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O espantalho comunista

18.03.2018 | Fonte de informações:

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Por Roberto Malvezzi (Gogó)

Uma onda de ataques à CNBB, ao Papa Francisco, retoma o velho espantalho do comunismo. Tão agressivos quanto ridículos, não mereceriam muita consideração se não causassem certos estragos nas pessoas mais simples. Desconfio também que muitos cardeais, bispos e padres se escondam por detrás dessas declarações. Pelo menos um desses padres ostensivamente contra a CNBB e Francisco, prega retiros para seminaristas, faz formação do clero em certas dioceses e nunca vi nenhuma dessas autoridades se posicionarem contra suas atitudes.

No mundo de hoje, que eu saiba, apenas dois países se declaram comunistas, isto é, Cuba e Coréia do Norte. Nem a China, governada por um partido que se diz comunista, mas que desenvolve um capitalismo agressivo e predador na realidade, é questionada por seus parceiros econômicos, inclusive os Estados Unidos.

Então, de onde vem essa onda que alcança o imaginário popular e sempre desperta nas pessoas medos e até pânico?

O primeiro motivo vem pela história do combate ao comunismo, do qual a Igreja Católica sempre fez parte. Segundo, porque é conveniente ao mundo do capitalismo predador dos tempos atuais manter esse espantalho nas praças midiáticas. Francisco já declarou que o "capitalismo mata" e isso não agrada à burguesia católica.

Uma coisa é certa, Deus não é capitalista. Se fosse, teria criado mundos privados para que cada um vivesse no seu mundo. Entretanto, os bens essenciais à vida, como terra, água, ar e luz são de todos, embora alguns já privatizem a terra, a água e agora o ar e o sol pela captação da energia eólica e solar.

Não é da vontade de Deus que apenas oito pessoas detenham a riqueza de 3 bilhões de humanos na face da Terra, ou que cinco brasileiros detenham a riqueza de 100 milhões de brasileiros, ou que 9 milhões de brasileiros tenham voltado à miséria depois do golpe. Se algum cristão, incluindo os católicos, se esquecem dessa realidade, basta ler o capítulo 25 de São Mateus. Ali está bem claro o que Ele pensa.

Mais grave ainda, muita gente quer ir para o céu e vive preocupado por sua salvação eterna. É bom lembrar que no Reino de Deus não há propriedade privada - origem das classes sociais -, não haverá autoridades e nem instituições para mediar as relações, mas todos estaremos em pé de "igualdade" como irmãos diante do único Deus. E como diz a bíblia, "os pobres possuirão a Terra".

Portanto, quem acha que vai ter cargos especiais e propriedade privada até na eternidade, no mínimo vai ter que passar pelo purgatório para aprender a ser gente. Se não quiser, já sabe qual o destino eterno que lhe aguarda.

 

Roberto Malvezzi (Gogó) é bacharel em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. É assessor de Movimentos e Pastorais Sociais.

 

 
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