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Brasil incorporar a sua força área três helicópteros de ataque russos

22.04.2010 | Fonte de informações:

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A Força Aérea Brasileira (FAB) apresentou e incorporou oficialmente à sua frota de aeronaves seus três primeiros helicópteros de ataque, o MI-35, comprados da Rússia e batizados de AH-2 Sabre. Essa é a primeira vez o Brasil terá helicópteros de fabricação russa.

Ao evento, que aconteceu na Base Aérea de Porto Velho, em Rondônia, Região Amazônica, estiveram presentes o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, o embaixador da Rússia no Brasil, Vladimir L. Tyurdenev, além de outras autoridades.

Essas três primeiras aeronaves, de um total de 12 já adquiridas, estavam em Rondônia desde dezembro do ano passado, mas só agora, quatro meses depois, foram oficialmente recebidas pela FAB em condições totais de operação.

Durante esse período, foram sanadas algumas diferenças de padrões de russos, já que a FAB estava habituada aos equipamentos com padrão da OTAN. Entretanto, essas dificuldades iniciais são consideradas normais já que trata-se das primeiras aeronaves de fabricação russa adquiridas pela Aeronáutica Brasileira.

A chegada do Sabre à FAB quebra uma série de tabus, pois é a primeira aeronave militar russa adquirida pelo Brasil e o primeiro helicóptero da FAB concebido especificamente para a guerra. O helicóptero de ataque utilizado pela FAB era o H-50 Esquilo, de uso civil, adaptado para missões militares, enquanto que o Sabre foi concebido com DNA militar.

O MI-35 é a versão de exportação do helicóptero de ataque russo MI-24 Hind, tendo feito seu primeiro vôo em 1969, e carregando em sua bagagem vários anos de modernizações com base em experiências de combate, além de operadores por todos os continentes.

Estima-se que mais de duas mil unidades já tenham sido produzidas e que seja operado por cerca de 60 países. A popularidade do MI-24 deve ao fato dele ter participado de aproximadamente 20 conflitos, entre eles a invasão soviética ao Afeganistão, a Guerra Irã-Iraque, as duas Guerras do Golfo, Kosovo, além de vários outros conflitos africanos.

Na versão brasileira, sua capacidade de ataque fica por conta de um canhão móvel de cano duplo NPPU23 de 23mm, posicionado sob o "queixo" da aeronave. Foguetes não guiados de 80mm e mísseis anti-tanque Ataka de 130mm, também de fabricação russa, completam o armamento integrado.

Somados ao armamento, estão a capacidade de utilização de óculos de visão noturna pelos pilotos, a presença de sensores ativos e passivos como um radar e câmera infravermelho, e uma blindagem capaz de agüentar projéteis de 20mm. Essas características fazem do AH-2 um genuíno helicóptero de ataque, com capacidade real de fogo contra blindados, incluindo os mais modernos.

Uma capacidade única deste modelo é a presença de uma pequena cabine de passageiros no centro da estrutura, o que não existe em outra aeronave de ataque com essa característica. Essa cabine, mesmo sendo pequena, é muito útil para a infiltração ou extração de um grupo de operações especiais, resgate de pessoas em zona de conflito e evacuação aeromédica.

Os Sabres serão operados pelo Esquadrão Poti, como vigilantes da Amazônia Brasileira e fronteiras da região. Porto velho fica a cerca de 190km de distância da fronteira com a Bolívia, e o AH-2 tem um alcance médio de 450km.

Suas missões podem ser de escolta a outras aeronaves, escolta e proteção de grupos em solo, criando um perímetro de segurança, e interdição do espaço aéreo, com capacidade inclusive de abater outros helicópteros ou pequenos aviões utilizados pelo narcotráfico na região.

O ministro Nelson Jobim disse que o Brasil não é apenas um comprador liquido de produtos russos, pois a compra dos helicópteros terá uma contrapartida do governo russo no Brasil em investimentos de treinamento e capacitação de profissionais.

“Já foi o tempo em que o Governo Brasileiro era apenas um mero comprador, hoje temos condições de junto com a compra de equipamentos realizar parceria com os países vendedores”, disse o ministro.

A nova arma da FAB possui uma série de recursos que os pilotos de helicóptero brasileiros, até hoje, só tinham visto de longe. A aeronave tem blindagem, canhão orgânico de 23 milímetros, de cano duplo, montado em uma torre móvel frontal, capacidade de lançamento de foguetes e mísseis ar-superfície, supressor de calor que dificulta a visão da aeronave por infra vermelho e uma série de contra-medidas.

“Eu chego a ficar arrepiado. É um salto operacional esperado por gerações de pilotos de helicópteros da FAB”, disse o tenente Leonardo Bezerra Salim, um dos pilotos do Esquadrão Poti, que já está operando com as novas aeronaves.

Os Sabres vão reforçar a capacidade de pronta resposta e a presença da FAB na Amazônia Ocidental, uma região estratégica para o Brasil, atuando no policiamento do espaço aéreo local e ajudando a coibir ilícitos na área da fronteira.

O Esquadrão Poti e seus novos AH-2 Sabre serão poderosos instrumentos dessa proteção da Amazônia Brasileira e a partir de agora estará pronto para enfrentar qualquer ameaça.

O MI-35 é fabricado pela empresa russa Rostvertol e negociados com a estatal russa Roboronexport, responsável por toda venda de material de defesa da Rússia. Os 9 helicópteros restantes serão entregues pela Rússia ao Brasil até o final de 2011.

A compra, formalizada em outubro de 2008, envolve um pacote formado por 12 helicópteros mais armamentos e suprimentos para manutenção, durante cinco anos, ao custo de US$ 363,9 milhões.

Todavia, como compensação comercial (off-set), os russos investirão metade do valor da compra na instalação de ferramentas, bancadas e treinamentos parta manutenção, que será feita majoritariamente no Brasil, e treinamento de pilotos e mecânicos, além de um simulador de vôo.

O Comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, comemorou a incorporação do novo equipamento ao arsenal da FAB dizendo que é uma “plataforma guerreira, com capacidade furtiva, armamento de alta precisão e letalidade”. Segundo Saito, os helicópteros estão preparados para missões de superioridade aérea e de interdição, tanto diurnas quanto noturnas.

ANTONIO CARLOS LACERDA

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