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Num hospital de recuperação

20.01.2009 | Fonte de informações:

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Conto presenciado…Hora da entrevista. Os que estão em atendimento com a psicóloga Marta, sigam para a sala 03 no primeiro andar…por Fahad Daher

=Esta chatice! Comentou o Herculano ao grupo com o qual mantinha conversa animada e contava piadas, alegremente.

- 17 dos membros do grupo se deslocaram desordenadamente pelo pátio, atravessando a seguir porta de ferro, onde estava um vigia e, seguindo pelos corredores, subiram as escadas e se alojaram nas carteiras da sala, entre zum zum de comentários aleatórios.

- Atras, um mulato, esguio, olhos fundos aparentando cansaço, batia ritimadamente uma caneta na carteira.

- Não havia silêncio, as conversas eram continuação do que havia no pátio, até que entrou uma senhora jovem, descuidadamente trajada, cabelos presos na nuca.Era a psicóloga Dna Marta.

=Bem, meus amigos! - Iniciou. - Porque vocês estão aqui internados? Logicamente sabem que se trata de permanecer um período isolados do contato com as drogas, para que tenham o raciocínio mais apurado e com capacidade de entender que a droga realmente parece que lhes dá um beneficio, mas que este benefício é ilusório, só do momento em que ela atua sobre o sistema nervoso e que depois vem por conseqüência a depressão. Quando retornam ao consumo, acarretam lesões dos neurônios que podem ser irreversíveis...

Pausa. Os internos ficavam se entreolhando como que perguntando um ao outro onde ela pretendia chegar.

=Algum de vocês tem alguma observação a fazer?

= Eu tenho! _Declarou o Juarez, um mulato franzino que ali estava sentado de lado _ Eu tenho! Muito bem, eu fico aqui trinta dias. Ficamos neste bate-papo. Eu me desintoxico em 30 dias? Ou ainda saio daqui com a carga do vício e na primeira ou segunda semana não consigo dominar a fissura? E se não conseguir dominar? Começa tudo outra vez? Volto aqui para a mesma preleção que escutamos hoje?

Risos no grupo. Comentários diversos pouco tumultuados. O funcionário que acompanha a psicóloga chama a atenção e pede silêncio. Ela retoma a palavra e prossegue:

= Depende muito de você. Nós mostramos o caminho. Estimulamos e após a internação permanecemos aqui esperando vocês para o trabalho de apoio de grupo. Vocês têm de adquirir vontade e coragem para autodomínio.

=É! _ Interveio o Antunes que sentava ao lado de Herculano _ Já ouvi esta preleção e agora após seis meses estou aqui, depois de 30 dias em Porto Alegre, durante outros 30 dias.

O hospital, um prédio antigo, assoalho de madeira, escadas de madeira, com corredor largo dando para salas laterais nas quais se desenvolvem sessões de encontros com psicólogos e auxiliares e onde raramente se encontra o psiquiatra, encarregado ou dirigente dos serviços.

Ao fundo do corredor uma porta de ferro onde permanentemente está um vigia, mais parecendo um ambiente penitenciário do que ambiente de tratamento de saúde.

Após a porta um grande pátio com construção relativamente recente e um campo vazio.

Nesta construção, quartos onde são alojados os internos em conjunto de dois ou três, quartos constantes de camas e armários moveis. Sanitários comuns no corredor

Refeitório com mesas longas, comuns, cadeira fixas na estrutura das mesas e todas as participações dos internados em comum, lembrando o quartel.

Fora das horas das entrevistas com os psicólogos, individualmente ou coletivamente, nada a fazer alem de algum jogo de baralho, xadrez, bate-papo ao correr da cuia de chimarrão e sem atividade física ou ocupação mental.

Novamente o Antunes chama o assistente que permanece entre os internados e interroga sobre a presença e a assistência do médico psiquiatra, argumentando que através da maior presença dele sentiria mais seguro o seu tratamento.

Como resposta ouviu que o profissional atendia a mais de um hospital e tinha seus compromissos na clínica particular e suas horas de presença neste hospital eram por pequenos períodos determinados.

O campo de futebol tomado pelo mato.

Momentos de Apenas ócio. Risos por pilhérias ou anedotas banais.

- Médico. – Apucarana

 
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