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OS SERVIÇOS SECRETOS NÃO DEVEM TER MITOS

22.12.2003 | Fonte de informações:

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A. Zdanovitch foi agente do serviço de contra-espionagem. Antes da sua demissão, trabalhou como chefe do Departamento de Programas de Cooperação com o Serviço Federal de Segurança da Federação Russa. Desde Junho de 2002 é vice-presidente da Companhia de Teleradiodifusão da Rússia para as questões da segurança

Em Moscovo terminaram as "Conferências históricas da Lubianka", anualmente organizada pela Sociedade de Estudo da História dos Serviços Secretos Nacionais. Esta organização social foi criada para unir, antes de tudo, os analistas do Serviço Federal de Segurança (FSB), do Serviço Secreto Externo, do Serviço Secreto do Exército (GRU) e de outros serviços afins cuja actividade em diversas etapas históricas constitui exactamente a esfera das nossas investigações. Ao mesmo tempo, estamos abertos a todos quantos se interessam pelo destino dos serviços secretos da Rússia, ou seja, cientistas, investigadores e pessoas simples interessadas neste tema, sem distinção das suas convicções políticas.

Um dos motivos da criação da nossa Sociedade foi o facto de que nos últimos anos terem aparecido muitos "especialistas" que, não dispondo de uma séria base documental, têm procurado apresentar as suas versões sobre a actividade dos órgãos de segurança de Estado aproveitando-se até de boatos e puras invenções. Podem ser membros da nossa sociedade não só cidadãos da Rússia, mas também estrangeiros na qualidade de membros de honra. Entre estes últimos já figura Markus Wolf, ex-dirigente dos serviços secretos da República Democrática Alemã. Têm direito a ingressar na nossa sociedade também pessoas jurídicas. Assim, já aderiram na qualidade de membros colectivos o Clube dos Veteranos do Serviço de Segurança do Estado e a organização "Filhos da Rússia" chefiada pelo coronel-general Evgueni Podkolozin, ex-comandante das Tropas Aerotransportadas, e pelo notável empresário russo Viktor Stolpovskikh.

Uma das áreas prioritárias da nossa actividade é a edição de livros. Em princípio, existe uma vasta literatura sobre o trabalho dos serviços secretos. Há até mesmo séries especiais como o "Dossier", "Pasta Especial", "O Segredo Militar" e outras. Os títulos destas obras, publicadas em grandes tiragens são apelativos, mas o seu conteúdo está, não raro, longe da realidade. É por isso que elaborámos o nosso próprio programa editorial, que reflecte as mais importante etapas de estabelecimento dos serviços secretos russos. Assim, preparámos uma série literária a propósito do centenário do serviço nacional de contra-espionagem. Foram publicadas as conferências proferidas no Estado-Maior General pelo major Nikolai Batiuchin. Ele não foi só um dos fundadores do serviço russo de contra-espionagem, mas também dirigiu o serviço secreto da Região Militar de Varsóvia quando a Polónia fazia parte do Império Russo. Foi editada monografia "Serviço Nacional de Contra-Espionagem entre 1903 e 1918". A propósito do 60.º aniversário da formação da SMERCH, o serviço soviético de contra-espionagem nas Forças Armadas, será publicado um livro em que será relatada de um ponto de vista objectivo a actividade desta organização. Ao que me parece, é injusto caracterizar a actividade da SMERCH apenas em tons sombrios ou afirmar que o trabalho desta organização foi ineficaz e só estava dirigido contra os militares soviéticos. No livro serão mostrados, sem dúvida, episódios da actividade ineficaz e até contraproducente da SMERCH. Houve de facto casos de repressão infundada. Mas de um modo geral, a SMERCH conseguiu vencer na confrontação com os serviços secretos alemães como a Abwehr, a SD e a Gestapo.

A segunda área da actividade da nossa sociedade é científica: proferimos conferências, promovemos simpósios. Prosseguiremos também as nossas tradicionais "Conferências históricas da Lubianka". Foram elaborados novos temas como " Os Órgãos de Segurança na Estrutura do Poder do Estado", "As Purgas no Comissariado do Povo do Interior e no GRU", "Os Órgãos de Segurança de Estado na Guerra Informativa". A Sociedade de Estudo da História dos Serviços Secretos Nacionais instituiu a medalha, prémio e diploma de Artur Artuzov, um dos fundadores dos serviços secretos soviéticos. A primeira medalha Artur Artuzov foi conferida ao patriarca dos serviços secretos russos Boris Gudz, que trabalhou juntamente com Artuzov e já completou mais de cem anos.

Os serviços secretos russos funcionam com base nas leis "Sobre os órgãos do Serviço Federal de Segurança na Federação Russa" e "Sobre a actividade operacional". Na União Soviética não havia praticamente nenhum controlo, à excepção do partidário, sobre a actividade dos serviços secretos. Actualmente existem diversas formas de controlo, a começar pelos órgãos financeiros e terminando no Ministério Público.

A crescente popularidade da Sociedade de Estudo da História dos Serviços Secretos Nacionais é indicada pelo facto de já terem sido filiais suas abertas em diversas cidades da Rússia como Pskov, Omsk, Vladivostok e outras.

© RIAN

 
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