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Detido ex-comandante Jesús Santrich, fim do acordo de paz firmado em Habana?

19.04.2018 | Fonte de informações:

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Por volta das cinco da tarde de ontem 9 de abril foi detido em Bogotá por unidades do CTI o ex-comandante do Secretariado das FARC-EP, Jesús Santrich, acusado, ao que parece, de ter nexos com o narcotráfico. Segundo se pôde estabelecer, um Tribunal dos Estados Unidos o estaria solicitando em extradição por este conceito.

Nelson Lombana Silva

A decisão causou desconcerto no povo colombiano porquanto entende esta medida como uma nova e dura sabotagem ao processo de paz materializado em Havana e que tantos benefícios tem gerado apesar do contínuo descumprimento do governo nacional e da extrema-direita personificada no Centro Democrático.

Consecutivamente o presidente Juan Manuel Santos, temeroso e frágil politicamente, vem descumprindo o acordado pelas duas partes, documento que repousa em gavetas de organismos internacionais, porém ao que parece não é impedimento para essa arcaica e corrupta oligarquia desconhecê-lo, manipulá-lo e descumpri-lo.

Indubitavelmente, é uma punhalada mortal a que a classe dirigente oligarca assestou a tão exímio anseio de paz forjado com tanto sacrifício por um movimento guerrilheiro que lutou heroicamente durante mais de 50 anos nas montanhas deste país sul-americano. Uma traição infame de uma classe política que carece das mais elementares normas éticas.

Não cumpriu o governo nacional com a anistia e hoje seguem nas masmorras do regime centenas e centenas de ex-guerrilheiros. O comandante Simón Trinidad continua se apodrecendo nos cárceres do imperialismo dos Estados Unidos, foram negadas as cadeiras para as vítimas, o estatuto da oposição ficou em veremos etc.

Agora, ao que parece, se começa a saber que os milhões de dólares que vinham para reparar às vítimas e desenvolver o acordado em Havana se evaporaram como por encanto. O câncer da corrupção carcome progressivamente a caricatura de democracia colombiana.

Os inimigos da paz, que têm rosto próprio, arremeteram violentamente contra a convivência e a reconciliação nacional, empurrando para o abismo da violência a um povo que quer dar o melhor de si para cicatrizar as feridas de um conflito tão longo e tão complexo.

O povo não pode posar de simples espectador. Se faz necessário em todo o território nacional com a simples lógica de defender o acordo e derrubar as ambições pérfidas do uribismo de ganhar a presidência sobre o ginete da guerra, cuidando sempre de exonerar da batalha a seus filhos e aos membros da classe dominante.

Cobra valor e vigência as declarações do também ex-comandante fariano Jaime Guaraca, quem, com incrível nitidez, vaticinou o que desafortunadamente vem sucedendo. "Eu conheço e vivi quatro leis de anistia de 1948 para cá, e quase todas têm o mesmo objetivo e têm uma mesma aparência. Agora se firma uma lei de anistia em todos esses documentos e veja você que ainda não se cumpriu".

Recorda o ex-comandante fariano a anistia do general Gustavo Rojas Pinilla. Uma vez se faz e a guerrilha entrega suas armas é paulatinamente exterminada, começando por seu máximo comandante Guadalupe Salcedo, assassinado covardemente pelas costas nas próprias ruas de Bogotá.

Mais adiante, acrescentou: as FARC silenciaram as armas, porém o Estado não, continuou matando. Várias dezenas de ex-guerrilheiros farianos foram assassinados, vêm sendo assassinados sem tom nem som enquanto o Estado guarda horripilante silêncio e indiferença.

O chamado que faz Guaraca a aclimatar a paz por parte da burguesia colombiana é rechaçado categoricamente. "É necessário que essa gente da oligarquia esqueça a cultura da violência, esqueça a cultura da guerra, da morte, esqueça a cultura do ódio, para que haja reconciliação no país, para que haja um restabelecimento e uma reconstrução do país".

Essa maldita oligarquia não sabe falar de paz, não sabe materializar a paz, sabe fazer a violência contra um povo alienado, amordaçado e indefeso. Também afirma o comandante fariano: "Me parece que foi muito prematura a entrega de armas". São palavras maiores para de uma autoridade para refletir nestas labutas de tratar com essa hipócrita e traiçoeira classe dirigente nacional.

Jesús Santrich resistirá aos horrendos tratamentos dessa burguesia avalentoada e mafiosa. Não mais mártires, piedade para a pátria que vem se dessangrando pelos quatro costados. A paz segue sendo uma quimera no horizonte da Colômbia invadida pelos Estados Unidos com suas 21 bases militares, com a cumplicidade do apátrida ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, quem pretende regressar à presidência em corpo alheio.

Que lhes aguarda aos demais membros do Secretariado das ex-FARC-EP? Os grilhões e os cárceres norte-americanos? Também tem razão o ex-líder fariano Jaime Guaraca quando disse que este acordo era mais um dos numerosos que se haviam firmado com a burguesia. Só o povo organizado pode obrigá-la a cumprir. Há que mobilizá-lo para que este nobre ideal se torne realidade, porque a paz deve estar acima das ideologias e das igrejinhas políticas.


Joaquim Lisboa Neto

 

 
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