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IRAQUE: Três anos de derrotas para os EUA

18.03.2006 | Fonte de informações:

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Há três anos, Iraque não ameaçava ninguém. Kuwait não estava a roubar seu petróleo e Irão não atacava suas fronteiras…mas o regime de Bush teve uma birra porque uma década de sanções e actos de terrorismo pela Força Aérea dos Estados Unidos não conseguiram remover o governo Ba’atista de Saddam Hussein.

O que seguiu já é conhecido: mentiras acerca das Armas de Destruição Massiva (“nós sabemos onde estão”), que custariam a vida do perito britânico nesta área (Dr. David Kelly) e uma invasão ilegal que custou as vidas de cem mil pessoas, enviou a sociedade iraquiana para trás para tempos medievais, destruindo os direitos da mulher, e que custou aos norte-americanos 400 mil milhões de dólares.

Para quê?

Para vermos, três anos depois, o estado lastimável em que o Iraque ficou. Esta semana, forças dos EUA estavam envolvidas em mais uma ofensiva, com mais histórias acerca do assassínio de mulheres e crianças, chacinadas nas suas casas, enquanto todos os dias analistas avisam da possibilidade de guerra civil.

São exemplos do fracasso total da política de Washington, espelhado hoje pelas manifestações em 200 cidades e vilas a volta do mundo, onde milhões de pessoas reclamam contra a guerra e exigem uma mudança de direcção, que começa pela retirada total das forças armadas dos EUA.

Estas mesmas milhões de pessoas pediram para a guerra nem começar há três anos, antes que o regime de Bush desafiou a comunidade internacional, insultando a ONU, quebrando a sua Carta e depois as Convenções de Genebra com aqueles actos tresloucados de depravação que evocavam imagens dos horrores dos campos de concentração de Hitler, chocando biliões de pessoas.

Com esse resultado (previsível e previsto nestas páginas há três anos atrás), vai a credibilidade do regime e dos Estados Unidos da América durante muitos anos. O Iraque não é um tsunami nem constitui um terramoto na política externa dos EUA, mas sim um cataclismo, uma espécie de queda de um meteoro, abanando a alma de Washington, arrancando o coração da nação.

Basta dizer que cada vez mais iraquianos que antes nem apoiavam Saddam Hussein, afirmam agora que estavam melhores com ele, para ver aonde chegou o regime de Bush, cuja arrogância criou uma situação que era inteiramente evitável.

Resultados

Há mais notícias más do que boas. Começando pelas más, a centena de famílias britânicas, o milhar de famílias norte-americanas e a centena de milhar de famílias iraquianas que têm saudades dos seus entes queridos, perdidos numa guerra sem senso, são a consequência imediata e trágica deste tamanha erro, enquanto o efeito no futuro médio será uma atitude suspeita sempre que Washington se pronuncie na sua política externa (depois de ter quebrado todas as leis no livro), até que a memória e o tempo fizerem seu efeito; no longo prazo, parece cada vez mais evidente que se criou um abismo onde nenhum existia antes e que a região, que antes pisava em cascas de ovos, corre sérios riscos durante muitos anos que vêm, de implodir.

O senso comum e estabilidade bem-humorado do povo iraquiano, que viviam juntos em respeito mútuo, foi levado ao ponto de ruptura, sendo o resultado que actualmente ser Sunni ou Xiita faz diferença, enquanto antes era uma questão de escolha em particular. Os direitos das mulheres desapareceram simplesmente, com a instituição do pseudo-governo quasi-democrático que de facto não passa de um clique de activistas reaccionários políticos e extremistas conservadores religiosos das margens da sociedade iraquiana, juntados em Londres antes da “guerra” e depois infligidos sobre a sociedade iraquiana, que votou sem saber em muitos casos em quem.

As boas notícias, se é que as há, são para os que produzem o petróleo, porque as políticas desastrosas de Bush mantêm os preços em alta. Com Washington a fazer figura de palhaço no palco mundial, esticando as suas forças e seus recursos, humilhando-se perante a comunidade internacional enquanto sua política externa é criticada desde Atenas até Adelaide, desde Belgrado até a Bolívia, desde a Cidade do Cabo até Cantão, quem fica a ganhar mais no prazo imediato é, curiosamente, Moscovo.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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