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A inveja que fingimos não ter

15.03.2017 | Fonte de informações:

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A inveja que fingimos não ter. 26194.jpeg

A inveja é o sentimento que move a humanidade para frente. Sem ela estaríamos ainda na idade da pedra.  O mais mal visto dos atributos do ser humano, tanto que figura como um dos sete pecados capitais, a inveja é quem dá a adrenalina que todos nós precisamos para enfrentar a concorrência dos outros, em casa, na escola, no trabalho, no amor, sempre, todos os dias.

Ninguém se orgulha dela. Pelo contrário, todos apontam o seu potencial de auto-destruição, esquecidos de que ela é como certas substâncias ,  que, em pequenas doses funcionam como remédio, mas que em doses maiores são venenos mortais.
Para dar um caráter mais técnico à afirmação acima, fui pesquisar no Google, como todo mundo faz quando quer se exibir, e descobri qual é a substância mais letal do mundo e que mesmo assim virou remédio para a vaidade de homens e mulheres.
Abrir parênteses:


“Ela é tão perigosa que só pode ser fabricada em instalações militares com custo elevadíssimo.


Apesar de ser tão tóxica, esta substância está em altíssima demanda. Muitas pessoas pagam grandes fortunas para injetá-la em suas testas.
Trata-se da toxina botulínica – popularmente conhecida como Botox – que é produzida pela bactéria que foi descoberta em uma fábrica de salsichas no século 18. O nome "botulus" vem da palavra em latim para "salsicha".
Fechar parênteses.
 
No momento em que a inveja se instala na mente de uma pessoas, ela  cresce de forma incontrolável e nos acompanha desde que acordamos até a hora de dormir.
Como a nossa civilização se construiu através da repressão desse sentimento natural,  exibimos sua imagem de uma forma pasteurizada, quase sempre disfarçada sob outros nomes,  espírito crítico, na maioria das vezes.
Não admitimos, nem mesmo para nós mesmos, que o sucesso dos outros nos faz mal e que nos sentimos mais merecedores do que eles dos seus prêmios e honrarias.
O sentimento de inveja está potencialmente, em todos nós. Em alguns, ele fica adormecido a vida inteira e nesses casos, as pessoas são consideradas quase santas. Noutros, ele explode com uma violência arrasadora e pode destruir, não apenas contra quem ele se volta, como também contra o seu autor.
Como sempre acontece, é nas artes e não nas descrições científicas, que podemos ver como este sentimento funciona.


Talvez a mais rica e criativa descrição desse sentimento tão perverso, seja do filme Amadeus, que Milos Forman fez em 1984, a partir de um roteiro de Peter Schaff, colocando em dois extremos a genialidade instintiva de Wolfgang Amadeus Mozart e a mediocridade musical de Antonio Salieri.


A inveja extrema e teatralizada de Salieri pelo sucesso de Mozart vai levá-lo a uma guerra com o Deus, que ele jurou servir e no final à loucura e Mozart, à morte.
Veja o filme (no youtube você vai encontrá-lo) e não se envergonhe pela sua inveja, pequena ou quase tão grande como a de Salieri.


 

 
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