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A Civilização do Ouro

26.05.2019 | Fonte de informações:

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A Civilização do Ouro

Para Eugênio Ferraz

O Ciclo do Ouro em Minas Gerais não foi um período, mas uma civilização: Essa civilização deu a Minas o primeiro governador aclamado pelo povo em ato revolucionário, o português originário Manuel Nunes Viana. Ao Brasil o mais belo momento das artes nacionais: o Barroco Mineiro, em toda sua opulência, exuberância, beleza e formas. Ao país, o Patrono das Artes no Brasil: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Às Letras nacionais, o Arcadismo eterno, renascido no cume de suas montanhas de ferro. À Pintura, o elo libertário nas naves das igrejas com as cores celestiais do mestre Manuel da Costa Ataíde. À Nação, o mais elevado movimento cívico, ideológico, político e cultural: A Inconfidência Mineira. À Pátria, o herói nacional Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. À Humanidade, três monumentos mundiais, os centros históricos de Diamantina e Ouro Preto e os profetas que miram o céu clamando por respostas, de Aleijadinho, no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo.

A Civilização do Ouro tinha moeda própria, contabilizada em onças/gramas de ouro. Tudo era taxado em onças de ouro, do alimento ao preço de escravos. Uma língua nova, nascida da fusão do português de Portugal, com o Tupi-Guarani nativo e o africano, abarcando os vários dialetos em suas várias origens. Nas Artes, uma linguagem única; o Barroco Mineiro, tão brasileiro que se dividiu em três. O encontro de várias religiões e diferentes cultos trouxe formas impensadas de manifestações religiosas, indo do monoteísmo absolutista ao politeísmo das noites enluaradas, sem entrelaçando e somando sem maiores conflitos. Uma música tão inusitada, que da matriz pré-clássica europeia incorporou-se os cânticos e ritmos negros aos instrumentos e sons indígenas, compondo uma nova toada na pauta ensolarada da clave de lua.

A Civilização do Ouro forjou-se no encontro de oportunidades e possibilidades, muito além de conceitos, ideologia ou matriz inicialmente estabelecida. Aqui as coisas nasceram não da opulência faustica paradisíaca, mas na fria realidade de sobrevivência, de sua primaz permanência.

As riquezas de todas as ordens se fundiram harmoniosamente ao ouro, gerando uma terceira paisagem. A culinária buscou na vegetação nativa o que lhe faltava para matar a fome dos nobres e dos rudes. O bambu ancestral transmutou-se em iguaria sem igual. As frutas tropicais em doces de cristalinos adornos. Minas além da cozinha é a sala servindo doces, os mais diversos e fartos nesse país de sonhos e frutas temporais.

A Civilização do Ouro foi tão intensa e densa que sua pujança artística perdura até os dias de hoje, diluída em várias manifestações e diferentes criações. A hegemonia da Civilização do Ouro mais que no plano econômico se deu sobretudo no plano cultural, elevando e levando as Minas Gerais como um local natural das artes. A cultura mineira nasceu no garimpar dessa bateia de ouro, alicerçada em uma civilização que fez história na mais prematura aurora.

Petrônio Souza é jornalista e escritor

Foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Minas_Gerais#/media/File:Van_de_Velden_-_Dan%C3%A7a_dos_Puris.JPG

 

 
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