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Reunião entre MNE Russo e troika da União Europeia

23.01.2003 | Fonte de informações:

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PERGUNTA: Houve informações sobre o encontro do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Igor Ivanov, e da "troika" da União Europeia, marcado para esta semana em Atenas. Então, que objectivos e tarefas se propõe este encontro?

YAKOVENKO: O tema principal das conversações que manterão, a 24 de Janeiro em Atenas, Igor Ivanov e a "troika" dirigente da União Europeia, será a preparação para a cimeira "Rússia-UE" marcada para 31 de Maio deste ano em São Petersburgo e como conferir a este evento mais consistência possível. Outros tópicos que a agenda inclui são o alargamento da UE e as preocupações da Rússia que decorrem deste processo, a realização dos entendimentos e acordos alcançados na cimeira anterior em Bruxelas a respeito do trânsito entre a Região de Kaliningrado e o resto da Federação Russa e concernentes a outros problemas vitais relacionados com Kaliningrado.

PERGUNTA: A seu ver, quais são as tarefas mais actuais nas relações entre a Rússia e a União Europeia? YAKOVENKO: Nos últimos tempos, a cooperação entre a Rússia e a União Europeia tem registado maior escala e diversidade, têm emergido novos canais e mecanismos da interacção que, não raro, exorbitam os quadros do Acordo de Parceria e Cooperação no binómio Rússia-UE. Neste relacionamento, a parte russa intervém a favor do fortalecimento do vector institucional da cooperação bilateral.

As perspectivas do desenvolvimento do diálogo com a UE consistem em alcançar os resultados concretos e apalpáveis incluindo aqui as iniciativas colectivas orientadas para formar o espaço pan-europeu de segurança, o que a nosso ver pressupõe um sistema equilibrado e não discriminatório da interacção dos principais países e organizações europeias e euro-atlânticas.

Neste contexto, a Rússia pronuncia-se a favor do desenvolvimento paralelo da cooperação com a União Europeia e com a Aliança Atlântica. Esperamos que nos termos da política europeia sejam acentuados os aspectos da segurança e da defesa, em estrita consonância com as decisões da cimeira "Rússia-UE" de Moscovo.

Parece cada vez mais actual a cooperação prática e consistente com a UE na luta contra o terrorismo. Isto pressupõe, antes do mais nada, a necessidade de coordenar mais e mais as acções internacionais colectivas nesta direcção e chamar à responsabilidade penal os criminosos, responsáveis, organizadores e patrocinadores dos atentados terroristas.

É importante que os acordos e entendimentos nas áreas da política externa, segurança, defesa e antiterrorista sejam assentes no pragmatismo, na consideração dos interesses de cada parte e que sejam plasmados na realidade.

Em problemas internacionais cruciais os nossos posicionamentos com a União Europeia são bastante próximos, ou até mesmo idênticos. Tanto a Rússia como a UE estão interessados em procurar, com esforços colectivos, as respostas a novos desafios e retaliações, em regularizar situações críticas no Médio Oriente, no Afeganistão e nos Balcãs, entre outras. Estamos disponíveis a aprofundar e fazer mais substancial o nosso diálogo com a UE ao nível das organizações internacionais e, mais concretamente, nas Nações Unidas e na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Não poupamos esforços para realizar as iniciativas conjuntas da Rússia e da UE na luta contra o perigo do narcotráfico que parte do Afeganistão, tendo aqui em mente dar-lhe o início na próxima cimeira em São Petersburgo.

Contamos com que a cooperação da Rússia e da UE no período da presidência rotativa da Grécia na União dê um impulso significativo para a activação do diálogo político, para o desenvolvimento das relações económicas e comerciais.

PERGUNTA: Em relação com a visita de trabalho de Igor Ivanov na Grécia, que comentário Você poderia dispensar sobre os seus contactos em Atenas?

YAKOVENKO: A visita de trabalho do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Igor Ivanov, à República Grega insere-se nos entendimentos alcançados durante o encontro com Yeoryios Papandreou a 17 de Outubro de 2002 em Moscovo. Os contactos regulares dos ministros constituem um elo importante na troca de opiniões entre Moscovo e Atenas sobre a problemática internacional candente e o desenvolvimento da cooperação bilateral. Especial realce confere a este encontro o facto de se ter levado a cabo na etapa inicial da presidência grega na União Europeia. E temos aqui presente aproveitar o elevado potencial das relações russo-gregas para intensificar a cooperação entre a Rússia e a União Europeia. Da nossa parte, estamos abertos à interacção construtiva com os nossos colegas gregos para concordar nossas visões nesta vertente.

PERGUNTA: E que leque de problemas foi abordado por Igor Ivanov e Yeoryios Papandreou em Atenas?

YAKOVENKO: Já foi dito que as conversações russo-gregas coincidiram com o encontro corrente dos emissários da Rússia e da "troika" da UE em Atenas proporcionando uma excelente possibilidade de acertar as posições de todas as partes em diálogo.

Dentro da temática internacional os problemas primordiais são, sem dúvida, a situação em torno do Iraque, o programa nuclear da República Popular Democrática da Coreia, a situação no Médio Oriente e no Afeganistão. Os interlocutores planeiam também dispensar a atenção para a situação na península balcânica, a regularização em Chipre, entre outros assuntos. O tema da luta contra o terrorismo também se deixará ouvir nas conversações.

Especial atenção será dispensada às relações bilaterais e, em primeiro lugar, às esferas económica e comercial. Disponibilizamo-nos a contribuir para a solução dos problemas relacionados com o fornecimento do gás russo à Grécia e reafirmamos o interesse da Rússia em participar no diálogo sobre a formação do mercado comum de fornecimento do gás à Europa Sudeste, sobre o projecto tripartido (Rússia, Bulgária e Grécia) para a construção do oleoduto Burgas-Alexandrupolis.

© RIAN

 
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