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'Obama pertence à lista mundial de tiranos'

28.01.2016 | Fonte de informações:

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Faheem Qureshi sofreu ferimentos graves, incluindo a perda de um olho, no primeiro ataque de veículos aéreos não tripulados ordenado pelo presidente Obama. "Eu tinha esperanças e potencial", diz ele, "e agora não faço nada e não sei o que futuro me guarda". 

Jon Queally - CommonDreams

"Isso não é apenas sobre mim. É sobre todos os civis que foram mortos no Waziristão".

Essas são palavras de Faheem Qureshi, que era apenas um menino em 2009, quando um veículo aéreo não tripulado dos Estados Unidos, sob as ordens do recém-eleito presidente Barack Obama, disparou um míssil que atingiu a casa de seu tio na região do Waziristão (no Paquistão) onde sua família e amigos estavam reunidos. Qureshi foi o único sobrevivente.

"É isso que os EUA fazem com pessoas como eu. Eles tiram nossas raízes, eles nos tornam alvo e nos matam, sem qualquer motivo. Eles reviram nossas vidas de cabeça para baixo. É claro que os EUA são odiados naquela parte do mundo. E são ainda mais odiados por conta do que fizeram para pessoas como eu".

Em artigo no The Guardian, Spencer Ackerman relata:

"Demorou cerca de 40 dias para que Qureshi pudesse sair dos hospitais, onde ele passou sem saber o que estava acontecendo. Shrapnel havia perfurado o estômago e lacerações cobriam grande parte da porção superior do seu corpo. Foi submetido a inúmeras operações, devido às queimaduras, e uma cirurgia a laser foi capaz de reparar seu olho direito, mas não pode salvar o esquerdo".

"Sua família esperou a recuperação para contar a pior parte. Dois dos tios de Qureshi, Mohammed Khalil e Mansoor Rehman, foram mortos. Assim como seu primo Aizazur Rehman Qureshi, de 21 anos, que estava se arrumando para levar a família aos Emirados Árabes. Quatorze dos primos de Qureshi ficaram órfãos".

"Ainda um adolescente, Qureshi se tornou de repente o homem mais velho de sua família, encarregado de prover para sua mãe, irmãos e irmãs. Antes um estudante promissor, que queria uma carreira em química. Agora sua prioridade seria sustentar sua família, que nunca teve o dinheiro para reparar o salão".

"Obama, agora no crepúsculo de sua presidência, deseja ser lembrado como um pacificador. Em sua própria narrativa, como ele mesmo declarou no início deste mês, ele é o homem que desnuclearizou o Irã pacificamente, que abriu Cuba e se desfez dos últimos vestígios da Guerra Fria e que substituíu as "guerras burras" pelo prudente e preciso contra-terrorismo através de drones".

Agora, com aproximadamente 21 anos de idade (ele não conhece sua idade exata), Qureshi deu sua primeira entrevista a jornalistas ocidentais a fim de que o mundo saiba o dano causado pelo programa de drones dos EUA, tanto para sua vida quanto para as pessoas das áreas remotas do Paquistão que sofreram com ataques mais agressivos sob a presidência de Obama.

"Eu conheço várias pessoas como eu no Waziristão, que foram alvejadas e mortas e que não tinham nenhuma relação com a militância ou com o talibã. Muitas mulheres foram mortas, muitas crianças foram mortas, mas ainda não há resposta para isso. Esqueça das respostas: não há nem mesmo reconhecimento de que elas foram mortas".

"Se houvesse uma lista dos tiranos do mundo", Qureshi disse a Ackerman através de um tradutor, "Obama seria colocado nessa lista por conta do seu programa de drones".


Como relata Ackerman, a experiência de Qureshi chama a atenção não apenas porque o ataque que tirou um de seus olhos foi o primeiro ordenado pelo presidente Obama, mas também porque, mais uma vez, pessoas inocentes foram mortas e feridas enquanto o alvo pretendido passou ileso.


"A evidência disponível sugere que o ataque foi um erro. O livro de Daniel Klaidman sobre os drones de Obama, Kill or Capture, afirma que o ataque ocorrido dia 1 de janeiro (2009) tinha dado "terrivelmente errado", sendo que o visado membro do Taliban nunca esteve naquelas instalações. Documentos vazados do governo paquistanês registram "9 civis" sendo mortos por um ataque de drones em 23 de Janeiro de 2009, uma aparente referência ao caso de Qureshi; uma versão não editada cita o nome de sua aldeia e de seu tio morto".

Qureshi reconhece que, às vezes, os ataques aéreos abatem lutadores, mas afirma que a maior parte das pessoas atingidas são como ele - pessoas ordinariamente comuns.

"Eu sou o exemplo vivo do que são os drones", disse Qureshi. Disse também a Ackerman que deseja "reconhecimento, desculpas e compensação" do governo dos EUA, por ele e por sua família.

"Eu tinha esperanças e potencial", diz ele, "e agora não faço nada e não sei o que futuro me guarda".

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