e Nepal. 

Colômbia e EUA «violaram carta da ONU»

A assembleia arranca um dia depois do flop que se revelou a estratégia orquestrada pelos EUA em colaboração com a Colômbia, de invadir a Venezuela a pretexto da chamada «ajuda humanitária». 

Apesar do fracasso do «dia D», o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza admitiu que os actos de violência levados a cabo pelos dois países, com o intuito de desestabilizar a Venezuela para justificar uma intervenção militar estrangeira, contrariam os princípios elencados na Carta da Organização das Nações Unidas (ONU). 

Numa mensagem deixada no Twitter, Arreaza denunciou que, «a partir do show de propaganda organizado na fronteira [com a Colômbia]», os governos colombiano e dos EUA «violaram praticamente todos os princípios e propósitos da Carta da ONU», sublinhando que, no seio das Nações Unidas, serão tomadas as medidas apropriadas. 

«Aceitamos a ajuda e vamos pagá-la»

No discurso perante milhares de pessoas, este sábado em Caracas, o presidente Nicolás Maduro informou que o governo venezuelano foi contactado pela União Europeia com a oferta de medicamentos para a Venezuela. «Aceitamos a ajuda e vamos pagar por ela», defendeu.

A resposta seguiu igual para o Brasil. «Pagamos por todos os alimentos que estão no estado de Roraima», disse Maduro, reforçando que os venezuelanos não devem ser «tratados como mendigos».

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