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FARC - Comunicado público: Que a paz não nos custe um morto mais

05.10.2017 | Fonte de informações:

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Comunicado público: Que a paz não nos custe um morto mais

Escrito por Força Alternativa Revolucionária do Comum

Convocamos a todos os setores da sociedade, que ansiam a convivência pacífica para nosso país a que nos pronunciemos e nos mobilizemos em defesa da vida, como premissa fundamental para que possa haver paz estável e duradoura.

O Conselho Político Nacional da Força Alternativa Revolucionária do Comum rechaça as ameaças contra a Fundação Legado e a organização Juventude Rebelde, enviadas por meios eletrônicos em nome das Auto Defesas Unidas de Colômbia, AUC.

A Fundação Legado agrupa jovens, filhos e filhas e familiares de combatentes das FARC-EP, caídos ou mortos, no transcurso do longo conflito que dilacerou nossa pátria por mais de 50 anos, e tem como objetivo recuperar e manter a memória destes/as colombianos e colombianas que dedicaram suas vidas à nobre causa de buscar uma sociedade mais justa para as novas gerações.

Juventude Rebelde é uma organização ampla de jovens, comprometidos com a construção de uma pátria em paz, democrática e com justiça social. 

Na dita organização militam integrantes da Força Alternativa Revolucionária de Colômbia.

Toda vez que, desde a firma do Acordo de Paz, foram assassinados 5 ex-combatentes, 9 milicianos e 11 familiares de integrantes das FARC-EP, para um total de 25 assassinatos, sem que até o momento tenha sido aclarado um só destes crimes pela Promotoria, ocupada em entorpecer a posta em funcionamento da Unidade Especial para o desmantelamento do paramilitarismo, em atacar o processo de paz, e em ocultar os escândalos de corrupção que a afetam diretamente, com trapaças midiáticas.

Exigimos do Governo Nacional plenas garantias para que, no marco dos acordos de paz firmados, estas ameaças não fiquem na impunidade, dada sua gravidade; e as consequências que têm para a sociedade o fato de que se atente desta forma contra o direito de todos os colombianos a se associarem livremente.

Tal como reza no Acordo: "...as garantias de segurança são uma condição necessária para consolidar a construção da paz e da convivência, e em particular para garantir a implementação dos planos e programas aqui acordados, garantir a proteção das comunidades e de líderes comunitários, de defensores/as de direitos humanos, dos partidos e dos movimentos políticos e sociais, e especialmente do novo movimento ou partido político que surja do trânsito das FARC-EP à atividade política legal, assim como de seus integrantes em processo de reincorporação à vida civil".

Além disso: "O Governo Nacional garantirá a implementação das medidas necessárias para intensificar com efetividade e de forma integral as ações contra as organizações e condutas criminais responsáveis por homicídios e massacres, que atentam contra defensores/as de direitos humanos, movimentos sociais ou movimentos políticos que ameacem ou atentem contra as pessoas que participem na implementação dos acordos e na construção da paz, incluindo as organizações criminais que tenham sido denominadas como sucessoras do paramilitarismo e suas redes de apoio.

"Garantias de Não Repetição: o Estado adotará as medidas para garantir o esclarecimento do fenômeno paramilitar, evitar sua repetição e garantir o desmantelamento das organizações e condutas criminais responsáveis por homicídios e massacres, e violência sistemática em particular contra as mulheres, ou que atentam contra defensores/as de direitos humanos, movimentos sociais ou movimentos políticos, ou que ameacem ou atentem contra as pessoas que participam na implementação dos acordos e na construção da paz".

Nessas circunstâncias, pedimos que se convoque de maneira imediata uma reunião extraordinária da Comissão Nacional de Garantias de Segurança, para que se informe sobre a gravidade da situação de segurança que afeta os combatentes em processo de reincorporação, a suas famílias, as comunidades e os territórios onde se encontram os Espaços Territoriais de Reincorporação e Capacitação, assim como aqueles onde historicamente marcaram presença as FARC-EP.

Da mesma maneira, instamos as instâncias internacionais de verificação: os ex-presidentes Pepe Mujica, Felipe González; a Missão Política Especial de Verificação das Nações Unidas, que tem entre seu mandato verificar a Reincorporação política, as garantias para o novo partido ou movimento político que surja do trânsito das FARC-EP à vida política; ademais da incorporação econômica e social, a que tomem nota deste pronunciamento para que o tenha a ver com as funções que lhes destina o Acordo.

Convocamos a todos os setores da sociedade, que desejam a convivência pacífica para nosso país a que nos pronunciemos e nos mobilizemos em defesa da vida, como premissa fundamental para que possa haver paz estável e duradoura.

Que a paz não nos custe um morto mais.

 

Tradução > Joaquim Lisboa Neto

 

 
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