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Restauração florestal: Y Ikatu Xingu atinge meta

22.05.2010 | Fonte de informações:

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Campanha ‘Y Ikatu Xingu atinge a marca de 2 mil hectares de APP em processo de restauração florestal

Tecnologia de plantio mecanizado de sementes nativas é destaque na Mostra de Tecnologias Sustentáveis que o Instituto Ethos realiza entre os dias 11 e 14 de maio em São Paulo

Por Fernanda Bellei
Após cinco anos de trabalho, experiências e parcerias com prefeituras, produtores rurais e organizações não governamentais, a Campanha ‘Y Ikatu Xingu conseguiu atingir a marca dos 2.081 hectares de florestas em processo de restauração na bacia do Rio Xingu e nos vales do Araguaia e Teles Pires, ao final do ciclo agroflorestal 2009/2010. As restaurações florestais começaram a ser realizadas em 2006 com o objetivo de recuperar nascentes e matas de beira de rio e hoje estão presentes em 14 municípios do Mato Grosso: Canarana, Água Boa, Barra do Garças, Vila Rica, Gaúcha do Norte, Querência, Bom Jesus do Araguaia, São Félix do Araguaia, Canabrava do Norte, São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu, Marcelândia, Cláudia e Nova Mutum.

Rodrigo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA), uma das organizações que participam da campanha, explica que os trabalhos de restauração são realizados através da semeadura direta de sementes, plantio de mudas e condução da regeneração natural. “Nós realizamos uma avaliação da área degradada e então decidimos, em conjunto com o proprietário da área, pela melhor maneira de fazer a restauração, observando as questões técnicas e financeiras. Em muitas áreas, a condução da regeneração natural resolve o problema”.

Máquinas de fazer florestas
O grande diferencial das restaurações promovidas pela campanha, segundo Rodrigo Junqueira, é o uso de maquinário agrícola para plantar as sementes de espécies nativas, o que viabiliza a plantação em grandes áreas, que demorariam a ser recuperadas com mudas. “Utilizamos as plantadeiras de grãos e as lançadeiras, conhecidas como vincón ou tornado, para plantar as sementes. O plantio mecanizado vem se mostrando a alternativa mais viável para a restauração de florestas em larga escala, em áreas degradadas de preservação permanente ou de reservas legais”. Esta técnica ganhou destaque na Mostra de Tecnologias Sustentáveis 2010, realizada pelo Instituto Ethos Mostra de Tecnologias Sustentáveis 2010, realizada pelo Instituto Ethos entre os dias 11 e 14 de maio.

Eduardo Malta, técnico responsável pelos projetos de restauração florestal do ISA, afirma que as vantagens do plantio mecanizado não param por aí. O custo do plantio fica até quatro vezes mais baixo quando comparado ao plantio de mudas e é possível aproveitar o conhecimento agronômico já existente nas propriedades rurais.

O investimento para o plantio convencional de florestas com mudas fica, no mínimo, em R$ 4 mil por hectare, sem cerca e sem manutenção. Com cerca e manutenção esse valor passa facilmente de R$ 7 mil. Já o plantio mecanizado de florestas tem valor mínimo de R$ 1.715,65 em área de lavoura, em que a cerca não é necessária, e de R$ 3.325,50 em área de pecuária, em que é necessário colocar a cerca de proteção. Os dois custos já incluem os trabalhos de manutenção no segundo e no terceiro ano.

Malta explica que, para conseguir resultados satisfatórios, os técnicos do ISA aperfeiçoaram a técnica de plantio.

“Nós fazemos uma ‘muvuca’, que é uma mistura de sementes nativas, utilizada para plantar agroflorestas. São leguminosas de adubação verde, ervas, arbustos, cipós e árvores frutíferas, resiníferas, medicinais e madeireiras, que podem trazer retorno econômico para o dono da área e proteger o solo enquanto as árvores crescem”.

Benefícios
Cassiano Marmet, técnico agrícola do ISA responsável pelas restaurações em São José do Xingu, explica que, ao recuperar sua Área de Proteção Permanente, o produtor garante que terá água em sua propriedade por um período maior, pois as árvores impedem a erosão e o assoreamento dos rios. A água é um dos insumos mais importantes para a produção agropecuária, por isso deve ser bem preservada. Outro benefício advindo da cobertura florestal é a proteção natural oferecida pelas árvores. “As árvores funcionam como quebra-ventos naturais que ajudam a reduzir a incidência de pragas e doenças. Isso dificulta a proliferação desses males nas lavouras”, afirma Marmet.

O município de São José do Xingu foi o campeão em restauração de florestas, a partir dos trabalhos da campanha. Ao todo, foram 1.389,75 hectares de florestas em recuperação. “Foi um trabalho de fôlego e contamos com a parceira e ajuda de muitas pessoas do município para conquistar esta vitória”, explica Marmet.

Um dos produtores rurais que tiveram a experiência do plantio mecanizado de florestas foi Luiz Carlos Castelo, dono da fazenda Bang Bang, localizada em São José do Xingu-MT. Ele recuperou 250 hectares de matas ciliares em sua propriedade. “Já é possível ver a presença da vida animal, a água corre mais limpa e o solo tem mais umidade”, afirma Castelo. Ele diz acreditar ainda que sua propriedade irá se valorizar mais ainda por ter a área de floresta.

“Tenho certeza de que a maioria dos produtores rurais tem a consciência de que é necessário recuperar sua área verde para continuar produzindo. O problema é que sem fonte de recursos, um bom prazo e uma boa tecnologia, a recuperação fica inviável”, argumenta Castelo, que também cita a dificuldade de receber ajuda dos órgãos governamentais. “Alguns proprietários ainda têm preconceito e relutam em aceitar a ajuda de organizações não-governamentais, mas eu sugiro a quem tem um passivo ambiental que procure a ajuda dessas organizações e do seu sindicato rural para resolver seu problema”.

Amandio Micolino, proprietário da fazenda São Roque em Canarana-MT, também teve uma boa experiência com o plantio de floresta. Ele já tinha sua APP preservada e decidiu plantar mais árvores para “deixar alguma coisa para os filhos e netos”. Sua área em recuperação é de quatro hectares de Reserva Legal e ele pretende destinar mais quatro hectares para novo reflorestamento. “Gosto muito do jatobá, da seringa e da mamona. São espécies que dão um retorno financeiro para quem planta. Acho que as pessoas deveriam ser incentivadas a cultivar essas três plantas, que são uma grande riqueza para nós”.

Balanço dos trabalhos de restauração florestal, de 2006 a 2010:

- 2.081 hectares de florestas em processo de restauração florestal
- 370 propriedades têm sua Área de Preservação Permanente sendo restaurada
- 25 toneladas de sementes foram plantadas
- 200 espécies de plantas nativas foram utilizadas nos plantios

 
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