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Brasil mantém ações contra Gripe A

18.06.2009 | Fonte de informações:

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A atuação do Brasil no enfrentamento da pandemia de influenza A (H1N1) não muda após elevação do nível de alerta para a pandemia de influenza A (H1N1) de 5 para 6, realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O País havia se antecipado às medidas recomendadas pela OMS. A informação é do diretor de Epidemiologia da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Hage. Em entrevista exclusiva ao Em Questão, ele fala sobre as medidas tomadas pelo Brasil para conter a disseminação da doença e explica por que o País está em melhor situação que alguns vizinhos da América do Sul.

Em Questão - O que significa, na prática, a alteração do nível de alerta da influenza A pela OMS?


Eduardo Hage - A OMS divide o mundo em seis regiões administrativas. A Fase 5 é caracterizada pela propagação do vírus de pessoa a pessoa em, no mínimo, dois países de uma região. A Fase 6 ocorre quando essa propagação passa a ocorrer em, no mínimo, um país de outra região. A nova fase não significa maior gravidade dos casos - a letalidade no mundo é de 0,5%, considerada baixa pela OMS. O Brasil se antecipou a todas as medidas recomendadas pela Organização, por isso, a nova situação não muda os procedimentos do governo. Continuamos com a intensa vigilância adotada em portos, aeroportos e fronteiras, com o diagnóstico rápido dos casos suspeitos e com o monitoramento dos que tiveram contato direto com pessoas contaminadas.

EQ - Com a chegada do período de inverno, o Ministério prevê aumento dos casos da gripe A?


EH - Todos os anos há um aumento do numero de casos de influenza nesta época, em especial Sul e Sudeste e, em menor grau, Nordeste e Centro-Oeste. Desde 2000, o Ministério e as secretarias de saúde possuem sistema específico para monitorar este tipo de influenza. Hoje, o sistema funciona em todos os estados, por meio de 62 unidades sentinelas.

EQ - Por que alguns países vizinhos apresentam, proporcionalmente, muito mais casos que o Brasil?


EH - No caso específico do Chile, desde o inicio da epidemia não foram adotadas medidas de contenção como as do Brasil. Há, ainda, as baixas temperaturas, que facilitam a transmissão. A Argentina e o Uruguai também têm baixas temperatura nesta época do ano. No caso da Argentina, ocorreram surtos em escolas, o que não houve aqui, já que, em duas situações com risco de transmissão em creches, houve o fechamento temporário, o que contribuiu para evitar a disseminação.

EQ - Desde o primeiro anúncio da OMS, o que tem sido feito pelo governo brasileiro para conter a doença?


EH - Podemos resumir as ações nas seguintes linhas de atuação: monitoramento e ações de vigilância; notificações de casos; monitoramento de portos, aeroportos e fronteiras; recomendações aos viajantes; assistência aos casos e contatos; divulgação nos meios de comunicação; estruturação das redes de saúde; aquisição de insumos e tratamentos; e desenvolvimento de capacidade para produção da vacina contra o vírus.


Medidas do governo contra a doença:


* Reuniões diárias entre órgãos do governo federal; reuniões semanais do Grupo Executivo Interministerial (GEI) e videoconferências semanais com outros países e com os estados.
* Monitoramento constante de portos, aeroportos e fronteiras, com reforço da vigilância em todos os pontos de entrada no País.
* Organização da rede CIEVS, para notificação e investigação de casos suspeitos.
* Instalação de rede de capacitação dos profissionais de saúde.
* Organização do fluxo de envio de amostras para os três laboratórios de referência nacional: Instituto Adolfo Lutz (IAL), Instituto Evandro Chagas (IEC) e Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ/RJ).

* Definição de 53 unidades de referência hospitalar, com 1.270 leitos reservados, 173 deles com pressão negativa.
* Preparação dos primers (protocolos genéticos) para diagnóstico molecular da doença, compra de 80 mil testes rápidos e distribuição de um milhão de kits de proteção individual para a rede de referência.
Compra de matéria-prima suficiente para tratar nove milhões de pessoas e de 12,5 mil tratamentos para uso imediato; início do processo de aquisição de mais 800 mil tratamentos.
* Atualização constante do Portal da Saúde com informações úteis sobre a doença, notas técnicas diárias sobre a situação da gripe A, criação de línk para notificação de casos suspeitos e de hotsite sobre a doença.
* Distribuição de 4,3 milhões de panfletos trilíngues para viajantes internacionais e entrega de folhetos e cartazes na rede pública.
* Avisos sonoros durante os vôos internacionais e nos saguões dos aeroportos.

* Esclarecimento de dúvidas pelo Disque Saúde (080061 1997)
* Veiculação de comunicados e peças publicitárias de esclarecimento em TV e rádio
* Monitoramento de sites de relacionamento e blogs para evitar a disseminação de boatos e informações falsas sobre a doença.

 
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