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O dia em que tentaram reescrever a História

20.11.2003 | Fonte de informações:

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O dia em que tentaram reescrever a História. Hoje foi um daqueles dias quando se fez, ou far-se-á, uma tentativa de reescrever o livro da História.

Contudo, é o dever de todos os que defendem a Verdade corrigir o mal e comunicar a Verdade. Que este documento e outros semelhantes sirvam de testemunha que o Mundo e a Humanidade atingiram este ponto de viragem no início do século XXI e que houve elementos que sabiam discernir entre o bem e o mal.

Enquanto Presidente George W. Bush e o Primeiro Ministro Tony Blair se preparavam para fazer o briefing no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Whitehall, para justificar a Guerra contra o Terror que gradualmente foi esculpida para dar forma a um monstro que incluísse o Iraque, aconteceu uma atrocidade no outro lado do continente europeu que lhes deu a justificação que precisavam – para constatar que as suas forças militares estão no Iraque para prevenir precisamente esse tipo de ataque terrorista.

Se esses líderes construírem com jeito suas palavras e acções, a História irá acreditar neles, tão credível é sua versão, de tão fácil consumo para os ingénuos ou não informados. Embora não tenha havido qualquer fio de evidência a ligar o governo de Saddam Hussein ao ataque terrorista em Nova York no 11 de Setembro de 2001 e embora o Presidente Bush tenha declarado mais do que uma vez que não há qualquer ligação entre Bagdade e as Torres Gémeas, fizeram-se as tentativas muitas vezes na média e pelos governos de Washington e Londres para insinuar que o Iraque e o terrorismo internacional estão no mesmo pacote.

Porém deixem-nos apresentar a Verdade. Primeiro foram os documentos forjados, alegando que houvesse algum complô entre Bagdade e Niger para que fosse efectuada uma transferência de urânio “yellowcake” para “um programa nuclear activo”. Depois houve a afirmação, baseada em “evidência firme” e “inteligência excelente” (nas palavras de Colin Powell) que o Iraque era uma ameaça “séria” para os EUA e seus aliados. Depois dessas afirmações, cada vez que os porta-vozes dos dois países mencionassem o Iraque, mencionaram sempre o terrorismo internacional.

Deu-se então a atrocidade, Washington e Londres atacaram o Iraque fora da autoridade do CS da ONU porque sabiam que a diplomacia e a democracia iriam derrotar seu objectivo – de invadir o Iraque, a qualquer preço, basicamente porque tinham chegado às conclusões erradas, exageraram-se, foram longe demais e nem tiveram a coragem de admitir o erro e voltar atrás. Preferiram o resultado: 10,000 civis chacinados, 16,000 feridos ou mutilados para o resto da vida e inúmeros outros mortos por doenças, causadas por sua vez pelo assalto cruel contra as infra-estruturas civis no Iraque pelos militares norte-americanos invasores.

Os sicofantas da NATO que saltam quando o Washington mandar (Portugal, Espanha, Itália, Polónia) e uma mão-cheia de outros que enviaram suas tropas ao Iraque para dar um ar de credibilidade à violação do direito internacional (já que a legitimidade era impossível), tentaram formar o que chamaram uma “coligação internacional”.

Sem a Federação Russa. Sem o Brasil. Sem a França. Sem a República Popular da China. Sem a Alemanha. Sem o mínimo de 9 dos 15 membros do Conselho de segurança da ONU. Sem direito. Sem o abrigo da lei. Sem base legal. Por isso, foi esse ataque assassina contra o Iraque um acto criminoso, os perpetradores sendo criminosos de guerra e assassinos. Serão julgados pelos seus crimes?

Começada a invasão ilegal, começou a luta pela liberdade. Não pelas hordas invasoras, que chacinaram soldado e civil sem qualquer piedade, mas pelos lutadores pela liberdade do Iraque, que lutam pela libertação do seu país. Os actos que eram rotulados como “heróicos” quando perpetrados pela Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial agora são rotulados de “actos terroristas” – e lá vão eles a realçar a ligação entre Bagdade e Al Qaeda.

Sem mencionar o facto que o Bin Laden e o Saddam Hussein se odiavam, sem mencionar o facto que o Saddam Hussein nunca apoiou a Al Qaeda e sem mencionar o facto que Saddam Hussein era um dos primeiros líderes mundiais a exprimir seus pêsames pelo horror do 11 de Setembro.

Se há ligação entre Al Qaeda e o Iraque, se há operativos da Al Qaeda no Iraque, é agora só, só depois da agressão dos EUA e sicofantas contra um estado Árabe soberano que fez com que cada e qualquer radical muçulmano respondesse à chamada para lutar contra o invasor, como qualquer patriota iria fazer para defender seu país.

Eis a Verdade que Washington e Londres irão tentar esconder. Quando George Bush e Tony Blair se preparavam para fazer seus discursos, perversamente, ou não, em Istambul, outra atrocidade lhes deu a luz verde que precisavam para ligar o Iraque ao terrorismo internacional e procurar a próxima vítima para invadir. Já se menciona a Hezbollah como ter ligações com Al Qaeda e já se refere à ligação entre o Irão e a Hezbollah. Quão conveniente pode ser um ataque terrorista para mudar o curso da história e tentar reescrever o livro…da História mas não da Verdade. Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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