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Parceria e concorrência no sector de gás liquefeito

28.12.2004 | Fonte de informações:

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As exportações cada vez mais maiores de recursos energéticos são a principal causa do impressionante crescimento económico da Rússia, que dura há já alguns anos.

Segundo Guerman Gref, ministro do Desenvolvimento Económico e Comércio, este ano é esperado um recorde nas exportações de gás natural, que totalizarão 198 biliões de metros cúbicos (189,4 biliões em 2003). De acordo com os dados do ministro, até 2007 as exportações de gás poderão atingir 243 a 252 biliões de metros cúbicos.

No ano passado, a sociedade anónima Gazprom, controlada pelo Estado, obteve 16,5 biliões de dólares provenientes das exportações, dos quais mais de 7 biliões de lucro líquido. No ano que finda, de acordo com as previsões dos analistas russos, as exportações do consórcio de gás atingirão 18 biliões de dólares.

Lembremos que o consórcio russo exporta gás para 9 países da Europa (inclusive, para a Turquia). Em 2003, foram vendidos 90 biliões de metros cúbicos de gás à Europa Ocidental, 43,3 biliões à Europa de Leste e 42,6 biliões aos países da Comunidade de Estados Independentes (CEI) e do Báltico.

Os novos projectos de construção de gasodutos

Num futuro próximo o Velho Mundo continuará a ser o principal parceiro comercial da Gazprom. Segundo alguns dados, com base nos contratos já assinados, em 2010 as exportações de gás natural para a Europa atingirão 180 biliões de metros cúbicos. Para isso já está a ser construído o gasoduto Yamal-Europa através da Bielorrússia e Polónia, com uma capacidade de cerca de 35 biliões de metros cúbicos. Além disso, são estudados também novos projectos, inclusive o Gasoduto Norte-Europeu.

Este projecto de transporte extremamente ambicioso permitirá fornecer o gás siberiano directamente aos europeus contornando os territórios de terceiros países. Este gasoduto submarino de quase 1200 quilómetros será construído nas águas neutras ligando a cidade russa de Vyborg (Golfo da Finlândia) à Alemanha. A seguir, o gás será transportado através das artérias existentes para as Ilhas Britânicas.

Planeia-se que a capacidade de uma só linha deste gasoduto com tubos de 1067 mm de diâmetro e 200 atmosferas de pressão seja de 19 biliões de metros cúbicos. Se no fundo do Báltico forem colocados dois tubos, a capacidade do gasoduto será de 30 biliões. É indubitável que as experiências adquiridas pela Gazprom na construção do gasoduto submarino "Corrente Azul" Rússia-Turquia através do Mar Negro serão aproveitadas também no Báltico.

Apesar do seu custo de cerca de 6 biliões de dólares, o gasoduto submarino tem uma série de vantagens. O principal é que se torna desnecessário chegar a acordo com quase meia dúzia de países e pagar pelo trânsito do gás. A "torneira" da linha principal do gasoduto ficará nas mãos de Moscovo.

Claro que a "via báltica" do gás russo para a Europa foi uma surpresa não muito agradável para os países vizinhos da Rússia que se sentem excelentemente como intermediários do trânsito de gás.

Os projectos de gás russos e a Grã-Bretanha

O Gasoduto Norte-Europeu terá ramais submarinos para a Região de Kaliningrado, a Finlândia, a Suécia e a Dinamarca. A Grã-Bretanha será o ponto final do gasoduto em projecção e um dos maiores países consumidores da Europa: o Reino Unido consome mais de 100 biliões de metros cúbicos de gás por ano.

Pergunte-se: para que necessita a Grã-Bretanha do gás russo? Neste país não falta por enquanto o seu próprio gás. Mais ainda, a plataforma continental inglesa satisfaz não só as necessidades da economia nacional, mas também permite exportar uma parte do gás produzido para o continente. O gasoduto de reserva "Interconnectore" construído da Europa para as Ilhas Britânicas, com capacidade de 20 biliões de metros cúbicos de gás por ano, funciona actualmente em regime reversivo enviando para exportação 5 biliões de metros cúbicos de gás inglês por baixo do canal da Mancha.

Mas a próxima perspectiva é menos radiante. Os analistas britânicos vaticinam uma queda gradual na produção de gás inglês (2 por cento ao ano). É de notar que isso acontecerá paralelamente ao crescimento das necessidades da economia. Já foi calculado que até 2010 faltarão 85 biliões de metros cúbicos. No entanto, em caso da construção do Gasoduto Norte-Europeu, o gás da Sibéria começará a ser fornecido à Grã-Bretanha depois de 2007. Planeia-se que o gasoduto atinja a capacidade projectada em 2010.

A União Europeia considera a realização do projecto do Gasoduto Norte-Europeu como um importantíssimo elo do campo energético continental. Por isso, há três anos este gasoduto ocupou a primeira posição na lista dos empreendimentos prioritários, e a UE atribuiu-lhe o estatuto TEN (integração nas redes trans-europeias).

No Continente Europeu existem duas produtoras poderosas de gás: a Rússia, que em 2004 extrairá cerca de 640 biliões de metros cúbicos de gás, e a Noruega (cerca de 80 biliões), para além de mais alguns países que o produzem em volumes relativamente pequenos. A quota-parte de Moscovo e Oslo, principais agentes no mercado europeu de gás, constitui 25 e 15 por cento respectivamente.

Mas já existem previsões de que nos próximos 20 anos a quota-parte russa poderá ultrapassar 50 por cento. Moscovo e Oslo têm grande potencial para o aumento da produção e exportação de gás. Mas se a plataforma continental russa do Mar de Barents (jazigo de Chtokmanovskoe) e as províncias de gás dos Urais e da Sibéria situados ao norte do Círculo Polar ainda não atingiram o devido nível de exploração, o gigantesco jazigo de Troll da Noruega tornar-se-á até 2030 praticamente o único jazigo na plataforma continental norueguesa e isso segundo as previsões mais optimistas.

Por isso, muita gente na Europa expressa a ideia paradoxal de que o mais provável é que no futuro o gás natural liquefeito russo faça concorrência ao gás natural comum russo no continente e, numa perspectiva ainda mais distante, à energia eléctrica russa.

O Gás natural liquefeito russo

Se o actual ritmo de extracção se mantiver, as reservas de gás natural da Sibéria e do Norte serão suficientes para 81 anos. Por isso, a Rússia tenciona desenvolver a produção e exportação de gás liquefeito. Em 2003, todo o consumo mundial de gás liquefeito foi pouco inferior a 140 milhões de toneladas dos quais 11 milhões corresponderam aos EUA. Mas já até 2010 só as importações deste gás pelos EUA atingirão 46 milhões de toneladas.

Na Rússia funcionam actualmente 17 produções relativamente pequenas com capacidade total da ordem de 7 milhões de toneladas de gás liquefeito (2001). Metade desta produção é consumida pelas empresas petroquímicas. O resto é exportado e usado nos sectores habitacional e do transporte. Assim, em 2002 foram produzidas pouco mais de 1 milhão de toneladas destinadas à exportação para os países da CEI e do Báltico.

Entre os projectos de modernas empresas de liquefacção de gás natural assinalemos a empresa em construção "Prigorodnoie" no sul da ilha Sacalina com capacidade de 9,6 milhões de toneladas por ano que entrará em funcionamento em 2007. O produto será importado por companhias energéticas japonesas e coreanas. Os americanos estão igualmente interessados no gás liquefeito de Sacalina e concluíram um contrato a longo prazo sobre a importação de 37 milhões de toneladas deste gás.

O transporte do gás será efectuado por petroleiros americanos para o terminal da Energia Costa Azul que está a ser construído no Estado mexicano de Baja Califórnia. Os EUA começam a realizar o programa de construção, no litoral oriental, de 20 a 34 terminais de gás liquefeito (actualmente funcionam apenas 4) tendo em conta, inclusive, as importações provenientes da Rússia.

Na parte europeia da Rússia representa interesse o projecto conjunto da Gazprom e da Petro-Canadá que propõem construir perto de São Petersburgo uma potente fábrica de gás liquefeito. Existe a informação de que a Chevron Texaco, outra parceira do consórcio russo de gás, estuda também a possibilidade de construir uma empresa de liquefacção de gás na parte europeia da Rússia.

A ConokoPhilips americana, a Norsk Hydro norueguesa, a Total francesa e o grupo internacional Royal Dutch-Shell já propuseram à Rússia as suas propostas acerca da exploração do jazigo de Chtokmanovskoie no Mar de Barents e da construção de uma fábrica de gás liquefeito.

A cooperação com a Noruega é igualmente promissora para a Rússia. São justamente os noruegueses que desde 2002 realizam o primeiro projecto de liquefacção do gás extraído no jazigo polar "Snow White" na parte norueguesa do Mar de Barents. É o primeiro projecto deste tipo na Europa. As suas reservas são estimadas em 190 biliões de metros cúbicos de gás e em mais de 20 milhões de toneladas de condensado de gás. Embora o "Snow White" seja 15 vezes inferior ao jazigo de condensado de gás "Chtokmanovskoie" cujas reservas totalizam 3,2 trilhões de metros cúbicos de gás e 31 milhões de toneladas de condensado, as condições de sua exploração são análogas. Ambos eles encontram-se na plataforma continental ao norte do Círculo Polar, planeia-se construir as fábricas de liquefacção no litoral - em Hammerfest e Murmansk - e colocar gasodutos entre as sondas de perfuração e as fábricas de 143 km e 300 km respectivamente. A capacidade da primeira linha da fábrica norueguesa é de 4 milhões de toneladas de gás liquefeito por ano e a capacidade planeada da fábrica de Murmansk será superior a 10 milhões de toneladas. Por isso, as experiências norueguesas são tão importantes para os especialistas da Gazprom.

Como transportar o gás para a Europa: por mar ou pelo gasoduto?

O mais provável é a realização paralela de ambas as variantes. Estão em fase final o estudo do projecto de construção do Gasoduto Norte-Europeu e a preparação da sua documentação técnica. Está a ser formado o consórcio financeiro internacional para a sua construção. Simultaneamente será iniciada a exploração dos jazigos de gás na plataforma continental e calculado o valor das fábricas de liquefacção de gás natural em Murmansk, Arkhanguelsk e Ust-Luga (porto no Báltico). Planeia-se também construir uma fábrica de liquefacção de gás siberiano em Arkhanguelsk.

A verdade é que existem algumas dúvidas quanto à construção da fábrica em Ust-Luga. O Báltico já está bastante sobrecarregado de petroleiros russos. Dentro em breve os estreitos dinamarqueses pouco profundos atingirão o limite de trânsito. As cidades mais setentrionais, que têm saída para o Atlântico Norte, dispõem de uma série de vantagens para o transporte do gás liquefeito em petroleiros, pois os seus portos, que não congelam no Inverno, permitem a navegação durante o ano inteiro e abrem uma via directa para os terminais de gás do litoral oriental dos EUA.

Vassili Zubkov observador económico RIA "Novosti"

 
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