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A muito "inaudita" semântica do Império

17.03.2015 | Fonte de informações:

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A muito

A muito "inaudita" semântica do Império
12/3/2015, Moon of Alabama -- http://www.moonofalabama.org/2015/03/the-most-outlandish-empire-semantics.html


O governo dos EUA (PIB US$ 17,5 trilhões) declara que a situação na Venezuela (PIB US$ 438,28 bilhões):


... constitui ameaça inusual e extraordinária contra a segurança nacional e a política exterior dos EUA.


A tal 'ameaça', diz a Casa Branca, requer:


... que se declare uma emergência nacional, para enfrentar aquela ameaça.


"Por que", perguntam os venezuelanos, inclusive a oposição patrocinada pelos EUA, "vocês acham que seríamos ameaça inusual e extraordinária, que requer que vocês nos declarem emergência nacional?

"Não achamos, nem por um instante, que vocês sejam ameaça inusual e extraordinária que exige que declaremos emergência nacional" - é a resposta:


Funcionários em Washington disseram que declarar a Venezuela ameaça à segurança nacional foi mera formalidade.


"Formalidade"? perguntam os venezuelanos. "Por que seria formalidade nos ver comoameaça inusual e extraordinária à segurança nacional de vocês? A coisa não faz sentido. E depois, inventarão o quê? Nos matarão também por simples formalidade?"

"É formalidade necessária para podermos aplicar sanções a alguns dos funcionários do governo de vocês", explica um alto funcionário dos EUA, que pede que seu nome não seja divulgado. "A lei exige que nós declaremos vocês ameaça inusual e extraordinária à segurança nacional, o que exige que nós declaremos emergência nacional."

"Mas não somos ameaça alguma. O senhor mesmo acaba de dizer. Assim sendo, porque os EUA sancionariam nossos funcionários, se, como o senhor acaba de dizer, os EUA não têm qualquer base real para qualquer sanção? Sobre que base legal os EUA estão agindo? Por que as sanções?" 

"Porque a situação na Venezuela... constitui ameaça inusual e extraordinária à segurança nacional e à política exterior dos EUA o que exige que declaremos emergência nacional para lidar com aquela ameaça."

"É como declarar guerra contra nós. Nada disso faz sentido algum". 

"Ora... É apenas uma formalidade."


---


Seria o caso de declarar que o que acima se lê é a "mais inusual" imbecilidade que o governo dos EUA poderia produzir. Mas não. Há coisa pior.

O presidente Maduro da Venezuela respondeu na Assembleia Nacional:


"A agressão e a ameaça do governo dos EUA é a maior ameaça que a República Bolivariana da Venezuela, nosso país, jamais recebeu" - disse o presidente; foi aplaudido. [...] "Vamos cerrar fileira como um só corpo de homens e mulheres. Nós queremos paz." 

O presidente venezuelano falou de intervenções militares passadas na América Latina e avisou que os EUA estão preparando invasão e bloqueio naval contra a Venezuela.

"Em nome de direitos humanos, estão-se preparando para invadir a Venezuela" - disse ele.


Durante os últimos 125 anos, foram pelo menos 56 intervenções dos EUA na América do Sul por operações militares ou de inteligência. Esse país eternamente invasor e interventor é o mesmo que acaba de declarar que a Venezuela seria ameaça inusual e extraordinária à segurança e à política exterior dos EUA que exige que se declare uma emergência nacional.

Certamente, nada há de inusual em Maduro interpretar tal declaração como primeiro movimento de mais uma das tantas vezes repetidas intervenções dos EUA contra países da América Latina. Especialmente quando há funcionários dos EUA que viajam disfarçados pela Venezuela distribuindo dinheiro para partidos de oposição. 

Maduro não é o único a ver nisso tudo mais uma ameaça de intervenção norte-americana. Todas as nações da América do Sul já condenaram a declaração dos EUA, inclusive políticos que os EUA financiam na Venezuela, todos ofendidos pelo gesto de Obama.

Mas para o proverbial sempre anônimo funcionário do governo dos EUA, os EUA é que seriam vítimas dos venezuelanos que protestaram "absurdamente":


"Chama a atenção que o governo venezuelano se ponha a dizer as coisas mais inauditas sobre o governo dos EUA - que seria a 16ª ou 17ª tentativa de golpe que estaríamos fazendo contra eles? Que estamos invadindo alguma coisa?" - disse o mesmo funcionário. - "A vida média dessas acusações é o quê? Um dia? Dois dias? Até o mais tolo dos consumidores de mídia verá que não há invasão alguma."


Ah! Considerando o duplifalar dos EUA em todo esse affair, melhor todos tomarem muito cuidado com a parte de "não há invasão alguma". ******

 

 
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