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Rússia: as inspecções devem continuar

14.02.2003 | Fonte de informações:

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Dr. Hans Blix apresentou o seu relatório ao Conselho de Segurança das Nações Unidas hoje, deixando a porta aberta para um debate sobre como a crise deve ser gerida.

No seu relatório ao Conselho de Segurança da ONU, Dr. Blix afirmou que o Iraque tem sempre colaborado com as exigências da equipa UNMOVIC e que o acesso aos sítios para inspecção foi disponibilizado sem entraves. Durante as inspecções, descobriu-se que o Iraque tinha desenvolvido mísseis Al-Samoud 2, que excedem o alcance de 150 quilómetros permitidos pela ONU, ao contrário das afirmações do regime iraquiano, que insiste que estes mísseis não vão além dos 149 quilómetros.

Dr. Blix apontou ainda que o regime de Bagdade tem de explicar onde estão substâncias químicas, como antraz e gás VX, que descobriu como “provavelmente o problema principal” neste momento e afirmou que o Iraque terá de providenciar mais informações sobre este assunto.

Hans Blix acrescentou que o acesso aos cientistas iraquianos nem sempre foi fácil porque ou recusaram-se a falar com os inspectores, ou insistiram na presença dum oficial do seu governo durante as entrevistas.

Contudo, apontou que a evidência apresentada como “os factos duros” por Colin Powell não ia além de especulação por causa da sua ambivalência e que os inspectores têm de basear os seus relatórios em factos que “eles próprios podem avaliar e apresentar em público”.

Depois do Dr. Blix, foi a vez de Mohammed El Baradei, o chefe da equipa de inspecção da Agência Internacional de Energia Atómica, a apresentar o seu relatório, em que declarou: “Os inspectores não descobriram qualquer actividade nuclear proibida no Iraque”.

A reacção do resto do mundo e em especial dos membros do Conselho de Segurança, foi mixta. Igor Ivanov, o Ministro de Negócios Estrangeiros da Federação Russa, declarou que a força só deveria ser usada em último recurso e que há provas claras que o Iraque está a cooperar com as equipas de inspecção. A reacção imediata do Ivanov aos discursos de Dr. Blix e Mohammed El Baradei foi que “As inspecções estão a ser efectuadas tranquilamente com a cooperação dos iraquianos. O acesso aos sítios está a ser disponibilizado prontamente, mesmo os sítios mais sensíveis”.

Considera que as inspecções devem continuar para avaliar se o Iraque constitui uma ameaça para a segurança da região e se sim, deve ser desarmado. Acrescentou que a grande maioria da comunidade internacional está a favor da continuação das inspecções, sob a autoridade da ONU.

A posição da Rússia foi apoiada por França e Alemanha. Dominique de Villepin, MNE da França, disse que “As inspecções estão a produzir resultados” e devem ser exploradas “até ao fim”, enquanto Joschka Fischer, seu homólogo alemão, declarou que qualquer acção militar iria desestabilizar a região e que “o caminho da diplomacia ainda não chegou ao fim”.

A reacção dos mais belicosos Reino Unido e Estados Unidos da América, foi previsível. O MNE britânico, Jack Straw, concentrou nos pormenores negativos no relatório mas não no teor geral, que louvou o Iraque pelo seu espírito de abertura e cooperação. Decidiu reiterar que o Iraque não tem cumprido com anteriores Resoluções da ONU e citou exemplos das agressões pelo regime de Bagdade contra os seus vizinhos.

Para o Secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, “a solução não é mais inspecções”. O que é preciso é que “O Iraque cumpra a Resolução 1441 do Conselho de Segurança da ONU imediatamente, de forma activa, plena e incondicional”.

O gesto de Saddam Hussein, o mestre de golpes de teatro, uma hora antes da apresentação dos relatórios, em decretar por um decreto-lei presidencial que todos os programas de armamento parem imediatamente e que a importação de armamento seja proibido, pode dar-lhe o benefício da dúvida no seio daqueles que estão opostos a uma intervenção militar.

De momento, parece que é esta a posição da maioria da comunidade internacional, que deixa Londres e Washington isolados. As manifestações pela paz de amanhã a volta do mundo irão mostrar quão profundo é a opinião pública internacional sobre este assunto.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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