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Repetição da barbárie que só agora choca

09.09.2014 | Fonte de informações:

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O mundo está indignado e perplexo, com muita razão, em função da barbárie que tomou conta de parte da Síria e do Iraque onde se formou um Estado Islâmico sob o controle de yihadistas. A barbárie, como não poderia deixar de ser, choca.

Por Mário Augusto Jakobskind

Só que tem um fato que não deve ser esquecido. Há pelo menos três anos na Síria, extremistas têm praticado crimes hediondos, nos mesmos moldes que os dos grupos que estabeleceram o Estado Islâmico.

Quem viu ficou horrorizado, e não é para menos, com o degolamento de soldados sírios capturados por extremistas apoiados pelo Ocidente. Repetiram a dose agora com dois jornalistas norte-americanos e ameaçam matar mais. Dão recado em vídeo a Barack Obama, que na prática favorece mais a quem eles combatem do que a eles mesmos.

Em fevereiro de 2012, o emirado islâmico criado no bairro Baba Amro, na cidade síria de Homs, criou um tribunal religioso que condenou mais de 150 pessoas ao degolamento. A barbárie foi efetivada, mas o Ocidente continuou apoiando as forças que lutavam pela derrubada do Presidente Bashar al Assad.

O Ocidente não reagiu como agora. Será por quê? É que valia tudo para derrubar o que líderes europeus e norte-americanos consideravam importante, ou seja, o Presidente Bashar Assad, só mencionado como ditador.

Empenharam-se ao extremo no apoio a terroristas que produziam a barbárie. Criou-se um clima ao estilo dos dias que antecederam a primeira invasão norte-americana britânica no Iraque com a demonização de Saddam Hussein.

Os fatos que resultaram no surgimento e fortalecimento dos jihadistas de alguma forma lembram outros acontecimentos históricos envolvendo os Estados Unidos. No Afeganistão, por exemplo, deram toda força a Osama Bin Laden para combater os soviéticos que foram chamados pelas autoridades afegãs da época para evitar o caos, como justificavam.

O Departamento de Estado e o Pentágono não pensaram duas vezes e se aliaram aos grupos que anos mais tarde se transformaram em terroristas. Para muitos não houve propriamente uma transformação, pois o grupo de Bin Laden sempre foi terrorista, mas só que contava com o apoio irrestrito estadunidense. Era ainda tempo de Guerra Fria e qualquer um que aparecesse para combater o inimigo principal, no caso os soviéticos, eram benvindos.

Na Síria, segundo denúncias de fontes fidedignas, os extremistas que queriam derrubar o "ditador" Bashar al Assad não foram apenas fortalecidos pelo Ocidente como, inicialmente, também treinados até pelo serviço secreto israelense Mossad. Naquele momento, com a divisão instalada na região, que perdura até hoje, quem mais lucrou e lucra é a indústria da morte, ou seja, os fabricantes de armamentos.

Este grupo que sempre lucrou com qualquer tipo de conflito no mundo, através de seus protegidos no Congresso, os próprios parlamentares que receberam subsídios financeiros em suas campanhas, começou a se articular no sentido de exigir a ação militar ocidental mais contundente. Como se bombardeios garantissem o derrocamentos dos jihadistas, que se aproveitam até das mal traçadas fronteiras estabelecidas pelos antigos colonialistas para tentar impor as suas ideias de sangue e ódio.

No plano interno da Grã Bretanha e Estados Unidos estão reinstalando com toda a força o clima de medo, como nos dias posteriores as ações terroristas de 11 de setembro de 2001. Embora jovens, sobretudo britânicos, tenham sido detectados como participantes de ações com marcas de barbárie, praticadas pelos jihadistas, não há indícios de que ao retornarem aos seus países de origem vão deflagrar ações terroristas. Mas as autoridades decidiram assim e está acabado. Torna-se até difícil convencer ao contrário.

Mas não importa, com indícios ou sem, os Estados britânico e norte-americano aproveitam o embalo do medo para agir passando por cima dos tradicionais valores democráticos.

Anos atrás, na própria Grã-Bretanha, que enfrentava ações terroristas do ETA, não foi necessária a utilização de métodos semelhantes aos das ditaduras civis militares que predominavam na América Latina nos anos 70, como todos sabem, com o total apoio dos Estados Unidos.

Ou seja, o Estado britânico combateu o ETA sem passar por cima da Constituição e sem necessidade de romper com os valores democráticos, como acontece agora.

Mas hoje, aproveitando a situação de instabilidade na área internacional, os governos britânico e estadunidense passam por cima de tudo para impor o que acreditam ser o certo. Em outras palavras, combatem o terror com terror internacional na base do prender, arrebentar, bombardear, invadir etc. sem se importar com as consequências.

Na prática, os povos são os mais atingidos pelas medidas decretadas para combater o terror, medidas que muitas vezes em vez de combater acabam gerando mais violência.

Já no Brasil se aproxima a data do primeiro turno presidencial e com projeções dos institutos de pesquisas indicando que haverá uma disputa voto a voto num provável segundo turno em 26 de outubro próximo. Resta agora aguardar e lembrar que os resultados das pesquisas só serão mesmo para valer quando faltarem poucos dias para a realização do pleito. Tem sido assim ao longo da história das últimas eleições.

Uma pergunta que não quer calar: quando sai a conclusão final sobre a causa do acidente que vitimou o então candidato do PSB, Eduardo Campos e seus assessores?

Corre a versão segundo a qual a forma com que o avião baixou como bola de fogo indica que ocorreu alguma explosão em pleno voo. Especialistas indicam que quando um avião cai os corpos não são dilacerados, como aconteceu, podendo permanecer intactos. Já quando explode no ar os corpos são dilacerados e para serem reconhecidos só mesmo por testes de DNA.

Se junta a isso o silêncio sobre a não gravação de diálogos na caixa preta, o mistério aumenta e dá margem a especulações de várias naturezas.

Na história mundial há muitos acidentes que dão margem a especulações que perduram ao longo do tempo, como aconteceu com o panamenho Omar Torrijos e o equatoriano Jaime Roldós.

Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil); preside a Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI - seus livros mais recentes: Líbia - Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla (no prelo).

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