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TI vs. matérias-primas

26.12.2004 | Fonte de informações:

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É do conhecimento geral que o actual crescimento económico da Rússia se deve em medida considerável à elevada procura do petróleo e gás natural nos mercados interno e externo. O Kremlin está ciente que o país poderá ficar para sempre como apêndice de matérias-primas do Ocidente, se não desenvolver em escala devida as tecnologias informáticas avançadas, ou seja, o mercado IT.

E nesta área a Rússia possui possibilidades tão vastas como o seu território nacional. A informatização da economia e do dia-a-dia já é um factor que determina as capacidades competitivas de qualquer país; sem as tecnologias informativas é impensável a integração da Rússia na economia mundial, sem falar ainda da participação no clube dos Oito Grandes.

De acordo com os dados estatísticos, a actual dinâmica de crescimento do mercado das tecnologias informáticas atinge 25 por cento ao ano. As agências internacionais de marketing IDC e Gartner são mais conservadoras nas suas estimativas situando este índice nos últimos anos entre 10 e 15 por cento. Mesmo assim, tal indicador é significativo. Conforme a IDC, no período de 2000 a 2003 o volume do mercado das tecnologias informáticas russo quase duplicou, tendo-se cifrado em 2003 em 7,1 mil milhões de dólares. Esta dinâmica está mesmo acima do aumento dos preços do petróleo.

Todavia, apesar deste crescimento impressionante, o sector IT constitui apenas 1,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia, ao passo que nos Estados Unidos este indicador equivale a 5 por cento, considerando ainda a envergadura do PIB norte-americano. A Rússia exporta apenas 14 por cento dos seus produtos IT, ao mesmo tempo que Israel 70 por cento e a Índia até mesmo 80 por cento.

Até há pouco o Estado praticamente não investia no desenvolvimento das tecnologias informáticas. Só em 2002 foi adoptado o programa governamental "Rússia Electrónica" calculado para 9 anos, programa que foi criticado por alguns representantes da indústria IT e elogiado por outros. O Ministério das Comunicações da Federação Russa passou a ser designado por Ministério das Tecnologias Informáticas e Comunicações. Em Janeiro de 2005 deverá ser aprovado o "Conceito de Desenvolvimento do Sector IT da Federação Russa".

Foram já determinadas as prioridades, tais como a ligação à Internet das escolas e bibliotecas públicas, o desenvolvimento do comércio electrónico, o enquadramento legislativo do comércio electrónico e da contabilidade electrónica, o acesso aos recursos informáticos públicos.

Está igualmente previsto o apoio do Estado à exportação das tecnologias informáticas. Planeia-se para o efeito realizar medidas tendentes a facilitar a promoção das companhias russas no mercado mundial, a criar uma imagem da Rússia como país especializado em produtos intelectuais.

Graças à abundância de petrodólares, o Governo dispõe agora de meios e recursos necessários para incentivar o desenvolvimento das tecnologias informáticas. A presidente da holding "Cognitive Technologies", Olga Uskova, considera que "a elaboração do programa é determinado pelas necessidades reais do Estado, pelas necessidades reais da população. Na Rússia temos hoje uma das melhores situações, temos dinheiro e o Presidente incentiva activamente o sector informático".

Porém, os problemas também existem e alguns são até bastante sérios. Na Rússia a procura de tecnologias avançadas não está suficientemente desenvolvida; não existem mecanismos claros para estimular as empresas a introduzir as IT; é baixo o nível de generalização das tecnologias da informação entre a população. Os agentes do mercado IT referem também a dependência cada vez maior das suas empresas da arbitrariedade burocrática. Os burocratas não podem ou não querem compreender que os produtos informáticos atractivos e eficazes podem ser criados com um clicar do mouse e que tal permite gerar dinheiro. Talvez por isso é que a Rússia está tão atrasada no que se refere à implementação dos sistemas informáticos adiantados. Existem outros problemas relacionados com a regulação monetária, tributação e exportação dos produtos altamente tecnológicos.

Na palestra promovida por iniciativa da RIA "Novosti", Viktor Nikitin, decano da Faculdade de Informática de Gestão da Escola Superior de Economia, frisou que sem uma estratégia nacional de desenvolvimento das tecnologias informáticas, a Rússia quase não tem hipóteses de assegurar um crescimento notório deste ramo. O programa "Rússia Electrónica" inclui a formação duma nova categoria de especialistas com suficientes conhecimentos tanto em gestão de empresas como na área das tecnologias informáticas.

Vista pelo prisma do desenvolvimento das IT, foi extremamente importante a última visita do Presidente Vladimir Putin à Índia, realizada nos dias 3-5 de Dezembro deste ano. Um dos pontos do seu programa foi a deslocação à cidade de Bangalore, importante centro informático da Índia, uma espécie do "Silicon Valey" nos Estados Unidos. O Chefe de Estado sublinhou no seu discurso boas perspectivas da cooperação russo-indiana na esfera das tecnologias informáticas e referiu o respectivo apoio por parte do Estado. "Nós podemos juntar os nossos esforços para sermos mais eficazes. Evidentemente, seremos concorrentes nos mercados e por isso vão-se treinando! ", disse o Presidente russo no encontro com os programadores da companhia indiana "Infosys".

Se bem que muitas companhias russas de "software" já se tenham colocado em boas posições no mercado mundial de tecnologias informáticas, no país até agora domina o "software" importado. "Um dos paradoxos é o facto de muitos produtos informáticos importados, principalmente dos Estados Unidos, terem sido ideados e elaborados na Rússia por encomenda das grandes companhias norte-americanas de 'software'", observou Mikhail Donskoi, director-geral da companhia russa "DISCo", tendo acrescentado que as firmas russas de "software" não têm encomendas do Estado.

Seja como for, o Governo compreende bem que a criação de empresas IT tem ser incentivada e subsidiada. Sem o apoio do Estado é impraticável manter os actuais ritmos de crescimento até ao ano 2010. Por isso, é preciso antes do mais fixar na lei os direitos de propriedade intelectual, criar parques tecnológicos, dar facilidades fiscais e alfandegárias. E neste sentido a experiência da Índia pode ser extremamente útil. Os analistas prognosticam que a Rússia tem todas as possibilidades de se vir a situar entre os líderes do mercado mundial de exportação de produtos e serviços IT, podendo atingir uma facturação de cerca de 3 mil milhões de dólares ao ano.

"Até ao ano 2010 o volume do mercado das tecnologias informáticas no nosso país poderá alcançar 40 mil milhões de dólares", declarou há dias o vice-ministro das Tecnologias Informáticas e Comunicações da Federação Russa, Dmitri Milovantsev.

Aleksei Ilyitchev observador RIA "Novosti"

 
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