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Putin defende multi-lateralismo

31.01.2006 | Fonte de informações:

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Numa conferência de imprensa em Moscovo hoje, Vladimir Putin explicou as linhas guia principais da política seguida pelo seu governo, no ano em que a Federação Russa preside ao Grupo dos Oito países mais desenvolvidos.

Na política externa, Vladimir Putin realçou o empenho de Moscovo numa abordagem multilateral à resolução de crises (uma alternativa à abordagem unilateral defendida por Washington, Londres e um clique de nações ansiosas a ganhar favores, que resulta no tipo de situação visível no Iraque).

Quanto à política interna, o Presidente da Federação Russa esclareceu muitos pontos de interesse aos jornalistas, entre os quais a política de energia e liberdade para os média e Organizações Não Governamentais.

Vladimir Putin defende uma política económica baseada na convertibilidade do RUR, da contínua diminuição da taxa de inflação e a redução dos impostos.

Política externa: Multilateralismo

Acreditando que os conflitos étnicos e territoriais só podem ser resolvidos por princípios universalmente aceites, Vladimir Putin declarou que “Os princípios têm de ser universais, porque qualquer outra abordagem não ganharia a confiança das partes”, explicando que se uma decisão for tomada acerca de Kosovo, por exemplo, poderia ter implicações na Abkhazia ou na Ossétia Sul, por isso há que haver um consenso internacional. Para tal, a Rússia de Vladimir Putin há muito tempo defende o uso do Conselho de Segurança da ONU para discussão e consenso na comunidade internacional.

Enriquecimento de urânio

Moscovo propõe a criação de centros internacionais para o enriquecimento de urânio, para depois fornecer este combustível a países interessados em adquirir centros de energia nuclear, numa base não discriminatória. Assim, combustível para centrais nucleares poderia ser fornecido a países como o Irão sem que a comunidade internacional tivesse de se preocupar com as consequências.

A Rússia está pronta para estabelecer um centro para enriquecimento de urânio para fornecer combustível nuclear a terceiros numa base não discriminatória, sob os auspícios da Agência Internacional de Energia Atómica.

RP China

O balanço comercial entre a Federação Russa e a República Popular da China poderá chegar a 60 biliões de USD até 2010, de acordo com as declarações do Presidente. Já em 2005, as trocas comerciais chegaram a 29 biliões de USD.

OMC

“O problema principal hoje é a resolução da questão com os EUA. Todos os outros países apoiaram os esforços da Rússia em aderir à Organização Mundial do Comércio”, disse Vladimir Putin.

À Federação Russa falta concluir negociações com os EUA, Austrália e Colômbia, no grupo de 58 países no Grupo de Trabalho que determina as negociações acerca da adesão da Rússia à OMC.

Vladimir Putin declarou que sabe que o Presidente dos EUA, George Bush, favorece a adesão da Rússia à OMC mas que “num nível político, certos passos comprometedores terão de ser feitos”.

Política interna: Energia

Vladimir Putin declarou que Moscovo não tem qualquer intenção de utilizar o sector de energia como arma política. “Nós não ferimos os nossos clientes, se estamos a falar dos países da antiga URSS. Simplesmente queremos criar condições iguais para eles e acreditamos que está certo assim”, declarou o Presidente.

Relativamente à recente disputa com a Ucrânia, Vladimir Putin disse que há muito tempo ambas as partes tinham estado a falar da necessidade de seguir uma abordagem baseada no preço do mercado.

Vladimir Putin acrescentou que Moscovo não tenciona monopolizar o sector de petróleo e gás, nem qualquer das principais empresas petrolíferas. No entanto, afirmou que em muitos países da OPEP, os recursos estão sob o controlo do governo.

Realçou que o seu governo vai continuar a sua política de joint-ventures: “O governo russo tem permitido o desenvolvimento de vastos recursos em joint-ventures. Continuaremos a prosseguir neste caminho”.

Quanto às reservas, o Presidente disse que o potencial das reservas russas no sector de energia está muito em excesso das estimativas actuais. Só o depósito de Shtokman, no Mar de Barents, tem reservas para fornecer 90 biliões de metros cúbicos de gás, por ano, todos os anos, durante o próximo meio-século, rematou o Presidente.

Média

A média internacional levanta esta questão sempre que pode e mais uma vez, a resposta de Vladimir Putin foi cristalina: o governo não impõe quaisquer restrições sobre a liberdade de expressão mas sim zela pela imposição de responsabilidade (por exemplo, não providenciar segredos de estado a terroristas ou a terceiros).

“O governo não tem qualquer intenção de aumentar a consciencialização social dos média por restringir a liberdade de expressão,” declarou o Presidente, acrescentando que lhe agrada ver o aparecimento de jornalistas cada vez mais qualificados na Rússia, elogiando os seus conhecimentos profundos.

O Presidente disse que tradicionalmente, os russos confiam na média e quer que todos os jornalistas se sintam pessoalmente responsáveis por aquilo que escrevem.

Quanto aos ONG, Vladimir Putin disse que o governo não tem nada contra a existência destas organizações, mas defende que o seu financiamento seja transparente e que não sejam utilizadas como fantoches por elementos exteriores.

Política económica

As vertentes da política económica são a convertibilidade do Rublo e uma redução nos impostos e na taxa de inflação, fortalecendo uma economia que gozou da alta em preços de petróleo em 2005.

Vladimir Putin programa uma redução no nível de inflação no próximo futuro a 3 – 4% (em 2005 a taxa foi 10,9% e a meta é entre 8 e 9% em 2006) e declarou a sua satisfação com a economia ao longo de 2005, quando o PIB cresceu por 6,4% e se viu um aumento nas pensões por 13% e salários médios por 9,8%.

Reservas de ouro e divisas estrangeiras aumentaram para 185 biliões de USD em 2005, comparado com 12 biliões em 2000 e a Federação Russa irá continuar a sua política de pagar a sua dívida externa antecipadamente. Em Outubro de 2005 a dívida externa da Rússia foi 86,8 biliões de USD.

O Conselho de Ministros aprovou esta semana uma redução da IVA de 18% a 13% e o Presidente considera que a redução dos impostos terá de continuar como base para uma estimulação da economia a nível interna.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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