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Meios de comunicação: Máquinas de desinformação e violência

21.04.2018 | Fonte de informações:

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Meios de comunicação: Máquinas de desinformação e violência

Nelson Lombana Silva

Abril 2018

Fonte: www.pacocol.org

Os meios massivos de comunicação em Colômbia são verdadeiras máquinas de desinformação e violência cada dia mais a serviço de uma classe minoritária, a classe dominante [a burguesia], em detrimento da classe dominada, o povo [O proletariado].

O mundo intercomunicadíssimo não deixa de ser uma falácia, porquanto na realidade se poderia dizer que hoje existe mais incomunicação que comunicação. Se impõe a virtualidade sobre a realidade.

A guerra genocida que Donald Trump promove contra a Síria é apresentada por esses meios como simples jogo pirotécnico de crianças, um espetáculo horroroso que o inocente receptor capta como algo "natural" e "normal" numa sociedade convulsionada pelas contradições.

Antes dissimulavam e davam a impressão de serem neutros, democráticos e participativos. Hoje arrancaram a máscara e descaradamente se colocam esses meios com pés e mãos a favor da classe dominante.

Esses meios são verdadeiros consórcios, multinacionais e transnacionais exclusividade dos mais endinheirados do mundo, sustentados exclusivamente para terem o povo massacrado sem o menor remorso.

Muitos desses meios, inclusive, estão em mãos da máfia e do narcotráfico, porquanto o poder corruptor dos dinheiros mal tidos seduziram a pseudo jornalistas e pseudo comunicadores sociais, sobretudo aqueles desprovidos de ética e analfabetos políticos, que, sendo pobres, estão dispostos a defender a classe dominante e morrem por ela na absoluta pobreza e miséria.

O capitalismo corrompe tudo. Até as profissões mais nobres foram corrompidas pelo capital, disse-o Karl Marx em 1848 no famoso Manifesto Comunista.

Fazem sucesso agora as notícias falsas nas redes sociais, porém também na televisão, no rádio e nos impressos da grande burguesia. Referida prática produz milhões de dólares como também dividendos políticos a favor dessa classe dominante. No marco dessa infeliz prática encarceraram a Lula da Silva no Brasil, têm na mira ao presidente constitucional da irmã república bolivariana de Venezuela, Nicolás Maduro Moros etc.

Esses meios vêm sendo utilizados para alimentar a guerra e a violência, se conhece como guerra de quarta geração, dito macabro invento liderado pela CIA e o imperialismo norte-americano. Se converteram em meios para a morte e a mentira, a chantagem e a desinformação.

O jornalista é um pobre operário que vende sua força de trabalho por um salário miserável a essas máquinas monstruosas que posam descaradamente de filantrópicas. Não tem direito nem liberdade para pensar ou opinar, isto só é potestade dos donos do poder.

O melhor ofício do mundo

No entanto, o jornalismo é o melhor ofício do mundo, assim disse com tremenda autoridade o Nobel colombiano de literatura Gabriel García Márquez, definição que, a nosso ver, está perfeitamente ajustada à realidade.

A essa definição de Gabito lhe acrescentaríamos o poder imaculado que encarna. A força formidável que leva consigo e que precisamente levou a apátrida burguesia a tomar quase que à força a direção dos meios massivos [de comunicação]. Para muitos é o quarto poder em Colômbia, para nós outros é o primeiro.

Estamos à mercê do jornalismo. Dominados. Alienados. Desequilibrados. É a palabra única, a imagem única, assinala Eduardo Galeano.

Anteontem [18 de abril] estivemos numa reunião da Fundação para a Liberdade de Imprensa [Flip], na universidade de Ibagué, um encontro que projetava falar sobre a liberdade de imprensa na cidade de Ibagué. Se fazia presente seu diretor, Pedro Vaca, porém também importantes estudiosos desta bela atividade: Luisa Isaza, pesquisadora da Flip; Sinar Alvarado, Liga contra o Silêncio; Andrés Ortiz, docente desta universidade; e Beatriz Jaime, docente da universidad do Tolima.

Se bem que o evento não foi o ideal que esperávamos, permitiu algumas opiniões soltas sobre a realidade concreta que o jornalismo sofre no capitalismo. Beatriz Jaime mostrou claramente que "as universidades estão formando jornalistas para uns meios que não existem".

Por sua parte, Andrés Ortiz sustentou que a informação é um processo, uma produção, uma fábrica moderna para fabricar informação como denunciou em seu momento Karl Marx.

Também se ventilou neste foro a proliferação de "notícias falsas" nas redes sociais e nos demais meios de comunicação, com a gravidade de que o receptor as aceita e opina sobre elas como se fossem verdadeiras. As falsas notícias se converteram num vírus ou uma verdadeira pandemia no século XXI.

No entanto, consideramos que foi uma discussão superficial, porém sobretudo descontextualizada de realidade histórica que a humanidade vive. Uma discussão academicista para um cenário abarrotado de estudantes de jornalismo.

Depois de insistir e persistir para que nos permitissem opinar, conseguimos pelo espaço de quatro minutos. Que dissemos?

1.   O foro girou na dinâmica de questionar o trabalho do jornalista, como se tivesse a formação acadêmica, ética e econômica para assumir livremente o que diz e escreve diariamente.

 

2.   De acordo com a professora Beatriz Jaime quando diz que estamos buscando o problema nas savanas e não onde realmente deveríamos buscá-lo.

 

3.   O jornalismo é a melhor profissão do mundo, é a profissão mais linda, não o digo eu, disse-o Gabriel García Márquez.

 

4.   Há que olhar [estudar] o jornalismo em contexto e não por abstração. Se miramos esta atividade por abstração, terminamos nas nuvens divagando e em círculo vicioso.

 

5.   O jornalismo, como qualquer outra profissão, há que mirá-lo em contexto.

 

6.   Com base nisso, há que dizer que o modelo neoliberal arrasou com todas as profissões. Não é nada novo. Afirmou, em 1848, Karl Marx no Manifesto Comunista, quando disse que até as profissões mais nobres seriam permeadas pelo modelo capitalista.

 

7.   Hoje, no marco do modelo neoliberal, a reportagem, que era a busca da notícia, sua essência, suas contradições, sua veracidade, foi substituída pela publicidade. Como repórter não saio a buscar a notícia, senão que a publicidade para que me paguem. Na sala de redação, que era o cenário onde se qualificava a notícia, se dimensionava, se discutia sua veracidade etc para ser emitida, foi convertida em sala de censura. Esta notícia há que passá-la assim ou há que eliminá-la porque essa notícia afeta o consórcio X e esse consórcio é o que nos está financiado.

 

8.   Chamo a atenção a este cenário que é tão jovem, que está estudando, para que vejam que toda notícia tem duas caras e que é nosso dever apresentar as duas para que o receptor tenha elementos de juízo suficientes.

 

9.   Nossos meios massivos só apresentam uma versão, a versão do mais forte, a versão da classe dominante.

 

Por isso dizemos que esses meios são mais para obscurecer que para esclarecer, são mais para alienar que para informar, são verdadeiras máquinas repressivas e violentas postas a serviço da classe dominante.

Hoje vemos, por exemplo, como estão esses meios unidos para colocar presidente da classe dominante e contra Gustavo Petro que encarna a Colômbia humana, a Colômbia humilde, a Colômbia secularmente enganada e explorada.

Petro veio a Ibagué e superlotou de extremo a extremo o parque Manuel Murillo Toro, fenômeno que só se apresentava na melhor época de Santofimio ou do próprio Alfonso López Miquelsen. Que disseram a maioria dos meios de comunicação? Nada. Por outro lado, vem o narcoparamilitar número 82 Álvaro Uribe Vélez com seu palhaço Duque e se reúne com 50 pessoas e esses meios duram falando do tema dois e até três dias.

É duro, porém é a crua realidade que há que mudar, democratizando esses meios e permitindo que os jornalistas estejam bem alimentados, bem preparados, bem remunerados, com casa, saúde e educação e liberdade plena para dizerem a verdade e nada mais que a verdade sem adjetivos. Essa é a aposta de fundo. O demais são especulações fúteis.

Tradução > Joaquim Lisboa Neto

 

 
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