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Os EUA e o fracasso na campanha contra o Estado Islámico

31.12.2014 | Fonte de informações:

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Militantes do Estado Islâmico (AP/Khalid Mohammed)

Prensa Latina - A campanha bélica dos Estados Unidos contra o Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria, tem sido um dos desafios mais significativos do presidente Barack Obama durante o ano de 2014. 

Na opinião do senador republicano John McCain, crítico incansável do chefe da Casa Branca, esse grupo fundamentalista é o maior perigo que o país norte-americano enfrentou depois do fim da Guerra Fria.

Quando o EI iniciou sua ofensiva em junho passado, os serviços de espionagem norte-americanos foram incapazes de apreciar as capacidades reais deste grupo, que em um curto tempo ocupou praticamente um terço do território iraquiano.

Apesar das recentes afirmações sobre supostas vitórias das operações militares contra os fundamentalistas, o certo é que seis meses após o início do arrojador avanço destes, o tema permanece como um ponto chave nas agendas de Obama e do Congresso.

O chefe da Casa Branca fez uma reunião no dia 3 de dezembro passado com os principais chefes militares para analisar a situação criada depois da renúncia do chefe do Pentágono, Charles Hagel, quem permanece em seu cargo até a confirmação de seu sucessor nomeado, o ex-subsecretário de Defesa Ashton Carter.

Segundo o jornal Stars and Stripes, na reunião foi analisada a incerteza que existe em torno da estratégia da Casa Branca para combater os jihadistas no Iraque e na Síria, pois, ainda que Obama tenha enviado cerca de três mil militares, ele se nega a usar tropas terrestres diretamente nos combates.

Desde 8 de agosto passado, os Estados Unidos desenvolvem uma campanha aérea contra os grupos do EI no Iraque, além de realizar uma operação similar a partir de 23 de setembro contra alvos jihadistas na Síria, sem a anuência do governo de Damasco.

Aviões de combate norte-americanos e de seus aliados realizaram até o momento mais de mil bombardeios contra objetivos dos fundamentalistas em ambos os países do Levante, a um custo que supera os 776 milhões de dólares, mas com resultados medíocres.

Apesar de que em alguns casos os golpes retardaram a ofensiva do EI, em geral para a aviação militar é muito difícil distinguir com efetividade os alvos a que devem ser atingidos, no meio de uma guerra irregular onde os grupos de um e do outro lado estão a muito pouca distância uns dos outros.

No território iraquiano, Washington utiliza aproximadamente três mil efetivos das Forças de Operações Especiais (FOE), unidades elites do Pentágono, em tarefas de assessoria e para garantir a segurança nas instalações estadunidenses no país árabe.

Mas sua missão tem sido muito difícil, o que o jornal The Washington Post considerou como "a deterioração moral e física das forças armadas iraquianas", que enfrentam um "colapso psicológico" diante da ofensiva do EI.

Segundo Chris Edelson, professor da Escola de Assuntos Públicos da American University, "esta catástrofe que a Casa Branca hoje enfrenta é consequência direta da terrível decisão de invadir esse país em 2003".

Esta ideia, baseada nos princípios básicos dos manuais de contra-insurgência e da Guerra Não Convencional (GNC), trouxe poucos resultados positivos concretos para Washington,

Obama solicitou oficialmente em 7 de novembro ao Capitólio cinco bilhões 600 milhões de dólares para continuar a disputa e anunciou também o envio de mil 500 soldados.

Paralelamente, o Departamento de Defesa iniciou uma nova tática para treinar o exército do Iraque, destinada a eliminar deficiências na campanha contra os jihadistas e garantir a segurança dos militares norte-americanos.

Os procedimentos incluem a preparação de soldados iraquianos para que sirvam como indicadores de alvos no território para os pilotos estadunidenses que atacam o EI, sem necessidade de que os assessores do Pentágono corram riscos junto às tropas iraquianas.

Quanto à Síria, além dos bombardeios que o Pentágono realiza ali desde 23 de setembro passado contra alvos do EI, Washington reforçou suas ações subversivas destinadas a derrubar o presidente Bashar al-Assad.

Nestas atividades, as FOE têm um papel fundamental dentro de Síria e a partir de países vizinhos no financiamento e treinamento dos grupos de oposição ao governo.

Durante quase todo o ano de 2014, os Estados Unidos implantaram uma combinação de missões: a presença de grupos navais e aéreos em zonas próximas ao território sírio, como mecanismo de pressão militar e psicológica, bem como o treinamento e ajuda aos grupos armados contra o governo.

Agora Washington e o governo turco preparam um programa para aumentar a ajuda aos ditos grupos, que inclui a criação de uma zona "de segurança" na parte turca da fronteira com o país árabe.

Segundo cálculos de organismos internacionais, em solo sírio atuam milhares de mercenários de mais de 80 países, muitos deles vinculados à rede Al-Qaida e em sua maioria procedentes da Arábia Saudita, Iraque, Líbia e Tunísia, através da Turquia.

As dificuldades que os Estados Unidos enfrentaram durante 2014 não são conjunturais, senão que sistêmicas em sua política de segurança nacional e fazem parte dos espaços vazios que Washington tem deixado na aplicação de seus próprios conceitos estratégicos, dizem os analistas.

Esta conjuntura desfavorável tem sido motivo de fortes confrontos entre Obama e o Congresso, não só pela mediocridade das operações, senão porque o presidente deseja um aval legislativo para continuar, uma espécie de cheque em branco.

O chefe da Casa Branca quer que o Capitólio o autorize a usar a força e renovar a permissão que essa instância de poder tinha outorgado em 2001 e 2002, respectivamente, ao seu predecessor, George W. Bush, para as guerras no Afeganistão e no Iraque.

No entanto, para muitos analistas a disputa atual não é continuidade das operações contra o terrorismo que Bush iniciou sob o pretexto dos atentados de 11 de setembro de 2001, algo sobre o qual democratas e republicanos não chegam a um consenso.

As principais diferenças sobre o tema estão em quais serão os termos que serão empregados no chamado projeto de Autorização para o Uso da Força Militar (AUMF), motivo pelo qual é muito difícil que o Capitólio o autorize durante as sessões de encerramento do atual ciclo legislativo.

O senador McCain deseja que a "declaração de guerra" inclua uma permissão explícita para a realização de ataques aéreos contra unidades do governo do presidente Bashar al-Assad, a quem Washington e seus aliados pretendem tirar do poder a todo custo.

Apesar das dificuldades que analistas, acadêmicos e congressistas estadunidenses atribuem à campanha do Pentágono contra os fundamentalistas, a Casa Branca e seus aliados tentam impor um ponto de vista diferente.

Representantes da coalizão militar liderada por Washington reunidos em Bruxelas, Bélgica, afirmaram em 3 de dezembro que as operações bélicas finalmente estão detendo a ofensiva dos jihadistas no Iraque e na Síria.

No entanto, líderes da região rejeitam essa ideia triunfalista e em particular os governos da Síria e do Irã criticam os ataques aéreos dirigidos pelos Estados Unidos e apontam que não tiveram o efeito esperado.

O secretário de Estado, John Kerry, parece dar a razão àqueles que são céticos sobre os resultados desta guerra contra os fundamentalistas, ao afirmar recentemente que a campanha poderia se prolongar por anos.

Quiçá por isso Hagel perdeu seu cargo de direção do Pentágono, e nas próximas semanas assumirá Carter, quem segundo os meios de imprensa estadunidenses terá um processo fácil de confirmação no Senado, diferentemente de seu antecessor.

Segundo o jornal The New York Times, o futuro chefe do Departamento de Defesa é mais propenso ao uso da força em ultramar, "ainda que veremos se será capaz de fazer frente a um grupo integrado, entre outros, pela assessora de segurança Nacional, Susan Rice".

De qualquer maneira, o ano de 2014 termina sem boas notícias para Obama quanto às suas intenções expressas de "degradar e finalmente destruir" o EI, mas em 2015 as dificuldades podem ser ainda maiores, quando o Congresso iniciar suas sessões no próximo 6 de janeiro, com sua maioria republicana.

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