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MOSCOVO: COMUNIDADE ANGOLANA INDIGNADA COM AGRESSÃO DE ESTUDANTE

21.02.2003 | Fonte de informações:

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A Comunidade estudantil angolana em Moscovo mostrou-se hoje indignada pela agressão do estudante Walter Mário Rodrigues, ocorrido, recentemente, na cidade Rússia de Voronej.

Reunida em assembleia geral, os estudantes declararam-se preocupados com os constantes actos de agressão praticados por grupos de extremistas russos contra cidadãos estrangeiros, principalmente de origem africana e asiática.

Os bolseiros consideraram alarmante a onda de violência verificada nos últimos tempos na Federação da Rússia.

A comissão dinamizadora da Organização da Mulher Angolana (OMA) e a União dos Bolseiros Angolanos (UBA) na Federação da Rússia apelarem à comunidade angolana a efectuar uma viagem colectiva para a cidade de Voronej, a fim de prestar apoio moral e material a Walter Mário Rodrigues.

Num encontro com uma comissão da Embaixada de Angola na Rússia, a Direcção da Faculdade de Construção Civil da Universidade estatal de Construção Civil e Arquitectura, onde estuda Walter Mário Rodrigues, manifestou-se preocupada com o ressurgimento da onda de violência contra os estrangeiros.

A este propósito, a embaixada de Angola na Rússia apresentou uma nota de protesto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros deste país do leste europeu, onde pede que lhe seja dado esclarecimentos sobre os acontecimentos, bem como as medidas a observar, face à instabilidade reinante naquele país.

Walter Mário Rodrigues, que apresenta ferimentos em quase todo o corpo, principalmente na cabeça, beneficiará de um programa especial de assistência as aulas elaborado pela Direcção da Faculdade até à sua recuperação total.

Os estudantes angolanos em Voronej temem por novas agressões, dado que a acção da Polícia não tem sido eficaz contra os autores da onda de violência.

Este é o terceiro caso contra estudantes angolanos verificado na Federação da Rússia desde o início deste ano.

Em finais de Janeiro de 2002, os netos do ministro-conselheiro da Embaixada de Angola, Cláudia Mengowako, de 12 anos, e Wilson Mengowako, de 13, foram agredidos perto do prédio onde moram e ficaram internados durante cinco dias. O agressor, Pavel Zabolotnikov, de 20 anos, não teve receio de declarar à Polícia o motivo da agressão: “Não os quero ver aqui”. “Não há outro país na Europa onde o neo-nazismo e o racismo sejam tão fortes como na Rússia”, disse na altura ao correspondente do “Jornal Notícias” de Portugal, o angolano Domingos Sakalema, que está em Moscovo desde 1992, e agora na fase final do seu doutoramento. Sakalema explicou que há três grandes organizações fascistas, uma das quais, a Unidade Nacional Russa, tem centros de instrução, com “treino militar e artes marciais”.

Para um africano encontrar-se com um grupo destes significa sujeitar-se a violência gratuita. “O táxi é o único meio relativamente seguro, temos de evitar os transportes públicos e locais perigosos”, afirma Sakalema, que em 1996 passou seis meses no hospital vítima de agressão por parte de um grupo de extremistas.

Dados revelados recentemente pela agência noticiosa “Ria.Novosti” indicam que o número total de jovens que se consideram a si próprios partidários ou apoiantes dos "cabeças rapadas" ultrapassa os 15 mil. Citando o director do departamento geral de combate ao crime organizado do Ministério do Interior da Rússia, Valeri Komarov, a “Ria-Novosti” diz que os grupos extremistas são um factor que desestabiliza a situação sócio-política no país.

Ao mesmo tempo, o responsável negou a existência de uma organização de cabeças rapadas fortemente constituída, com estatutos e uma hierarquia rígida. O movimento engloba grupos dispersos de número variável.

Assim sendo, segundo os dados do Ministério do Interior, na Região de Moscovo, os "cabeças rapadas" contam com cerca de 2,5 apoiantes activos e cerca de 100 líderes de diferente escalão. Em São Petersburgo, a polícia local registou cerca de 17 organizações neo-fascistas.

Komarov esclareceu que algumas forças na Rússia procuram ganhar um capital político com a angariação de jovens para as organizações extremistas juvenis, contando com o apoio de alguns meios de comunicação social. Os mais vulneráveis à propaganda são os adolescentes de 13 a 17 anos de idade - disse Komarov.

Por isso, a principal preocupação das autoridades de segurança e de ordem pública é não tanto deter e chamar à responsabilidade penal o maior número possível de jovens extremistas quanto realizar actividades preventivas. Assim, em Novembro passado, as autoridades competentes coibiram a tentativa dos neo-fascistas de convocar um congresso dedicado ao aniversário natalício do fundador do movimento "cabeças rapadas", Jan Stuart.

Em 2002, foram instaurados 71 processos penais, dos quais 31 foram encaminhados para o tribunal, tendo 16 jovens "cabeças rapadas" sido condenados.

Embaixada da Angola Moscovo

 
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