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O Iraque é governado por lobos

22.02.2014 | Fonte de informações:

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Não sou dos que se fazem de cegos e calam ante a corrupção e os malfeitos. É nosso dever, dos sadristas, ser os que trabalham e clamam por orientação.

Aqui, vemos nosso Iraque, ferido e oprimido, sob uma nuvem negra que cobriu a terra e o céu do Iraque: o sangue escorre, há guerra por toda parte, pessoas matam-se umas as outras, umas em nome da 'lei', algumas sob o nome de 'religião'.

Amaldiçoada seja essa 'lei' que faz correr sangue e viola santidades, e abaixo uma religião que dá direito de degolar, bombardear e assassinar.

E então, a política converteu-se em porta de entrada para a injustiça, a zombaria, a autocracia e a violação. E um ditador é encarregado da riqueza e a rouba; e da vida do povo e mata; e de cidades e as ataca; e de seitas e as divide; e das mentes e as suborna; e dos corações e os dilacera, para que todos votem nele, para que permaneça no poder.

No Iraque não há vida, não há plantações, não há criação de animais, não há fábricas, não há serviços, não há segurança nem proteção, não há paz. E eleições pelas quais se sacrificam milhares de vidas, tudo isso, para que um governo nos governe sem tomar conhecimento de nossos direitos e opiniões, e um Parlamento, com suas poltronas gastas, que nem consegue proteger-se, muito menos protege outros.

Um Parlamento que só aceita votar sob uma condição: se houver recompensas especiais para os deputados; mas se há leis que beneficiem toda a nação, eles todos recuam, ou o assunto chega ao Gabinete, onde as leis são ou invertidas ou vetadas. Mas o Gabinete jamais vetará lei alguma que ameace as recompensas especiais para os deputados ou suas aposentadorias.

O Iraque é governado por lobos, sedentos de sangue, almas sedentas só de riquezas, que deixam a nação afundada em sofrimento, em medo, em fossas, nas noites escuras iluminadas só pela lua ou por uma vela, num pântano de assassinatos causados por diferenças ou por qualquer ridículo desentendimento. Tudo isso, e o governo só olha de longe.

O Iraque é governado por um grupo que veio do lado de lá das fronteiras. Esperamos por muito tempo que nos libertassem do ditador, só para vê-los agora firmemente agarrados às suas poltronas, em nome da xia e do xiismo.

O Imã Ali, Comandante dos que Creem (que a paz e todas as bênçãos desçam sobre ele), conseguia ele dormir, enquanto houvesse por perto alguém com fome? E agora, como se encheram as ruas de pessoas sem teto, sem paredes, sem o mínimo para comer, que dormem no chão nu, cobertos só pelo céu e pela chuva.

Um governo inchado, estufado, que esqueceu todos os que vivem do outro lado de muralhas super vigiadas, tornou-se cego pela riqueza, por suas mansões, palácios, aviões, e ignora esse calabouço chamado "Iraque".

Uma nação honrada, que foi engolfada por guerras, em condições tão terríveis que a reduziram a posta de carne fácil de morder, entre os dentes de políticos e líderes. Uma nação que não pede comida, mas exige ser honrada, ser voz ouvida e livre, para servir a Deus e dar prova do próprio valor.

Mas um governo veio para calar todas as vozes, para matar a oposição, para forçá-la ao exílio, para encher prisões, com todas as vozes e todos e quaisquer que tentaram libertar esse país dos tanques e aviões da ocupação.

Um governo que dominou tudo. Que não ouve ninguém, sequer a voz do Marj [professores do Islã] e sua fatwa (lei), sequer as vozes ou reclamações de seus próprios companheiros, apoiados pelo Leste e pelo Oeste, de tal modo que surpreende até os mais sábios dos homens. Nisso tudo, não queremos, nós, os sadristas, tomar os lugares ou os assentos deles, porque nós, os sadristas, somos muito superiores a tudo isso.

Queremos guiá-los, protegê-los contra seus erros, para que o Iraque seja posto em mãos mais seguras e cuidadosas. Mas eles só ouvem seus patrões, deixando para trás os sadristas e os dois mártires sadristas, e quem mais tenha uma única objeção contra eles. Xiita, sunita ou curdo, sempre será acusado de terrorismo ou de sectarismo, usando um judiciário viciado para acabar com ele, ou o exército para prendê-lo, ou usando a imprensa de propaganda ou outros meios que todos conhecem muito bem.

Nós, os sadristas, se não podemos mudar isso, dizemos: Oh, Deus, não nos associe aos opressores, associe-nos aos que amam a verdade.

Que a paz esteja com os que nos ajudaram, nós não os traímos e não os trairemos. Buscamos protegê-los e sua reputação, para que não virem cinza nessa vida. Especialmente, porque há os que tentam manipular vocês, nossos bem-amados, e até usar nosso nome, dos sadristas, para alcançar seus odiosos objetivos nessa vida. Eles enriqueceram, derramaram sangue, violaram santidades e apossaram-se da vida de pessoas usando o nosso nome, não outro.

E mesmo assim não respeitam uma fatwa, uma ordem, uma questão ou uma decisão (sequer um recado que parta de mim), sequer um conselho, nenhuma ordem, ignoram tudo.

E vocês sabem, todo o povo do Iraque, nós amamos vocês. Continuem pois em sua fé, amor, religião e apoio. Deus os fez vitoriosos por nós e nos fez vitoriosos por vocês. Vocês são uma honra para nós, exceto os desencaminhados que desencaminham outros, que escolhem essa vida, em vez da eternidade. Abaixo esses todos.

Se há entre vocês vozes honradas, políticas ou outras, que continuem em seu trabalho, mas de forma independente, afastados de mim, sob orientações gerais, baseados na retidão, na fé, no patriotismo, na sabedoria e no bem público. O Iraque não pode ser deixado entregue a gente da injustiça.

Mas tenho de ser para todos, não sou só para os sadristas, devotei minha vida ao Iraque, ao Islã, e tenho de permanecer para todos.

Nas decisões ou ordens que eu tenha tomado ou dado, e que vocês não consigam cumprir, busco perdão para mim e para vocês, mas me orgulho daquelas decisões até o dia do juízo, porque em todas elas tentei basear-me nele e ser inspirado pelo caminho dos dois Mártires, nas ideias deles, nas maneiras deles e não posso me afastar disso, porque eles são meus mestres e meus líderes, eles são minha autoridade e os inimigos deles são meus inimigos.

Além disso, a sociedade parece muito distante de qualquer lembrança de Deus, de qualquer respeito a Ele, e isso pôs grande distância entre eu próprio e a sociedade, em boa medida. Conclamo os fiéis a lembrar de Deus e ser obedientes, para que Ele perdoe todos nós e as portas da graça abram-se para nós, e possa essa ser uma oportunidade para que a verdade apareça. A verdade deve erguer-se e nada se erguerá acima dela.

Meus bem-amados, tenho ainda alguns pontos a mencionar:

Primeiro, a participação nas eleições. Apesar da decisão que tomei, vejo como obrigação a participação nas eleições e assim tem de ser, em grande escala, para que o governo não caia em mãos de dissimulados nos quais não se pode confiar, Deus nos livre.

Quanto a mim, devo votar e devo dar meu voto, enquanto viver, a qualquer pessoa honrada que queira servir ao povo e ficarei a igual distância de todos. Peço pois aos iraquianos que participem dessas eleições e não se afastem. Afastar-se nesse caso seria trair o Iraque e seu povo.

Segundo, há políticos que serviram com honestidade e com sinceridade ao povo iraquiano, "e se não fossem pios, ele teria sido destruído", e são muitos, com a graça de Deus. Mas quero agradecer especialmente e lembrar aqui dois irmãos: o governador de Misan e o governador de Bagdá, que Deus os recompense, como recompensa os justos. Esses devem continuar e aperfeiçoar o trabalho que fazem de servir seu país.

Obrigado. *****

Muqtada Al-Sadr, Discurso de Despedida*
18/2/2014, Political World
http://www.politicalworld.org/showthread.php?15585-The-Farewell-Speech-of-Muqtada-Al-Sadr#.UwaTX2JdUxg  

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* "A renúncia de Sadr à vida política veio logo depois de protestos populares contra leis recentemente aprovadas que aumentarão os benefícios e aposentadorias de altos funcionários públicos, deputados e funcionários do governo, o que pôs mais lenha nas acusações de corrupção contra o governo.  Depois de anos de desapontamentos com o fraturado sistema político do Iraque, e rumores de que o governo estaria planejando expulsá-lo e os seus seguidores da cena política, não chega a surpreender que Sadr tenha afinal decidido desistir da vida política, separar-se de seu movimento político e passar a concentrar-se em seus estudos religiosos.

Mas é possível que o Iraque ainda não tenha visto tudo dessa figura política poderosa e em vários sentidos icônica. (...) Ontem, dois dias depois de seu discurso de despedida, Sadr fez discurso pela televisão em que acusou o primeiro-ministro de "corrupto, ditador e tirano". Acusou-o de perseguir e matar a oposição e de liderar "uma matilha de lobos famintos de assassinatos e loucos por dinheiro"

(19/2/2014, http://muftah.org/moqtada-al-sadr-al-maliki-a-tyrant-and-his-government-corrupt/ ) [NTs].

 
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