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A visão de Adam Smith, atual e do futuro sobre a China

17.09.2019 | Fonte de informações:

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A visão de Adam Smith, atual e do futuro sobre a China

 

Paulo Galvão Júnior

  

  1. Considerações Iniciais

 

A China é a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos desde 2010. A China era a nação mais rica do planeta, enquanto os Estados Unidos, uma das mais ricas colônias do Reino Unido, quando a obra-prima do economista escocês Adam Smith (1723-1790) intitulada Uma Investigação Sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações foi publicada em 9 de março de 1776, em Londres.

 

Desde a segunda metade do século XVIII até os dias atuais, A Riqueza das Nações é lida, citada e debatida nas universidades da Escócia e do mundo. O presente artigo visa observar a China, o país mais populoso do mundo, um dos países pesquisados por Adam Smith e na atualidade é a locomotiva da economia mundial. Este artigo reflexivo pretende entender o passado da China, analisar o seu presente e desenhar os cenários futuros até 2026.

 

Para o pai da economia moderna, a lei da oferta e da demanda pode ser explicada por uma metáfora mundialmente conhecida pelos economistas, estudantes de Ciências Econômicas ou estudantes da disciplina Economia nas faculdades brasileiras e estrangeiras, a mão invisível (the invisible hand).

 

Para Adam Smith o mercado é guiado por uma mão invisível. Em pleno século XVIII, a mão invisível guiava as famílias e as empresas a interagirem no mercado, buscando satisfazer seus próprios interesses, e espontaneamente, organizavam a produção, a circulação, a distribuição e o consumo de bens de forma eficiente, sem nenhuma intervenção do Estado na economia. A mão invisível é uma força natural do próprio interesse que movia as famílias (consumidores de produtos de menor preço) e as empresas (produtores de bens de maior preço) a se encontrarem no mercado, em busca do preço de equilíbrio, em plena livre concorrência.

 

A visão de Adam Smith era de que "Essa mão invisível avalia todas as informações sobre compradores e vendedores e direciona todos para o melhor resultado, conforme considerado pelo padrão de eficiência econômica. Na verdade, é um feito extraordinário. Por isso, os economistas defendem o livre mercado como a melhor forma de organizar a atividade econômica" (MANKIW, 2013, p.141).

 

Há 243 anos, Adam Smith enfatizava que a mão invisível não funcionava perfeitamente se houvesse impedimentos ao livre mercado (free market), ao livre comércio (free trade). No século XVIII, o então professor de Filosofia Moral na Universidade de Glasgow defendeu a liberdade econômica em pleno mercantilismo e foi um forte oponente ao protecionismo, ao monopólio e aos elevados impostos nos princípios da Revolução Industrial.

 

O presente artigo está organizado em oito seções distintas, com vários cortes cronológicos, no objetivo principal de compartilhar conhecimentos sobre a economia mundial. A primeira seção aborda as considerações iniciais sobre a China e a obra prima de Adam Smith. A segunda seção trata da China em 1776 e na atualidade. A terceira seção revela o preço das mercadorias na China nos séculos XVIII e XXI. A quarta seção retrata a China como a nação mais rica do planeta. A quinta seção mostra a política de natalidade na China. A sexta seção analisa a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. A sétima seção retrata o consumo chinês. E a última e oitava seção são as considerações finais.

 

  1. A China em 1776 e na atualidade

  

A Riqueza das Nações, com dois volumes e cinco livros, é a obra fundadora das Ciências Econômicas. O segundo livro de Adam Smith possibilita uma visão clássica do progresso econômico de uma nação. A China foi citada pela primeira vez no Volume I, do Livro Primeiro, do Capítulo III, em 1776. De acordo com Adam Smith (1996, pp.79-80), "Os aperfeiçoamentos na agricultura e nas manufaturas parecem ter sido muito antigos também nas províncias de Bengala, localizadas nas Índias Orientais, e em algumas das províncias orientais da China, (...)".

 

Em pleno século XVIII, na China oriental já se encontrava a parte mais densamente povoada do país e caracterizada por planícies extensas, solos férteis e pelos rios Yang-tsé, Amarelo e das Pérolas. No século XXI, a República Popular da China tem 22 províncias e elas são: Anhui, Fujian, Gansu, Guangdong, Guizhou, Hainan, Hebei, Heilongjiang, Henan, Hubei, Hunan, Jiangsu, Jiangxi, Jilin, Liaoning, Qinghai, Shaanxi, Shandong, Shanxi, Sichuan, Yunnan e Zhejiang. A capital da China é Beijing, com 21,5 milhões de habitantes.

 

A República Popular da China é o terceiro país mais extenso do mundo, atrás apenas da vizinha Rússia e do Canadá. A China é um país de dimensões continentais e tem cinco subdivisões oficialmente denominadas regiões autônomas (Guangxi, Mongólia Interior, Ningxia, Xinjiang e Tibete), quatro municípios (Beijing, Chongqing, Shanghai e Tianjin) e duas Regiões Administrativas Especiais (RAE), que possuem um certo grau de autonomia política (Hong Kong e Macau).

 

Para o Partido Comunista Chinês (PCC) a ilha de Taiwan é uma parte inalienável do vasto território da República Popular da China. Nos dias atuais, Taiwan ou República da China (antiga Formosa), é um dos quatro tigres asiáticos, junto com Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura.

 

Smith (1996, p.80) destacou: "Em Bengala, o Ganges e vários outros grandes rios formam grande número de canais navegáveis, da mesma forma que o Nilo no Egito. Também nas províncias orientais da China, vários rios grandes forma, com seus diversos afluentes, uma multidão de canais; (...)".

 

A China é um país localizado na Ásia Oriental e tem muitos rios, exatamente 5.000 mil rios. O maior rio da China é o rio Yang-tsé. A usina de Três Gargantas no rio Yang-tsé é a maior usina hidrelétrica do planeta em termos de capacidade instalada (22.500 megawatts) desde 2012.

 

  1. O preço das mercadorias no maior mercado do mundo

  

"A economia estuda como as sociedades administram recursos escassos para produzir bens e serviços e distribuí-los entre diferentes indivíduos" (MOCHÓN, 2013, p.1). O preço representa uma quantidade de dinheiro para adquirir um bem ou um serviço no mercado. O preço pode variar muito, subir ou descer, de acordo com o custo de produção da mercadoria.

 

A China sempre foi e continua sendo o maior mercado do mundo. Nos meados do século XVIII, no Livro I, no Capítulo V, Adam Smith (1996, p.93) destacou: "Meia onça de prata em Cantão, na China, pode comandar uma quantidade maior de trabalho e de artigos necessários e convenientes para a vida, do que 1 onça em Londres". Para Adam Smith o preço de qualquer mercadoria, por exemplo, o arroz, ou o preço do ouro (gold) é determinado pela lei da oferta e da demanda. A demanda reflete o que o consumidor deseja consumir, enquanto o ato de comprar é efetuar uma aquisição de uma mercadoria, por exemplo, uma calça jeans, por um preço determinado em reais, dólares americanos, euros ou yuans.

 

Hoje, Cantão é conhecida como Guangzhou na China continental. A cotação internacional da onça troy (31,103 gramas) de ouro alcançou o preço de US$ 1.513 no dia 16 de agosto de 2019, na Bolsa de Chicago, a maior e mais antiga bolsa de opções de contratos futuros do mundo desde 1848. Em 28 de agosto, o ouro subiu para US$ 1.553 por onça troy.

 

Nos dias de hoje, as incertezas econômicas com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e o BREXIT, além do temor de uma recessão na economia global, aumentou a demanda por ouro. Quando o consumidor busca comprar metais preciosos como ouro e prata, a medida de peso mais usada é uma onça troy.

 

De acordo com o pensamento econômico de Adam Smith (1996, pp.236-237), "Na China e no Industão, a extensão e a variedade nas navegações internas poupam a maior parte desse trabalho, e, consequentemente, desse dinheiro, e com isso reduzem ainda mais o preço real e nominal da maioria de suas manufaturas. (...) Também é mais vantajoso levar para lá prata do que ouro, porque na China, e na maioria dos outros mercados da Índia, a proporção entre a prata pura e o ouro puro é apenas de 10 ou no máximo de 12 para 1, ao passo que na Europa é de 14 ou 15 para 1. Na China e na maior parte dos outros mercados da Índia, 10, ou no máximo 12 onças de prata, comprarão 1 onça de ouro, enquanto que na Europa requerem-se de 14 a 15 onças". A China superou a Índia e se converteu no maior consumidor mundial de ouro no ano de 2013. Atualmente, os cinco maiores produtores de ouro do planeta são: China, Austrália, Estados Unidos, África do Sul e Rússia.

 

A B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) destaca em seu site oficial que, "O ouro é considerado um dos metais mais preciosos do mundo, tendo o seu valor sido empregue como padrão para muitas moedas ao longo da história. Atualmente, seu uso ainda é muito amplo e abrange grande demanda por parte da fabricação de joias, da indústria e principalmente como reserva de valor. A procura pelo investimento em ouro intensifica-se em momentos de crise econômica". No Brasil, uma grama de ouro foi equivalente a R$ 196,11 e na B3, a cotação de 250 gramas de ouro foi de R$ 490,00 em 11 de setembro de 2019.

 

O ouro é uma commodity muita valiosa na economia mundial. O ouro é um dos ativos financeiros mais seguros do planeta. O ouro é o melhor ativo financeiro para a proteção de uma carteira de investimentos em época de crise econômica. O ouro alcançou US$ 283 por onça troy em setembro de 1997 subindo para US$ 1.920 em setembro de 2011, ou seja, um crescimento absoluto de US$ 1.637 ou um aumento relativo de 578,44%. Nos dias atuais, a China vem comprando ouro por oito meses consecutivos, tendo adicionado 10 toneladas do metal precioso às suas reversas de mais 1.945 toneladas de ouro.

 

  1. A China era a nação mais rica do mundo

  

A China era a nação mais rica do mundo em 1776. No Livro I, no Capítulo VIII, número da sorte na China, Adam Smith (1996, p.123) destacou: "A China foi por muito tempo um dos países mais ricos, isto é, um dos mais férteis, mais bem cultivados, mais industriosos e mais populosos do mundo".

 

A fonte da riqueza de uma nação para Adam Smith era o trabalho. Para os fisiocratas a riqueza provém da terra, enquanto para os mercantilistas a riqueza de uma nação era oriunda do ouro e da prata. A riqueza de uma nação é determinada pela produtividade do trabalho produtivo. Quanto mais trabalho produtivo, mais caro este produto no mercado. A divisão do trabalho e a especialização do trabalho são fundamentais para o aumento da produção e da produtividade no livre mercado.

 

Segundo o economista paulista Luiz Alberto Machado (2019, p.36), "(...) Smith testemunhou os primórdios da revolução industrial, razão pela qual deu grande ênfase a divisão do trabalho, (...)". Posteriormente, o renomado professor Luiz Alberto Machado (2019, pp.73-74) enfatizou que, "(...) a Inglaterra (e a Escócia, por extensão) vivia naquela época os primeiros estágios da revolução industrial, e Smith soube como ninguém interpretar os movimentos em curso e perceber o alcance e a direção das principais mudanças".

 

A China foi superada pelo Reino Unido, sob os efeitos da Revolução Industrial, como a maior economia do mundo, no início do século XIX. Posteriormente, o Reino Unido foi ultrapassado pelos Estados Unidos, sua ex-colônia, como a maior potência econômica do planeta, no início do ano de 1919. A China na atualidade é a maior economia do mundo no Produto Interno Bruto (PIB) pelo critério de dólares americanos de paridade de poder de compra (PPC). Segundo os dados oficiais do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB da China em 2018 foi US$ 25,2 trilhões PPC. Em segundo e terceiro lugares no ranking mundial encontramos os Estados Unidos e a Índia, com US$ 20,4 trilhões PPC e US$ 10,3 trilhões PPC, respectivamente.

 

Até o presente momento, a nação mais rica do planeta em PIB PPC apresenta uma série de dificuldades por parte do trabalhador chinês para manter sua família, sobretudo, nas províncias mais pobres da China continental. Conforme Adam Smith (1996, p.123), "Os relatos de muitos viajantes, contraditórios sob muitos outros aspectos, concordam em atestar a baixa taxa de salários e as dificuldades que um trabalhador tem para manter sua família".

 

Com uma mão de obra abundante e barata na China, o salário é muito baixo, provocando sérios problemas de condições de vida. As empresas ao buscar maximizar o seu lucro, provocaram o aumento das exportações dos produtos Made in China para o resto do mundo. As empresas instaladas na China têm um custo de produção muito baixo. No Dicionário de economia do século XXI, o professor Paulo Sandroni (2008, p. 218) refere-se a custos de produção como a: "Soma de todos os custos originados na utilização dos bens materiais (matéria-prima, mão-de-obra, depreciação e amortização de máquinas, patentes, gastos diversos) de uma indústria na elaboração de seus produtos".

 

O primeiro economista do mundo, Adam Smith (1996, pp.262-263), no Século das Luzes, destacou que, "Na China, país mais rico do que qualquer outro da Europa, o valor dos metais preciosos é muito maior do que em qualquer parte da Europa". Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) iniciou-se o processo de globalização da economia mundial, mas a economia chinesa tomou outro rumo com a proclamação da República Popular da China em 1 de outubro de 1949 pelo líder comunista Mao Tsé-tung, mas não conseguiu diminuir as desigualdades sociais nem tão pouco gerar crescimento econômico robusto.

 

O líder chinês Deng Xiaoping abriu a economia chinesa e atraiu os investimentos externos diretos nas Zonas Econômicas Especiais (ZEE). Foi o grande responsável da transição da economia socialista de Mao para a economia socialista de mercado. A China mudou radicalmente com a morte de Mao em 1976, porque Deng Xiaoping iniciou em 1979 uma restauração capitalista, e sobretudo, apontando que o motor da economia chinesa sendo o comércio exterior. Segundo a conceituada revista National Geographic Brasil (2008, p.140), "O país vem crescendo graças à fabricação de produtos para consumo externo".

 

A China fomenta o comércio bilateral com vários países nos cinco continentes. Desde 1974, com o presidente Ernesto Geisel o Brasil tem relações diplomáticas com a China, o nosso maior parceiro comercial desde 2009. Recentemente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) confirmou que a China habilitou 25 frigoríficos do Brasil, sendo 17 de carne bovina, 6 de carne de frango, 1 de carne de porco e 1 de carne de asinino. O Brasil necessita exportar mais produtos agrícolas e produtos industrializados para a China, os Estados Unidos, a Argentina e o resto do mundo para reduzir significativamente os atuais 25 milhões de desempregados e subempregados.

 

Segundo o diplomata José Alfredo Graça Lima (2016, p.28), "Desde as reformas de Deng Xiaoping no final dos anos 1970, a economia chinesa acumulou os mais altos níveis de reservas internacionais do mundo". A China tornou-se no maior exportador mundial de produtos industrializados. A China é a fábrica do mundo no século XXI, como os Estados Unidos, no século XX e o Reino Unido, no século XIX. As reservas internacionais já alcançaram US$ 3,107 trilhões, de acordo com os dados de agosto do Banco do Povo da China (ISTO É DINHEIRO, 2019). É cada vez mais relevante o papel da China na economia mundial.

 

  1. A política da natalidade na China

  

A China é o país mais populoso do planeta, com 1,444 bilhão de habitantes, segundo os dados de 2018 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A população urbana da China corresponde a 59,7% da população total, enquanto a população rural corresponde a 40,3% (FAO, 2018).

 

Para o filósofo iluminista Adam Smith (1996, p.123), "O casamento é estimulado na China, não porque ter filhos represente algum proveito, mas pela liberdade que se tem de eliminá-los. Em todas as grandes cidades, várias crianças são abandonadas toda noite na rua, ou afogadas na água como filhotes de animais. Afirma-se até que eliminar crianças é uma profissão reconhecida, cujo desempenho assegura a subsistência de certos cidadãos". Com a pobreza extrema, infelizmente, os recém-nascidos eram jogados em rios ou enterrados vivos no século XVIII.

 

Na China moderna é possível encontrar cenas lamentáveis de violação dos direitos da criança nas cidades como Beijing, Shanghai, Shenzhen e Shenyang. A vida é o maior direito humano de uma criança. Infelizmente, nas cidades do interior da China, as crianças são abandonadas pelos pais, que foram trabalhar nas fábricas das grandes cidades. Infelizmente, ocorreram ou ocorrem relatos de abandono e infanticídio feminino, por parte dos pais que estavam desesperados por um filho do sexo masculino. As meninas foram e são as maiores vítimas da política da natalidade na República Popular da China.

 

Em 1979, o líder comunista Deng Xiaoping implantou a política do filho único para o controle da natalidade e brutalmente reduziu o crescimento demográfico chinês, provocando o aumento do número de nascimentos de crianças do sexo masculino em relação às do sexo feminino nas províncias.

 

Por trinta e seis anos consecutivos de severo controle da natalidade na China, evitaram 400 milhões de nascimentos e causaram o abandono de milhares de bebês, sobretudo do sexo feminino, já que as famílias, muitas em situação de pobreza extrema, não podiam arcar com as altas multas impostas pelo PCC a quem tivesse mais de um filho.

 

Em outubro de 2015, o líder chinês Xi Jinping reformulou a política do filho único, devido ao envelhecimento da população chinesa. O PCC autorizou os casais que tenham até dois filhos. Antes os casais eram proibidos de ter mais de um filho, se fosse descumprido poderia resultar em multas e perda de emprego.

 

Adam Smith (1996, p.123) observou também que, "Embora a China pareça estacionária, não aparenta estar regredindo. Em todos os lugares se observam cidades abandonadas pelos seus habitantes. Em parte alguma observa-se que as áreas outrora cultivadas estejam agora negligenciadas".

 

A China deverá manter uma desvalorização do yuan em relação ao dólar americano e manter um estrondoso crescimento econômico. A China desvalorizou sua moeda em relação à moeda dos Estados Unidos ao mais baixo patamar dos últimos 11 anos. Mas, a China ainda não escapou da armadilha da renda média e registra uma nova epidemia de hepatite C, além de ser "o país que mais lança dióxido de carbono na atmosfera" (NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, 2018, p.70).

 

No Livro I, Capítulo VIII, o filósofo britânico Adam Smith (1996, p.130) constatou que, "(...) essa demanda que regula e determina o estado de propagação da espécie em todos os países do mundo: na América do Norte, na Europa, e na China. É esta demanda que faz com que essa propagação aumente rapidamente na América do Norte, seja mais lenta e gradual na Europa, e permaneça basicamente estacionária na China".

 

A economia chinesa na atualidade está em processo de desaceleração econômica. São os efeitos do consumo interno como prioridade ao invés do consumo externo. A China pretende superar os Estados Unidos na economia mundial e o maior desafio do presente é a guerra comercial.

 

  1. A Guerra Comercial entre os Estados Unidos e a China

 

Em 2001, com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), consolidou a forte abertura econômica iniciada em 1979. A princípios de 2018, começou a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores potências econômicas do planeta. Precisamos aprofundar a cooperação econômica entre a China e os Estados Unidos, e não o contrário. O grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se opõe firmemente contra o protecionismo na economia internacional e ao mesmo tempo defende o crescimento do Banco dos BRICS, cuja sede oficial é em Shanghai, com 24,2 milhões de habitantes.

 

O Livro I, no Capítulo IX, Adam Smith (1996, p.143), o pai do liberalismo econômico, destacou que, "A China parece ter permanecido estacionária por muito tempo, e provavelmente muito antes havia atingido aquele máximo de riqueza consentâneo com a natureza de suas leis e instituições. Entretanto, esse máximo pode ser muito inferior ao que comportaria a natureza de seu solo, seu clima e sua localização, com outras leis e instituições. Um país que negligencia ou menospreza o comércio exterior, e que só permite a entrada dos navios de outras nações em um ou outro dos seus portos, não pode efetuar o mesmo volume de negócios que teria condições de fazer com leis e instituições diferentes".

 

Com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China se agravando a cada mês, cresce o adiamento de novos investimentos neste cenário muito conturbado, muito incerto na economia mundial. Várias micro, pequenas, médias e grandes empresas nacionais e internacionais estão com investimentos adiados por causa da atual incerteza na economia mundial.

 

O professor de Lógica Adam Smith (1996, p.143) constatou também no século XVIII, "Afirma-se, pois, que os juros comuns da China são de 12%, sendo óbvio que os lucros normais auferidos do capital devem ser suficientes para permitir juros tão elevados". No mercado globalizado e muito competitivo, a taxa básica de juros da China é de 4,35% ao ano, segundo o People's Bank of China (PBC), ou seja, o Banco Central (BC) da República Popular da China.

 

Há 243 anos, no Livro I, Capítulo XI, Adam Smith (1996, p.206) percebeu que "O cobre do Japão é comercializado na Europa; o ferro da Espanha é comercializado no Chile e no Peru. A prata do Peru é exportada não somente para a Europa, mas da Europa para a China". O comércio exterior foi e é muito importante para as economias chinesa e mundial. Os Estados Unidos teve um déficit comercial de US$ 375,2 bilhões com a China no ano de 2017, por isso, em 08 de março de 2018, o presidente americano Donald Trump iniciou uma guerra comercial contra os produtos chineses.

 

Em seguida, Smith (1996, p.206) percebeu também que, "O preço da prata no Peru, ou a quantidade de trabalho ou de outros bens que ela pode comprar naquele país, deve ter alguma influência em seu preço, não somente nas minas de prata da Europa, mas também nas da China".

 

O economista liberal Adam Smith (1996, p.223) nos primórdios da Revolução Industrial, enfatizou que "A China é um país muito mais rico do que qualquer região da Europa, e a diferença de preço dos gêneros alimentícios, na China e na Europa, é muito grande. O arroz da China é mais barato do que o trigo em qualquer parte da Europa". Segundo os dados atuais da FAO, a China é o maior produtor de arroz, de trigo e de frutas do planeta. Desde 1º de agosto de 2019 o atual Diretor-Geral da FAO é o chinês Qu Dongyu sucedendo o brasileiro José Graziano da Silva e finalizará a sua gestão em 31 de julho de 2023.

 

A China é o primeiro país do mundo com maior número de vizinhos fronteiriços, com 22.117 km de fronteiras com 14 países asiáticos: Afeganistão (76 km), Butão (470 km), Cazaquistão (1.533 km), Coreia do Norte (1.416 km), Índia (3.380 km), Laos (423 km), Mongólia (4.677 km), Myannar (2.185 km), Nepal (1.236 km), Paquistão (523 km), Quirguistão (858 km), Rússia (3.645 km), Tadjiquistão (414 km) e Vietnã (1.281 km). Com a Nova Rota da Seda, a China poderá crescer mais suas exportações para os países vizinhos e não vizinhos na Ásia nos próximos sete anos.

  

  1. O Consumo Chinês

 

Para Adam Smith (1996, pp.223-224) o consumo era sempre crescente no grande império da China, "A diferença entre o preço da mão-de-obra em dinheiro na China e na Europa é ainda maior do que a diferença entre o preço dos mantimentos em dinheiro, nas duas regiões, pois a remuneração real do trabalho é mais elevada na Europa do que na China, já que a maior parte da Europa está desenvolvida, ao passo que a China ainda parece estacionária". Ao abrir sua economia em 1979 até 2008, o PIB chinês cresceu em média de 10% ao ano por 30 anos consecutivos. Desde 2009 até os dias atuais ocorre à desaceleração econômica da China.

 

A China é uma grande consumidora mundial de petróleo, carvão, minério de ferro, soja, carne bovina, entre outros produtos primários. Atualmente, o consumo é o novo motor da China. A China é o primeiro mercado mundial de vinho tinto e o segundo consumidor global de conhaque. É líder mundial no consumo de bicicletas, de cimento, de calçados, entre outros produtos industrializados. É a maior consumidora global de automóveis, celulares, smartphones e drones comerciais. A República Popular da China encontra-se em segundo lugar no ranking mundial no consumo de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.

 

Conforme Smith (1996, p.235), em pleno Século das Luzes, enfatizou que, "O comércio dos suecos e dinamarqueses com a Índia Oriental começou no decurso do século atual. Até os moscovitas agora mantém comércio regular com a China, através de uma espécie de caravanas, que atravessam por terra a Sibéria e a Tartária, indo até Pequim. (...) O consumo de porcelana da China e das especiarias das Molucas, das quinquilharias de Bengala e de inúmeros outros artigos, aumentou mais ou menos em proporção semelhante". A antiga Rota da Seda era realizada por caravanas de cavalos e camelos de que transportavam as riquezas da milenar China para a Europa.

 

Precisamos defender a livre concorrência, o livre mercado, o livre comércio para gerar mais riquezas nas nações. Precisamos lutar contra o monopólio e o protecionismo na economia mundial. Recentemente, a China denunciou os Estados Unidos à OMC por guerra comercial (EL PAÍS, 2019). Chega de ondas de tarifas de importação! O Brasil e o mundo são afetados pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

 

Na encantadora A Riqueza das Nações, Smith (1996, p. 235) enfatizou que, "Ora, nas Índias Orientais, especialmente na China e no Industão, o valor dos metais preciosos, quando os europeus começaram a manter comércio com aqueles países, era muito mais alto do que na Europa, e ainda hoje assim é. (...) Consequentemente, a comitiva de uma pessoa de posição na China ou no Industão é, assim, em todos os sentidos, muito mais numerosa e esplêndida do que a dos indivíduos mais ricos da Europa".

 

Ao escrever em 1776, Adam Smith (1996, p.236) observou que "(...) como já se observou, o preço real do trabalho, a quantidade real de produtos vitais que é dada ao trabalhador, é menor, tanto na China como no Industão, os dois grandes mercados da Índia, do que na maior parte da Europa. (...) Mas, em países de artes e indústria iguais, o preço monetário da maior parte dos manufaturados será proporcional ao preço do trabalho em dinheiro; e nas artes manufatureiras e industriais, a China e o Industão, embora inferiores, não parecem ser muito mais inferiores a qualquer parte da Europa".

 

A China sofre com os Estados Unidos, que acusam de práticas comerciais injustas, acusam os chineses de roubar propriedade intelectual, de enormes subsídios em diversos setores da economia chinesa. Mais de 100 multinacionais já anunciaram planos de mudar a produção industrial para fora da China, para outros países asiáticos como Vietnã e Índia, por exemplos, Microsoft, Citizien e Nokia fecharam suas fábricas em Guangzhou, além do clima muito conturbado com os protestos de estudantes em Hong Kong por democracia.

 

De acordo com o filósofo escocês Adam Smith (1996, p.261), "A quantidade desses metais nos países mais distantes das minas deve ser mais ou menos afetada por essa riqueza ou pobreza, devido ao transporte fácil e barato dos metais, de seu pequeno volume e grande valor. Sua quantidade na China e no Industão deve ter sido mais ou menos afetada pela riqueza das minas da América".

 

No Livro Segundo, Adam Smith não cita a China nos seus cinco capítulos, como também, não comenta a China no Livro Terceiro, nos seus quatro capítulos. Já no Volume II, Livro Quarto, Capítulo III, o economista britânico Adam Smith (1996, p.468) cita novamente a China e no qual destacou, "A maior parte desse capital inglês reporia os capitais empregados na Virgínia, no Industão e na China - capitais que proporcionariam renda e sustento aos habitantes desses longínquos países".

 

A longínqua China é a maior produtora e consumidora de arroz (cereal) e de ouro (metal precioso) do mundo na atualidade. O preço de um produto oscila muito, sobe e desce, no mercado. O ouro sempre foi mais caro, mais valioso do que o arroz na China imperial ou na China moderna. O arroz é um produto agrícola com mais utilidade para o chinês, mas o ouro por ser um metal raro requer mais trabalho produtivo, logo é mais caro.

 

  1. Considerações Finais

 

Passados dois séculos e quarenta e três anos, Adam Smith na pequena e portuária Kirkcaldy, jamais poderia sonhar que seus pensamentos econômicos e sua cativante defesa da liberdade econômica, do livre mercado, fossem repercutir tanto nos dias atuais, diante de uma guerra comercial, diante de uma desaceleração mundial, à beira de uma recessão global. As bolsas de valores de Shanghai e Hong Kong estão em ligeira queda.

 

As crises econômicas são cíclicas. As crises econômicas afetaram a economia dos Estados Unidos, já se passaram quase 11 anos desde a Crise de 2008, além de quase 90 anos da Crise de 1929. Estamos em plena desaceleração da economia mundial, e piorando com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do planeta, e agravando-se a cada medida de cunho protecionista, com as tarifas de importação cada vez mais altas, em outras palavras, rumo à recessão das nações. A recessão econômica já atingiu a Argentina e a Itália, por exemplos.

 

A obra magna do economista clássico Adam Smith completará 250 anos em 2026, um ano histórico para a China, quando retornará a sua posição de maior economia do planeta. Do motor a vapor no século XVIII ao robô no século XXI, o pensamento liberal é defender o direito à propriedade privada e a livre iniciativa. O papel-moeda foi inventado pelos chineses na dinastia Tang (618 a 907 d.C.) e provavelmente, serão os primeiros habitantes da Terra, a realizar compras com pagamento pelos QR Codes em todas as transações, sem uso do papel-moeda.

 

Nos dias de hoje, com A Riqueza das Nações podemos aprender a arte de pensar livremente e de produzir livremente também, além de realizar a escolha conforme o próprio interesse, e sobretudo, aprender mais com o melhor livro científico de Adam Smith, assim, pode interagir com as escolhas dos outros agentes econômicos no Brasil, na China, na Rússia, nos Estados Unidos e no mundo.

 

Muitos brasileiros gostam muito de comida chinesa. Poucos brasileiros gostam de ler muitos livros e eBooks nas bibliotecas. Pouquíssimos brasileiros sabem que o eBook A Riqueza das Nações é um infoproduto na atualidade. Uma leitura, uma releitura ou uma nova leitura da obra clássica de Adam Smith poderá contribuir para entender o poder da especialização do trabalho e da produtividade no crescimento econômico chinês em plena Quarta Revolução Industrial.

 

Em uma análise final, observo que a China nos dias atuais enfrenta uma histórica desaceleração econômica, o envelhecimento da população e a dívida pública elevada. Hoje, os Estados Unidos têm um PIB nominal de US$ 20 trilhões contra US$ 14 trilhões da China (FMI). Mas, em 2026, a minha projeção é de um provável cenário econômico é que o PIB chinês alcançará 26 trilhões de dólares americanos contra os 25 trilhões do PIB norte-americano. Em suma, a China alcançará a hegemonia econômica mundial nos próximos sete anos.

 

Referências Bibliográficas

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Foto: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Chinesische-mauer.jpg

 

 
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